Perfil “esculpido” após a Maravilhosa redescoberta do Lego

Perfil de Rita Caré com Lego

No final de 2018, descobri as minifiguras da Lego e segui por dois novos caminhos:
. Comecei a explorar quem são as personagens que me interessam e o que representam.
. Vi ou revi filmes com essas personagens e interpretei de outras formas os que já tinha visto, alguns que não me tinham interessado antes (por exemplo, Star Wars*).

Rita Caré . Papiro papirus | Perfil em Lego 2019

As esculturas em Lego nas fotografias são um exercício para criar uma representação do meu perfil: o meu amor eterno pela Natureza (as flores no chão verde, a árvore, as rochas, a água), a minha necessidade e características para Comunicar (o lápis, o megafone, o instrumento de desenho/pintura e o caderno), a minha capacidade para Observar e de Reflectir – mesmo quando não o faço conscientemente – o que me rodeia (os binóculos e a Coruja) e a minha necessidade de Viajar por aí e em pensamentos (a mochila, a mala e a garrafa de água).

Sem surpresas, as caixas de Lego que verdadeiramente me interessam são as de blocos, denominadas Lego Classic, que me permitem ser livre e criar esculturas abstractas – é incrível como sinto que posso explorar o abstracto tal como fiz com a aguarela a partir de 2007. Gosto das caixas das minifiguras para poder criar histórias com os blocos. Sonho com a Casa na Árvore, que virá a público amanhã, 1 de Agosto de 2019. Aguardo ansiosamente pelo Book Pop Up que chegará em breve.

A redescoberta do Lego está a ter o mesmo impacto que teve a experiência que tive na utilização da escultura em barro e plasticina, para me ajudar a evoluir no desenho e na utilização hiper-activa de ambas as mãos. É uma das sensações mais libertadoras que sinto desde há anos! É ainda uma extraordinária ferramenta para comunicar emoções e sentimentos, histórias.

É ferramenta utilizada em coaching, sabiam? Por isso, é um apoio extraordinário, ao nível profissional, para melhor gerir projectos e equipas.

P.S. – Falta o Cão, essa figura sempre presente ao meu lado pela Vida fora…

P.S.2 – Para saber mais sobre o meu perfil clicar AQUI e ALI

* No inicio de 2019 estive doente em casa durante vários dias e vi todos os filmes da saga Star Wars… e gostei mesmo muito.

SketchNotes Challenge: Project Planning

I finally decided to buy a new small tablet with the specific purpose of producing digital drawings. To practice and being motived I’ve participated on the September SketchNote Challenge of the SketchNote Hangout Project, coordinated by Makayla Lewis. This challenge was focused on Project Planning which is one of my favourite areas of study.

Sketchnotes, SNChallenge, SNHangout, Project Planning, Project Manager, Rita Caré, Makayla Lewis

I’ve been participating in the SNChallenges for more than 1 year. It usually take about 1h – 1h30 to fill in, but this time it took me about 6-8 hours to finish

Anyway, it has been a great time of practice. I LIKE it! 
Thank you Makayla for your support and enthusiasm!

If you wish to check my previous Sketchnotes follow my hashtag #rabiscarideias here and on social media. At this blog, follow the link Papiro Gráfico.

Dos Desenhos e do Lego | Até onde nos vai levar a Curiosidade?

SN - Curiosidade by Rita Care - Out2018

O Dia Aberto do Instituto Gulbenkian de Ciência 2018 teve como desafio aos visitantes a reflexão sobre até onde nos vai levar a Curiosidade?

A Curiosidade é uma das características mais marcantes dos mamíferos, sobretudo dos “grandes”, nos quais cabem os seres humanos.

Acho muito estranho quando percebo que as pessoas não mostram qualquer curiosidade sobre determinado tema relacionado com a sua própria vida prática do dia-a-dia. Já não acho tão estranho que não mostrem qualquer curiosidade pelas actividades e temas que me chamam a atenção…

Tenho muito mais tempo para pensar nas questões que me assolam o pensamento, a todas as horas, do que a maioria das pessoas, porque têm família logo ali e/ou passam o tempo vidradas nas horríveis novelas e telejornais que passam na televisão, tornando-se dormentes aos acontecimentos aos quais estão a assistir.

Os pensamentos e as ideias “assolam-me”, porque me sinto totalmente imersa neles, de tal forma que sinto uma desesperada necessidade de desenhar para os parar dentro de mim.

Lego Clássico, Escultura, Desenho, Rabiscos de Ideias, Florestas, Céu

Reflectindo no exercício de tricotar para manter as mãos ocupadas e por sua vez também a mente, lembrei-me de comprar uma caixa de Lego Clássico para esculpir peças abstractas, tendo a certeza que dessa forma conseguiria ocupar o cérebro através do uso das mãos, tal como o fiz durante muito tempo com as aguadas abstractas de aguarela.

Are you curious? É curiosa? É curioso?

Foi assim que chamei a atenção dos FotoSketchers 2 Linhas para os desafiar a aprender coisas novas e o interessante que se faz no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, no passado dia 13 de Outubro.

Rabiscos Digitais: Mais uma tentativa para ficar…

Passar um fim-de-semana de meias e com rabiscos no quentinho, a fingir que se tem 5 anos, convivendo com a Alice é muito abraçado. Aprender com  Alice também, porque nenhuma criança de 5 anos sem pré-aviso tem medo de agarrar num tablet a sério e explorar as ferramentas sem dificuldade nenhuma. Parecem eles que já vêm com chip instalado…

Titá muito favorecida…
Não se deixem enganar isto é um avião…

Não tenho problema nenhum de a sentar ao meu lado e passar-lhe uma fortuna para a mão, desde que esteja de olho. A Alice é uma criança sossegadinha e que adora rabiscar como todas as crianças. A facilidade com que usou a caneta digital Surface, pesada, foi incrível. Mesmo muito. E aprendi tanto, porque a Alice não teve os medos adultos de estragar a ponta e por isso fez a pressão intuitiva para criar traços largos! Levou o precioso objecto ao limite, coisa que eu demoraria muito tempo a fazer. 

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Entretanto, quando fiquei a sós com a tecnologia atirei-me para os exercícios SN_Challenge do projecto SN_Hangout da Makayla Lewis para me motivar a não desistir das minhas explorações. Estes rabiscos, que significam metade do desafio, demoraram 3 horas a criar. Com materiais clássicos demoro 1 a 1h30 acumprir o desafio, dependendo da dificuldade do tópico proposto. Chegarei lá no digital :)

Qual é o programa utilizado… Não digo. Mas deixo a dica que deixo sempre para os materiais clássicos. Se querem saber do que gostam e querem usar têm que experimentar tudo o que vos aparece disponível. 

Apontamentos Desenhados do meu Perfil Profissional e não só…

Perfil rabiscado (actualização Agosto 2019)

Os Rabiscos de Ideias entraram na minha vida há quase dois anos. Um belo dia pûs-me a pesquisar informação sobre infografias. E de repente fui dar com o Doug Neill e o seu projecto “Verbal To Visual”, que é cada vez mais uma escola internacional de Rabiscos de Ideias. A minha história Verbal To Visual continua em baixo.

Depois desse tempo nas andanças dos rabiscos de ideias, apareceu a oportunidade de conhecer muitos dos sketchnoters que sigo na Internet. Onde? Em casa! Em Lisboa, durante o SketchNote Camp 2018! :D

Essa conferência pode ser seguida nas várias redes sociais através das hashtags: #isc18lx e/ou #ISC18LX

Tal como diz o Doug Neil, “Let’s give it a try to #SketchNotes“.

Os inscritos foram convidados a enviar o seu perfil para o livro da conferência. E daí surgiu este Rabisco de Ideias da minha vida profissional e académica até Setembro de 2018.

I’m Rita Caré, my nickname  is @ritacarepapiro at Facebook, Twitter  & Instagram  and my favourite hashtag is #RabiscarIdeias

 
 
Rabiscos de Ideias - Perfil de Rita Care - Set 2018 - Comunicacao Ciencia - SciComm
Perfil rabiscado (versão de Setembro de 2018)
 

Identifiquei-me imediatamente com o Doug Neill do Verbal To Visual, porque para além de explorar o desenho de uma forma totalmente diferente da minha, ele tem formação científica. Foi um professor frustrado com o sistema norte americano do ensino básico e secundário. Então, pôs as mãos na massa e ao longo dos últimos cinco anos montou uma escola deste tipo de desenho que explora os conceitos (conhecido por sketchnotes, visualnotes, rabiscos de ideias, apontamentos desenhados, pensamento visual ou reportagem gráfica, etc…).

O Doug produz os seus materiais para todos, mas tem uma tendência muito grande para ir de encontro às necessidades que os professores têm (embora a maioria nem sequer saiba disso) e para os incentivar a utilizar esta ferramenta com os seus alunos.

Imaginem isto no contexto mítico e terrível de que se estamos a desenhar é porque não estamos atentos e de que “eu não sei desenhar nem nunca saberei”.

Os meus rabiscos de ideias estão já por aqui meio desarrumados sob as categoria Papiro Gráfico e Reportagem Desenhada.

Se tem interesse em conhecer as minhas histórias de vida, pode ler o meu resumo e o meu perfil escrito por Carolina Lobão Figueira.

SketchNotes | Seminário sobre a EU-Life

Rabiscos de Ideias (*)

EU-Life Initiatives on Research Organization and Science Policy”

por Marta Agostinho

Seminário no Instituto Gulbenkian de Ciência​

A Marta é coordenadora da EU-Life, uma aliança de 13 centros de investigação Europeus da área das ciências da vida. A EU-Life apoia e promove a investigação científica de excelência e a voz da investigação nas decisções políticas da União Europeia.

O seminário foi muito interessante nos vários tópicos abordados, nomeadamente nas chamadas áreas de gestão, comunicação e diplomacia em Ciência. Escrevi muitos (mesmo muitos) apontamentos e decidi dar destaque à informação aqui partilhada.

Clicar nas imagens

Gostei mesmo muito de trabalhar com caneta branca!

(*) Quaisquer erros ou confusão de interpretação das mensagens passadas nas minhas notas visuais são da minha exclusiva responsabilidade.

Rita Caré | A Rabiscar para Conhecer

Rita Caré
A Rabiscar para Conhecer

Perfil produzido por Carolina Lobão Figueira (*),
entre 2017 e 2018,
para a disciplina de Jornalismo de Ciência
do Mestrado de Comunicação de Ciência
da FCSH-NOVA

 

Rita Caré na Sala dos Computadores e da Internet no Museu das Comunicações, Lisboa
Rita Caré na Sala dos Computadores e da Internet no Museu das Comunicações, por Carolina Figueira (Novembro 2017)

 

As paredes coloridas da sala do Museu das Comunicações, em Lisboa, contrastam com o cinzento dos prédios lá fora. Rita Caré, 41 anos, de cabelo curto e ar descontraído, senta-se numa das cadeiras. Pousa a mochila que a acompanha para quase todo o lado. A escolha do museu é propositada. Um museu com a temática que, em muitas formas, a caracteriza: comunicação. Onde passou horas a desenhar, até deitada sobre o chão frio. Um museu onde, acima de tudo, se sente como se estivesse em casa.

Rita demonstrou desde cedo uma ligação forte à Natureza. A partir dos cinco anos, a família colocava-a a ver programas de televisão de vida animal. Jacques Yves Cousteau e David Attenborough entravam-lhe casa adentro e foi com eles que cresceu e desenvolveu a sua paixão pelo comportamento animal e pela vida dos oceanos, um mundo escuro e desconhecido que espicaçava a sua curiosidade de criança.

Quis ser médica e carpinteira. A carpintaria era uma atividade muito prática que lhe satisfazia a necessidade de ter resultados imediatos. Mas a paixão pela observação do comportamento animal falou mais alto. Quando escolheu as opções de entrada na faculdade, em quase todas as linhas se lia “Biologia”. Na última opção, “Arquitetura Paisagística”. “Acho que faz todo o sentido, tendo em conta a minha vida atual. A estética, criar estruturas, desenhar…”, recorda Rita. Acabou por entrar em Biologia Marinha na Universidade do Algarve, mas o curso não lhe encheu as medidas: era, na altura, mais relacionado com a gestão das pescas e queria aprender mais sobre a vida animal. Depressa rumou para norte e foi a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) que acabou por ser palco da sua vida académica.

No quarto ano da faculdade fez um trabalho para uma disciplina no qual estudou a comunidade invernante das aves de jardins de Lisboa. Decidiu que gostava de ser ornitóloga para estudar o comportamento das aves de rapina. Mas a vida trocou-lhe as voltas. Não conseguiu fazer o estágio que queria e, quando se propôs a fazer um estágio em ilustração científica de roedores, também não foi bem-sucedida. Na reunião em que recebeu esta última resposta negativa, ouviu também algo que se tornou um marco indelével na sua vida. A Professora Maria da Luz Mathias disse-lhe que tinha perfil para a comunicação de ciência e sugeriu-lhe fazer um trabalho na área. “Foi aquela a primeira vez que ouvi essa expressão, já tinha 24 anos”, relembra Rita.

As tardes dos meses seguintes foram passadas entre livros, documentos e artigos científicos sobre museologia, na biblioteca do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa. Rita sempre teve uma vontade constante de ir à raiz dos problemas e o bichinho de querer estar sempre a aprender. Exemplo disso era a determinação com que estudava algo que, uns meses antes, nem sabia que existia. “Todos os dias eu pedia para fotocopiar imensas coisas para levar depois para casa para ler”. As manhãs, passava-as como monitora no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva, uma experiência desafiante já que foi a primeira vez que teve que interagir constantemente com pessoas desconhecidas e que comunicar oralmente, duas das maiores dificuldades de Rita. “Acho que sempre tive dificuldade em expressar-me oralmente. É muito mais fácil sentar-me e ter o tempo da escrita e pensar no que quero dizer para ser clara”, desabafa. Mas esta não é uma razão para fugir, antes pelo contrário. Coloca-se frequentemente em situações em que é obrigada a sair da sua zona de conforto. “Acho que vivermos sem crescermos, sem enfrentarmos as nossas dificuldades, não tem graça”.

O trabalho de fim de licenciatura era um estudo teórico de como se constroem boas legendas para exposições. Foi o único trabalho apresentado na área da Comunicação de Ciência. “Desde muito cedo que ela queria fazer comunicação de ciência e mais ninguém da nossa turma queria fazer isso. Distinguiu-se aí do resto dos 130 alunos que tinham entrado em Biologia nesse ano”, relembra Ana Mena, colega de faculdade de Rita e atual responsável pelo Gabinete de Comunicação do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC). Na apresentação do trabalho, que considera ser o trabalho mais apaixonante que fez, o arguente, Professor Carlos Almaça, estava “profundamente emocionado”, segundo palavras de Rita. O dia ficou também marcado por um acontecimento que ainda hoje é recordado. “Enquanto os professores faziam perguntas e ela respondia em frente a toda a audiência, o computador entrou em modo screensaver e começámos a ver projetadas no grande ecrã fotografias pessoais de paisagens, dos seus cães e dos amigos (ou seja, nossas) na piscina em bikini, em poses disparatadas, etc. (…). Claro que tivemos um ataque de riso”, relembra Patrícia Ponte, amiga de infância.

Nasceu desse trabalho a paixão de Rita pelos museus e centros de ciência e cresceu o seu interesse pela comunicação de ciência. Retrata-se intimamente como bióloga já que “brilha por todo o lado” quando fala de animais, mas na verdade, Rita sempre soube que não tinha perfil para investigadora, apesar da sua enorme curiosidade. “A investigação tem resultados a muito longo prazo e eu gosto de coisas imediatas. Gosto de ver resultados para não ficar frustrada”, diz Rita. Trabalhou em duas empresas de comunicação ambiental onde desenvolvia conteúdos para o público escolar e na Associação “Viver a Ciência”. Durante anos, fez todos os cursos e formações que pôde e que havia relacionados com a área da gestão de projetos e comunicação de ciência.

Em 2006, fez o curso de Jornalismo de Ciência e Tecnologia, um dos cursos “mais marcantes e interessantes” para a sua formação. Foi nesse ano que começou a trabalhar como coordenadora do Gabinete de Comunicação do Centro de Informação de Biotecnologia (CiB), onde se mantém até hoje e faz gestão de projetos e eventos de divulgação científica. É profissionalmente exigente, tem muita vontade de atingir objetivos e um grande sentido de responsabilidade quando está motivada para o trabalho que tem que fazer, tornando-a “das pessoas que todos queremos ter ao nosso lado para colaborar connosco”, refere Susana Araújo, investigadora do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier (ITQB) e colega de gabinete de trabalho de Rita. “Por outro lado, o seu sentido de responsabilidade/dever “afiado” faz com que a tolerância aos contratempos seja reduzida, sejam eles de ordem de tarefas cumpridas, inesperados ou interação com terceiros”, reflete Susana. Tanto no trabalho que faz no CiB, como noutras facetas da sua vida, Rita considera-se uma facilitadora. “Eu conto estórias quando escrevo, mas é muito mais importante o trabalho que faço como facilitadora”, refere. “Facilito às pessoas irem ter com outras ou ser-lhes contada determinada estória”.

O papel dos museus e dos centros de ciência sempre foi uma temática central na sua vida. Para ela, os museus têm a função de “contar estórias e deixar um legado para o futuro”. Isso só é possível se conseguirem ser relevantes para o seu público-alvo: “Quando um visitante vai a um museu, carrega consigo a sua vida. Pessoas diferentes interpretam de formas diferentes o mesmo que estão a ver. Apropriam-se daquilo que estão a ver, a observar, a sentir, de formas diferentes”, lembra Rita. A sua paixão pelas problemáticas da relevância e da acessibilidade cultural, social e física, não passa despercebida às pessoas que com ela se cruzam. O entusiasmo que dá tonalidade às suas palavras não o permite. “Ela interessa-se genuinamente pela maneira como as pessoas captam a informação”, diz Ana Mena.

 

Rita Caré no Museu do Dinheiro, por Ana Ferreira 2017
Rita Caré no Museu do Dinheiro, por Ana Ferreira (Abril 2017)

 

Nas questões da acessibilidade e da museologia, entre muitas outras, é Maria Vlachou, diretora executiva da Associação Acesso Cultura, que a inspira desde 2001, quando com ela trabalhou no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva. Em 2016, dedicou-lhe o projeto final do Mestrado em Comunicação de Ciência (na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa), mas a voz falha-lhe quando tenta falar da importância que Maria tem para ela. “Quando nós gostamos muito de uma pessoa, é muito difícil falar dela, e eu gosto muito da Maria”, diz Rita. Foi em 2016, como jurada no concurso Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples, organizado pela Associação Acesso Cultura, que Rita protagonizou um momento que Maria Vlachou recorda vividamente: “A Rita pôs toda a gente a rir quando fez um paralelismo e disse que sentir-se bem num museu, a ler coisas e a aprender coisas novas, é qualquer coisa como estar em casa confortável com as nossas pantufas. Foi uma forma tão simples, imediata e direta de passar a mensagem às pessoas! Podíamos usar os termos técnicos, mas a Rita com uma simplicidade extraordinária passou a mensagem.”

Uma vida a cores

A hiperatividade intelectual e a sede de conhecimento que a caracterizam foram empurrando Rita para outras atividades. “Estou sempre a tentar ir buscar coisas diferentes e juntá-las, estou constantemente a procurar fontes diferentes. É mais divertido”, refere. O encontro com o desenho deu-se em 1999, quando nos corredores da FCUL reparou num cartaz a anunciar um curso de Ilustração Científica. Em baixo, uma nota: não é preciso saber desenhar. “Fazer esse curso deve ter sido das sensações mais incríveis que eu já senti. É passar de achar que não sei fazer nada a, passado umas horas de formação, fazer coisas incríveis”, recorda Rita com um sorriso. Os desenhos eram muito pormenorizados, a preto e branco. Nesse curso, Pedro Salgado, o formador, disse aos formandos para comprarem uma caixa de aguarelas, para experimentarem trabalhar com a cor. “Eu comprei uma. Esteve seis anos fechada”, confessa Rita, rindo-se. O riso não é uma constante, mas quando se manifesta é contagiante.

Noz
Noz, um dos primeiros desenhos realistas no primeiro curso de Ilustração Científica, por Rita Caré (1999)

 

Em 2007, descobriu um atelier de pintura em Carcavelos. Foi falar com o professor, mostrou-lhe os trabalhos que tinha feito, mas rapidamente acrescentou “não quero fazer nada disto. Quero trabalhar abstrato e aguarela”. Ao sair da sua zona de conforto, Rita descobriu uma atividade que lhe fazia “ter a mente em silêncio”, coisa rara na sua mente hiperativa. O facto de o pai ter morrido quando Rita tinha apenas 20 anos, mostrou-lhe que a vida é limitada, e pode acabar a qualquer momento. Desde então tem “uma ânsia que não é normal de concretizar coisas que façam sentido”. “Na ilustração científica estava sempre tensa, para fazer as coisas sempre certinhas. Mas [no atelier] eu trabalhava com folhas de um metro e tal de largura, com 60 cm de altura, e trabalhava com pinceis grandes de aguarela”, recorda. Também o professor reparava na sua necessidade de conhecimento, a única aluna que se interessava por ir saber o ‘porquê’. Não se interessava só pela técnica da aguarela, mas aprendeu a ver e a sentir através dos trabalhos de Kandinsky, de Picasso ou de Miró. “Vivemos num mundo cheio de regras e muitos preconceitos. Um dos grandes preconceitos é que não sabemos desenhar. E a aguarela destrói isso tudo”, explica Rita. “O processo da água a correr livremente permite-nos quebrar a rigidez do dia-a-dia”.

Orquidea
Orquídea Selvagem desenhada durante cerca de 25 horas, por Rita Caré (2001)

 

Entretanto a veia de bióloga pulsava, apesar de mais discretamente. Recordava os tempos da faculdade em que os biólogos, de mochila às costas e caneta na mão, desenhavam os seres vivos que observavam em cadernos, a que chamavam ‘diários de campo’. Foi numa das muitas pesquisas na internet que tropeçou no website “Diários Gráficos” de Eduardo Salavisa. São cadernos em que o autor desenha aspetos do seu dia. Daí até ao envolvimento com os Urban Sketchers Portugal foi o tempo de um rabisco. Começou a ir aos eventos em 2009, muito timidamente. Mas a entrada nos Urban Sketchers não lhe trouxe só cadernos cheios de memórias. Ajudou Rita a conviver e a integrar-se. “Tenho um lado introvertido e sou tímida. O desenho é uma forma incrível de as pessoas socializarem. Esse é o fator mais importante, do meu ponto de vista, para o sucesso mundial dos Urban Sketchers. Há grupos em todos os continentes. Desenham à chuva, sob neve, com 10 graus negativos e com 47 graus na Amareleja, no Alentejo”, diz Rita.

É no ambiente propício do silêncio partilhado, enquanto desenham, que nascem algumas das suas amizades. Nos encontros de urban sketching, muitos dos quais organizados pela própria Rita, para se obrigar a sair de casa e a socializar, ela está “sempre atenta, rabiscando, mas a prioridade é a conversa e a comunicação com os outros”, conta Teresa Ogando, amiga Urban Sketcher. De facto, Rita admite que, às vezes, os encontros para desenhar se tornam em conversas em que os participantes acabam por desenhar pouquíssimo, mas convivem alegremente. “Uma das coisas que eu gosto muito dos encontros é eu ser a facilitadora, permitir às pessoas reunir à volta do que quer que seja com muito significado, como é o desenho”, diz Rita. A paixão dela pelo desenho e a necessidade de se expor à comunicação direta ao outro, levou-a a organizar workshops e formações, onde partilha “das coisas mais fascinantes” que lhe aconteceram: aprender a desenhar e a pintar. Os amigos descrevem-na como uma pessoa criativa, dinâmica e geradora de boas energias. Marilisa Mesquita, Urban Sketcher, recorda um episódio que aconteceu ao sair de um workshop de Rita: “Chegámos à rua e estava sol (o dia talvez tenha começado nublado) e ela ficou feliz da vida, não se calava e estava cheia de energia! Acabou por comprar um guarda-chuva com as cores do arco-íris e usa-o até agora. Acho que combina perfeitamente com a personalidade dela!”.

Rita Caré por Marilisa Mesquita - 5fev2017
Rita Caré desenhada por Marilisa Mesquita (Fevereiro 2017)

 

O arco-íris do guarda-chuva de Rita combina com as páginas dos cadernos que leva na mochila para quase todo o lado. Tem cadernos quadrangulares, circulares, do tamanho de um dedo ou em formato A4. Usa lápis de cor, canetas de bico fino, canetas-de-feltro infantis e profissionais, pinceis e caixa de aguarelas. Algumas páginas têm pequenos balões de fala com discursos que vai ouvindo enquanto desenha, carimbos ou bilhetes colados. Desenha tostas de presunto, máquinas de escrever, pessoas felizes e tristes, vestidos coloridos, prédios cinzentos. “A Rita torna tudo mais estético, colorido. E não há preço que pague termos mais Vida com mais cor”, diz Susana Araújo. Para quem o mundo é uma janela aberta para a beleza e para o conhecimento, a inspiração de Rita não tem limites. “Acho que não vou perder a vontade de participar e organizar atividades de urban sketching enquanto as pessoas à minha volta quiserem ir comigo”, reflete Rita. “E eu quiser estar com elas”.

É também através dos desenhos que chega mais perto das pessoas, com a sensibilidade que é uma das características que mais lhe atribuem. “Acho que o mais característico dela é a sua sensibilidade, sem dúvida. Que pode fazer com que ela se sinta facilmente magoada, mas também lhe permite dar muito mais de si”, reflete João André Banha Oliveira, amigo de infância. Maria Vlachou ainda hoje se recorda de uma situação em particular: “Recebi pelo correio um envelope manuscrito, com selo, e era um postal com um desenho a guache da Rita de um carvalho que sobreviveu aos incêndios, na zona onde vive a sua família. Ela escreveu um textinho atrás com o seu sentido de humor, mas foi muito mais do que sentido de humor. Este seu gesto de ir até aos correios, de pôr um selo e de me enviar, tocou-me profundamente. E não é a primeira vez que a Rita faz isso, ela está sempre a surpreender”.

carvalho
Jovem carvalho pintado em Oliveira do Hospital, por Rita Caré (2017)

 

Existem muitos momentos marcantes na sua vida pintada a cores, mas existem dois especiais, em que alia a sua paixão pela divulgação da ciência, os animais e os museus de ciência ao desenho. O primeiro foi quando criou a sua primeira reportagem gráfica para divulgar um artigo científico que explora a possibilidade de os peixes também precisarem de amigos. “O IGC partilhou a minha imagem no seu Facebook e teve mais de três mil visualizações em poucas horas”, conta Rita entusiasmada.

reportagem grafica
Primeira reportagem gráfica com Ciência: “Os peixes também precisam de amigos“, por Rita Caré (Abril 2017)

 

O segundo momento marcante está relacionado com a sua veia de defensora dos direitos dos animais e da importância dos parques aquáticos e zoológicos que os albergam. Escreveu um sentido texto no seu blog “Papiro Papirus” onde expõe a situação de um leão marinho com cataratas nos olhos e uma tartaruga que viu no Aquário Vasco da Gama. Através da mão de Maria Vlachou, o texto viajou até à direção do museu. Um papel “pequenino”, mas que teve impacto na vida dos animais. Mais tarde, foi informada da libertação da última tartaruga marinha do Aquário Vasco da Gama e organizou um evento de urban sketching para comemorar a sua libertação. Hoje, o momento está eternizado de maneiras diferentes nos cadernos de dezenas de pessoas. E Rita continua a acompanhar online a viagem da tartaruga “Gama”, que atravessa o Oceano Atlântico, tendo passado ao largo dos Açores e percorrido mais de 4600 quilómetros no final de Abril de 2018. Esta viagem pode ser seguida através do Facebook do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM).

Tartaruga Bobo AVascoGama, jan 2017 - Foi libertada e vai a caminho da Flórida Nov 2017 - Desenho por Rita Caré
“Gama”, a Tartaruga-bobo do Aquário Vasco da Gama, por Rita Caré (Janeiro 2017)

 

Vive num equilíbrio entre os traços rígidos da caneta e a aguarela que flui livremente. Faz frequentemente viagens ao passado para se tentar perceber a si própria. Mas quando lhe pedem para se descrever, sente-se um longo silêncio, apenas quebrado com um tímido “Pode ser num desenho?”

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Desenho feito por Rita Caré quando lhe pedi que se descrevesse (Novembro 2017)

 

* Carolina Lobão Figueira

Carolina Lobão Figueira é a Autora deste artigo, conhecido no Jornalismo por “Perfil”. É Biotecnóloga, com mestrado nessa área. Sendo super-motivada para comunicar e aproximar os cientistas das pessoas não-cientistas, irá em breve iniciar a segunda fase de um mestrado de Comunicação de Ciência, o mesmo que eu própria finalizei em 2016. Carolina tem uma paixão por ler, por aprender e por partilhar o funcionamento da Vida e do Universo, clarificando as formas de produzir o conhecimento científico. É voluntária do projecto PubhD que promove conversas em bares sobre investigação académica.

 

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Carolina Lobão Figueira por Rita Caré (Novembro 2017)

 

Carolina foi quase de certeza uma das raras visitantes que explorou este blog de “fio a pavio”. Percebi isso ao longo da surpreendente entrevista que me fez. Está aqui representada por mim, embora esteja muito pouco parecida… ficou bastante desfavorecida… Desenhei este rabisco quando fomos beber um café depois da dita entrevista. Nesse momento fui eu que tive oportunidade de descobrir um pouco mais sobre ela e os seus sonhos…

 

Reportagem Desenhada | Prémio Acesso Cultura Linguagem Simples para o Museu da Presidência

Reportagem desenhada da entrega do Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples por Rita Caré
Reportagem desenhada da entrega do Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples por Rita Caré

Reportagem Desenhada

Prémio Linguagem Simples para o Museu da Presidência

No dia 13 de Março de 2018, o Museu da Presidência recebeu o Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples numa cerimónia realizada no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. A Acesso Cultura entregou ainda uma Menção Honrosa à empresa Formas Efémeras.  “Foi uma cerimónia curta, bonita, emotiva”, lê-se numa publicação do Facebook da associação.

O texto introdutório da exposição “Boa Viagem, Senhor Presidente! De Lisboa até à Guerra. 100 anos da primeira visita de Estado” foi o escolhido pelos jurados, composto por Cristina Nobre Soares, Hugo Sousa e Rita Tomás. Segundo o júri, citado em COMUNICADO da Acesso Cultura, “De entre os vários textos que podemos encontrar numa exposição, é ao texto do painel de introdução que cabe, em primeira mão, a responsabilidade de influenciar a experiência da visita. É ao depararem-se com este texto que os visitantes se interrogam: “O que vou ver? Porque é que me querem mostrá-lo? O texto vencedor do Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples 2018 não deixa margem para dúvidas quanto ao que vai ser visto e ao porquê do tema escolhido.”. Os textos premiados e a justificação sobre a sua escolha estão disponíveis para CONSULTA.

Sobre a relevância deste prémio no contexto da Acessibilidade em Portugal, Maria Vlachou, directora executiva da Acesso Cultura, explicou tratar-se “de um prémio de reconhecimento, um reconhecimento de quem se esforça para contrariar a forma habitual de fazer as coisas (aquela que todos conhecemos e que nos deixa confortáveis) e de tentar enfrentar aquela que todos reconhecemos como uma barreira: a linguagem que usamos para comunicar com o público em geral, com pessoas que não sabem o que nós sabemos. No entanto, a distância é grande entre a teoria e a prática. Reconhecer não é fazer… E enquanto somos todos capazes de identificar os erros de outros, quando se trata de nós, temos medo de arriscar a ser claros, de repente a comunicação clara parece ficar equiparada a uma forma simplista ou infantilizada de comunicar. Sempre no nosso caso, nunca no dos outros.”.

1ª Reportagem Gráfica com Ciência | Peixes também precisam de amigos!

1ª Reportagem Gráfica com Ciência
Os Peixes também precisam de amigos!

Ler Comunicado do IGC – PT Read IGC Press Release – ENG

Equipa de cientistas do Instituto Gulbenkian de Ciência, do ISPA – Instituto Universitário, e da Fundação Champalimaud, demonstraram que os peixes-zebra precisam de suporte social para ultrapassarem situações adversas. Ou seja, os peixes-zebra precisam de amigos para viverem a vida com maior qualidade quando se vêem perante alguma ameaça.

Esta investigação sugere que a espécie de peixe-zebra é assim um modelo biológico de eleição para estudar comportamentos sociais e os mecanismos neurais subjacentes.

Ana Faustino explicou que “Apesar do comportamento de suporte social do peixe-zebra não ter a complexidade do suporte social verificado em humanos, a investigação em peixe-zebra vai permitir-nos explorar em profundidade os mecanismos neurais envolvidos neste comportamento social tão central para o bem-estar e saúde mental humana, nomeadamente pela relevância que assume em determinadas doenças psicológicas, como é o caso da depressão”.

O artigo científico no qual este tema foi explorado está publicado na revista Scientific Reports.

Ler o comunicado de imprensa completo do IGC em Português.
Read the full version of IGC press release in English.

Reflexão / Auto-crítica:

  • Esta reportagem não demorou muito tempo a criar, porque o comunicado do IGC explica muito bem os pontos chave relacionados com a investigação, o que permitiu que a estrutura desta reportagem seja bastante simples.
  • Inspirei-me nos peixes da aguarela publicada com o comunicado, que é belissima.
  • Preciso de continuar a praticar, a praticar, a praticar a escrita à mão, que no tablet ainda é um desafio maior.
  • Estou muito feliz com esta reportagem gráfica! :D

NOTA ADICIONAL

Esta imagem teve mais de 3000 visualizações na minha Página do Facebook em poucas horas, após o IGC a ter partilhado na sua própria página. Isso foi muito motivador para mim e por isso considero os Rabiscos de Ideias cada vez mais importantes para mim e para quem os pratica e divulga.

Reportagem Gráfica - Os Peixes também precisam de Amigos
Reportagem Gráfica – Os Peixes também precisam de Amigos

Papiro papirus, porque… | Facebook sempre a inventar…

Agora há uma caixinha lateral nas páginas do Facebook, nova, claro! Somos convidados a  preenchê-la… Diz que fica tudo muito mais eficiente, mas o que uma pessoa sente é que o sistema vai de mal a pior…

Mas pensamentos +++ e o lado bom da coisa é que estimulou o exercício de reflexão pela escrita de outra maneira (há sempre muitas) sobre o que é isto do Papiro papirus e do que é que tenho andado para aqui a fazer…

PapiroFacebook

Papiro papirus, porque…
  • Anseio por me tornar melhor contadora de histórias e de ideias com palavras e imagens.
  • Sou comunicadora de cultura e ciência e passo o dia a criar e a gerir a divulgação de conteúdos sobre estes temas.
  • Sou ilustradora sempre que posso ao nivel profissional para complementar a informação que divulgo.
  • Desenho muito, porque o meu corpo e a minha mente precisam. Aprendi a fazê-lo com algumas das pessoas mais marcantes da minha vida. Adoro Ensinar a desenhar sempre que consigo um tempo extra e aparece quem queira vir aprender.

Aviso aos Visitantes | Blog Papiro Gráfico vem para aqui

Há algum tempo comecei a explorar uma “coisa” chamada “Sketchnotes“, que é o mesmo que dizer esquiços de conceitos, pensamento visual ou assim… Gosto de lhes chamar Rabiscos de Ideias. Nessa exploração, criei um outro blog, o Papiro Gráfico – Pensamento Visual | Repórter de Histórias Visuais.

Rita Caré - Ainda não acabei de pensar nisso... 22 Nov 2017

Mas, não me apetece nada ter outro blog para gerir. Também tenho a sensação que isso não faz sentido, porque sou um todo no Desenhar. Desde os 20 ou 21 anos, quando aprendi a desenhar, tenho desenhado menos ou mais, consoante as fases da vida. Adoro desenhar e pintar, explorando muitas técnicas e objectivos diferentes. Também desenho na mente, ou seja, olho para qualquer coisa e penso como a poderia desenhar, mesmo que depois não crie algo visível. Isto tornou-se um vício com o Urban Sketching. Também desenho para pensar. E é aí que entram os rabiscos de ideias.

Pensamento Visual . Reportagem Gráfica| by Rita Caré @ Papiro Gráfico 2017

Assim, tal como o Urban Sketching tomou conta deste blog depois da aguarela em abstracto ter aqui vivido tanto tempo, agora vou incluir os meus Rabiscos de Ideias nesta casa.

Peço desculpa, mas nos próximos tempos irão receber muitos avisos de que foi publicado aqui um post  que talvez já conheçam e com uma data antiga. É que planeio publicar todos os posts do Papiro Gráfico aqui mesmo, numa secção com este mesmo nome, onde ficarão todos arrumados,  nesta que é a minha casa online há mais anos. Há quase 11. O tempo deste blog passou como o tempo do desenhar, quase que não dei por tantas horas, meses, anos aqui metida.

Não é só o desenhar. Sou blogger de Alma. Podem não saber disso, pode não vos parecer, mas escrever é para mim ainda mais importante do que desenhar. Sou teclado-dependente. As histórias são o mais importante. Todos os desenhos têm uma história para contar, mesmo que nunca venha a ser conhecida publicamente. Reescrevê-las 20 vezes antes de clicar no “publicar” ou mais ainda, ou já depois de publicadas e muito divertido e o mais importante me tornar mais Clara, a mais dificil de todas as tarefas.

Para seguir os Rabiscos de Ideias aqui cliquem no link do projecto Papiro Gráfico

Rabiscos de Ideias | Luis Ruiz Padrón sobre Desenhar

O Urban Sketcher Espanhol Luis Ruiz Padrón fez a comunicação “Desenhando a Cidade”, em Novembro passado, na Fundação Arpad Szene Vieira da Silva (FASV).

Aqui ficam os rabiscos de ideias que virão também a ser publicados no meu outro blog, há tempo demais ao abandono.

Cada vez gosto mais de concretizar este tipo de desenho de ideias :)

Rabiscos de Ideias (Sketch Notes) da comunicação "Desenhando a Cidade", Luiz Ruiz Padrón
Rabiscos de Ideias (Sketch Notes) da comunicação “Desenhando a Cidade”, Luis Ruiz Padrón
Rabiscos de Ideias (Sketch Notes) da comunicação "Desenhando a Cidade", Luis Ruiz Padrón
Rabiscos de Ideias (Sketch Notes) da comunicação “Desenhando a Cidade”, Luis Ruiz Padrón
Rabiscos de Ideias (Sketch Notes) da comunicação "Desenhando a Cidade", Luiz Ruiz Padrón
Rabiscos de Ideias (Sketch Notes) da comunicação “Desenhando a Cidade”, Luis Ruiz Padrón

#SNDay2018 Celebration| SketchNotes changed my Life + My 1st Sketchnotes

Following along the celebration of the World Sketchnote Day 2018, I come to tell you about my story with this special kind of sketches.

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Almost one year ago (somewhere in the end of January 2017), I discovered Doug Neill‘s videos, ebooks, other sources and his projects. That moment changed my life. In the first days of February 2017, I became her student in his school Verbal to Visual.

In the last year,   I did not take visual notes so much as I  wished for, but I’m on my way to improve to sketch notes better and faster and to think better and clearly during my practice. Many additional important moments happened since then:

  • I watched all the free videos of Doug Neill at Verbal to Visual and participated in his online forum/classes and did 3 of his courses;
  • I met ScienceSketcher, a researcher that does sketch noting scientific meetings and that works in the same building where I daily work. Can you imagine this? So Incredible!
  • I listened to all the SketchNote Army´s podcasts;
  • I got the Doodle Revolution book of Sunni Brown – I did not finish it yet…;
  • I did my 1st Science Graphic Recording with more than 3000 views in a few hours on Facebook;
  • I joined the activities, organized by Makayla Lewis – SN_Hangout and SN_Challenge.
  • I sketchnoted along with Sue Pillans and my sketchnotes were shared a lot on Twitter.
  • I participated as an author in some new resources, organized by Makayla Lewis for Sketchnote Hangout!
  • I got new online friends!
  • Even if  I used to do a lots of sketching, because I’m an urban sketcher since 2009 (doing a lots of sketches and organizing meetings), I found a new sense of purpose on learning something new after my master thesis was finished and, also, in a moment that I was feeling myself lost and in a deep need of learning something new.

Now, I share a photo of myself with My 1st Sketch Notes done along with Doug Neill (my mother was the photographer).

RitaCare - 1stSN-jan2017-WSN2018-11jan2018-EyeContact
1st page of my 1st Sketch Notes | Never Afraid to Fail!

Participação em projecto Sketchnoting in Therapy #Sketchnote4Good

#Sketchnote4Goodv

Participei com Rabiscos de Ideias no guia de dicas sobre #RabiscarIdeias em Terapia para a Child and Adolescent Mental Health (Austrália).

Icon & Sketchnote Challenge October 2017 Edition ‘Sketchnoting in Therapy’ #Sketchnote4Good

Conteúdos:

  • Pag. 1 Child and Adolescent Mental Health icons
  • Pag. 2 ‘Enjoy a mindful practice’ sketchnote exercise
  • Pag. 3 Tips for using SNchallenge in therapy and three examples of completed page 1 icons

Este guia faz parte do projecto Sketchnote Hangout, coordenado pela Makayla Lewis

Download do guia do mês de Outubro de 2017
Este guia específico é GRATUITO

Novo Logo | Define-te Rita… – Prefiro desenhar-me…

Logo – Papiro Gráfico | Ainda não acabei de pensar nisso…

Fui entrevistada por uma aluna do Mestrado de Comunicação de Ciência, para a disciplina de Jornalismo de Ciência e Tecnologia. A Carolina Figueira tem que escrever o meu perfil. Estivemos bastante tempo à conversa sobre o meu passado, o que tenho feito na Vida por aí. Ela vai falar com algumas pessoas muito importantes da minha vida pessoal e profissional para compor o seu trabalho.

Durante a entrevista, a Carolina pediu-me para eu me definir. Respondi-lhe que preferia desenhar-me! Fiz um desenho muito à pressa e muito feio no caderno dela. Vim para casa pensar nisso e hoje de manhã criei este desenho digital que é o novo logo para o meu novo projecto Papiro Gráfico – Pensamento Visual de Ideias, que tem andado ainda mais quieto do que o Papiro papirus , mas isso vai mudar em breve.

NOTA – Este texto foi publicado em 11 de Janeiro de 2018, Dia Mundial dos Rabiscos de Ideias (World SketchNote Day), apesar de ter sido publicado em 27 de Novembro de 2017.

Reportagem Gráfica com Sue Pillans sobre Rabiscos de Ideias com Ciência

Rita Care - SN_Hangout w Sue Pillans 25jun2017 (2) - 1200
Sketchnote Hangout com Sue Pillans | 1 de 2

Este Sketchnote Hangout com a Sue Pillans, conhecida também por Dr. Suzie Starfish, foi um bocadinho complicado de assistir, porque não estava na serinidade do lar – Não podia perder um SN Hangout sobre ciência! Depois de ver as reportagens de outros participantes até acho que consegui captar muita informação.

Esta é a 3ª versão e talvez venha a haver uma 4ª versão melhorada para três páginas ou para uma página A3. Continuo a dizer que quando conseguir à 2ª versão faço uma festa de rabiscos!!

Rita Care - SN_Hangout w Sue Pillans 25jun2017 (1) - 1200
Sketchnote Hangout com Sue Pillans | 2 de 2

Reflexão / Auto-crítica:

  • Esta 3ª versão não é muito diferente da segunda, tal como aconteceu nas experiências anteriores. Consegui mais espeços em branco na primeira página e na metade esquerda da segunda.
  • O layout da 2ª página tem os textos um pouco encavalitados, mas acho que melhorei muito, sobretudo porque agora sinto que sei escolher melhor que marcadores usar para este tamanho de páginas (A5) e também consigo criar tipos de letras diferentes. Tenho mesmo de me mentalizar que devo usar uma régua para que os textos fiquem direitos.
  • Tenho também de melhorar na função de cada tipo de letra e na função de cada uma das 3 ou 4 cores a usar.
  • Talvez venha a haver uma 4ª versão utilizando A3 e marcadores em vez de canetas, uma estrutura melhorada com mais brancos, mais ícons e menos texto.

Vídeo | Desenhemos! Para comunicar, educar/aprender e ter saúde

Neste vídeo o cartoonista Jorge Arranz encoraja-nos a desenhar mesmo que não sejamos necessariamente artistas. Explica porque devemos ser educados a desenhar, tal como a falar e a escrever. E anda defende que o desenho faz bem à saúde e ajuda a recuperá-la.

VALORES DO DESENHO

1 – Comunicar
2 – Educar / Aprender
3 – Terapia / Melhorar a saúde

Em modo “medíocre” explicado tim-tim por tim-tim…

O Doug Neill publicou hoje um post sobre o sentimento de mediocricidade e o real sentido da palavra. Vamos a meio do caminho, portanto… quer dizer o meu caminho é muito mais que meio.

Identifico-me muito com o tema explorado. No meu caso tenho andado a sentir-me desmotivada e sem energia para dar continuidade aos meus projectos.

No meio do caminho encontramo-nos com muitas dificuldades, algumas delas têm a ver com uma auto-sabotagem que leva à procrastinação… Quem deseja que os dias tenham grande significado prático candidata-se a deparar-se com esta “Mediocricidade” que o Doug explora a partir do livro do Todd Henry “Die Empty”.

Estão a ver aquele poema do Fernando Pessoa, “Pedras no Caminho”…? Era bem rabiscado a propósito de construir castelos, os nossos… Perder-nos do caminho e do caminhar faz parte do ir e do aprender construindo.

Reportagem Gráfica | Conversas sobre o Indizível nos Museus

Conversas sobre o Indizível nos Museus | Reportagem Desenhada por Rita Caré
Conversas sobre o Indizível nos Museus | Reportagem Desenhada por Rita Caré
Conversas sobre o Indizível nos Museus | Reportagem Desenhada por Rita Caré
Conversas sobre o Indizível nos Museus | Reportagem Desenhada por Rita Caré
Conversas sobre o Indizível nos Museus | Reportagem Desenhada por Rita Caré
Conversas sobre o Indizível nos Museus | Reportagem Desenhada por Rita Caré
Conversas sobre o Indizível nos Museus | Reportagem Desenhada por Rita Caré
Conversas sobre o Indizível nos Museus | Reportagem Desenhada por Rita Caré
Conversas sobre o Indizível nos Museus | Reportagem Desenhada por Rita Caré
Conversas sobre o Indizível nos Museus | Reportagem Desenhada por Rita Caré
Conversas sobre o Indizível nos Museus | Reportagem Desenhada por Rita Caré
Conversas sobre o Indizível nos Museus | Reportagem Desenhada por Rita Caré

Clicar nas imagens

Reportagem Desenhada Conversas sobre o Indizível nos Museus | Publicado em XZibit Art |

Como se diz o indizível nas exposições e nas colecções de museus? Que histórias são essas? O que fica por dizer? Pode-se ou deve-se dizer tudo sobre um objecto ou sobre uma personalidade histórica? Que abordagens são utilizadas para contar o indizível? Estas eram algumas das questões que pairavam no início dmais recente debate da Acesso Cultura, organizado no Museu do Dinheiro, no passado dia 18 de Abril de 2017.

A Acesso Cultura quis assim lançar a reflexão sobre o tema escolhido para o Dia Internacional dos Museus a celebrar-se um mês depois, em 18 de Maio: “Museus e histórias contestadas: dizer o indizível em museus”.

Ao longo da conversa, animada e em tom informal, participaram convidados de alguns museus Portugueses: Clara Vaz Pinto e Xénia Ribeiro do Museu Nacional do Traje; José Pedro Sousa Dias do Museu Nacional de História Natural e de Ciência; Luís Farinha do Museu do Aljube; Maria José Machado Santos e Marta Guerreiro do Museu da Marioneta; e Sara Barriga do Museu do Dinheiro. O debate foi moderado por Ana Rita Canavarro, Museóloga.

Luís Farinha destacou que o indizível no Museu do Aljube – Resistência e Liberdade é, por exemplo, o silenciamento e o secretismo das histórias de humilhação, clandestinas e abstractas de presos políticos da época da Ditadura Salazarista e que ainda estão vivas. Neste museu o indizível é explorado, por exemplo, através de conversas e visitas guiadas.

No Museu da Marioneta existe uma grande dificuldade em expor os objectos, pois as marionetas são construídas para serem utilizadas por actores facilitadores dos seus movimentos e em contexto de peças de teatro ou performances, explicou Marta Guerreiro. Expor uma marioneta pode ser visto como um contra-senso em relação à sua natureza, não devendo ser exposta como um ser inanimado.

Indizível é também a dificuldade dos museus em comunicar com os visitantes em exposições sobre temas científicos, chamou a atenção José Pedro Dias. Ainda neste contexto, Luís Farinha destacou a dificuldade em fazer compreender aos visitantes a violência física e emocional sentida pelos presos políticos.

Alguns dos convidados defenderam a necessidade dos museus tomarem uma posição, ou seja, de não serem neutros em relação a temas específicos, e também de criarem desconforto nos visitantes, abordando memórias e conflitos dolorosos. Consideraram ainda que os museus podem contribuir para a compreensão mútua e para a reconciliação, mesmo que não criem consensos.

Questionada sobre qual a relevância de “dizer o indizível” do ponto de vista da Acesso Cultura, Maria Vlachou (Directora Executiva) destacou que “É mesmo uma questão de relevância: a relevância dos museus para as pessoas. Cada história que não se diz é uma pessoa a quem não é dado reconhecimento. Esta questão do indizível diz respeito a vários aspectos do trabalho dos museus: às suas colecções, ao que lá está e não está, ao que se mostra e não se mostra, à forma como se interpreta cada objecto, ao perigo das “histórias únicas” (no sentido das versões únicas), às relações que se criam ou não se criam com as pessoas, ao seu envolvimento ou à sua exclusão.”.

A Acesso Cultura é uma associação sem fins lucrativos que tem como missão a melhoria das condições de acesso – físico, social, intelectual – aos espaços culturais e à oferta cultural. Maria Vlachou acrescentou ainda: “Não há condições de criar acesso se não se procura ser relevante na vida das pessoas. Se não se for relevante, podemos muito bem perguntar: Acesso a quê? Para quê?”.

A sessão foi traduzida em Língua Gestual Portuguesa por Maria José Almeida, com o apoio da Escola Superior de Educação de Setúbal. Desenho e texto: Rita Caré Publicado originalmente em XZibit Art 

NOTA O resumo deste debate, que aconteceu em diferentes cidades em simultâneo, está disponível AQUI