Quando não se é bem-vindo fica-se muito bem na rua em Belém

Sonhei com desenhos das lâmpadas em exposição no antigo Museu da Electricidade durante três ou quatro semanas e em desenhar o primeiro carro eléctrico em Portugal.

Mas isso não aconteceu, porque quando uma pessoa não se sente bem-vinda não deve ter problemas em “dar de frosques”. Ai não me deixam entrar com o banquinho dos rabiscos? Então, adeus!

Sobraram os pensamentos positivos, os riscos sorridentes e tagarelas. Não digam a ninguém, mas a falta dos cabos na Ponte 25 de Abril não foi obviamente de propósito ;-)


A passagem sucessiva de barcos à vela mesmo à nossa frente foi mote para desenho cego e de linha contínua. Um exercício muito livre, sempre com resultados agradavelmente surpreendentes.

E assim foi no último encontro dos FotoSketchers 2 Linhas no agora MAAT, que já foi o antigo Museu da Electricidade. Tiram-lhe o nome, adicionaram 5 euros à antiga exposição permanente (antigamente gratuita), na qual já não podemos entrar com a nossa mochila, nem de banquinho de rabiscos. Com tanta “fofura”, fiquei cá fora e muito melhor, porque me constou que lá dentro estava abafado. A EDP deve ter dificuldades em pagar a conta da electricidade, por isso nada de colocar ar condicionado. Deve ser para que os visitantes não fiquem lá dentro muito tempo no Verão…

Só me apetece dizer cenas que podem mesmo ser disparates e má língua, mas não consigo esperar coisas muito boas de um museu que se fez inaugurar e reinaugurar várias vezes… Se fizesse com que os visitantes se sentissem abraçados e bem-vindos, não precisariam de reinaugurações.

Nem sequer nos levantámos para ir ver a cara do edifício novo que parece a boca de tubarão… Não nos fez falta nenhuma.

Pronto, pronto, já passou… Mas não me apanham por aquelas bandas enquanto me lembrar disto que aconteceu.

No Museu do Ar a pairar…

Clicar nas imagens para ver maior

Tenho a impressão que a última vez que me senti emocionada assim, ao entrar num Museu, foi no Aquário Vasco da Gama, em 2016, onde não entrava há muitos anos. Emocionei-me … O Museu do Ar, no seu polo de Sintra, é um lugar cheio de ar em redor, no meio do campo. Adorei o logótipo no edifício. Depois dos modelinhos minúsculos, o que se vê é a Máquina Voadora de Da Vinci, os primeiros aviões – Lindos! – e um tecto alto cheio de ar.

Réplica de Máquina Voadora de Da Vinci . Museu do Ar

Talvez me tenha deixado arrebatar assim, porque na véspera da visita tive uma neura terrível (só explicável pelo teor de algumas conversas e de me ter deixado mergulhar numa crise pré-final das férias…). Enfim, que desperdício… ou que faz parte.

Instalação – Voo de João Torto, 1540

João Torto, enfermeiro, fez a primeira tentativa documentada para… voar da Sé de Viseu abaixo… Foi em 1540. Se calhar atirou-se com ajuda de “cenas” delirantes da sua “farmácia” ambulante. Aterrou de pé num telhado qualquer e de seguida fez o seu último voo direitinho para o Céu…

Réplica de 14 bis . Santos Dumont, 1906

Ainda estava nos feitos de Santos Dumont e fiquei sem bateria no telemóvel à terceira foto… Pânico! … Hummm… Após aquela reacção “sem pés-nem-cabeça” do tipo “que horror, estou despida!”, decidi que… “bem, afinal vim para DESENHAR!” =)

Passeei por ali adentro, ao lado e por baixo daqueles enormes e maravilhosos aviões e helicópteros. Passado poucos minutos dei com um grupo de turistas Brasileiros adultos =) a brincar de braços abertos a esvoaçar junto ao belo helicóptero de busca e salvamento, que actuou nos Açores em 1950-62. Entrei dentro de aviões (ou parte deles) até ao cockpit. Entretanto, parecia que estava num filme ao ouvir duas passagens de um avião real a voar: zzzzzzzzuuuuuuuuuuuuummm
zzzzzzzzzzzZZZZZZZZZZZZZZuuuuuuuuuuuuummmMMMMMMmmmm
O som parecia ser de um daqueles aviões com hélice à frente. Pelo menos foi o que o imaginei. Até o chão estremeceu.

Deixei-me invadir pela nostalgia nas exposições da TAP e da ANA, por causa de um workshop de rabiscos que organizei há uns anos no Museu do Design e da Moda, exactamente sobre os mesmos temas muito estéticos.
O primeiro simulador de voo Português parece um brinquedo para miúdos pequenos. Muito fofo!

No último hangar, dois aspectos chamaram o meu prolongado olhar:
– Pendurados estão muitos modelos a pairar! Senti-me verdadeiramente puxada a levantar voo para o tecto!
– Na entrada, está o avião do Comandante António Faria e Mello que se deslocava em cadeira de rodas. Fiquei muito impressionada… porque o piloto Português deu duas vezes a volta ao mundo em monomotor.

Quem é que não gosta de um espaço com um wc que cheira bem e que é amigo de pessoas baixinhas (nem só as crianças são baixinhas, há adultos também mínimos!)?

Com espanto e há uns dias descobri que o Museu está apetrechado com uma plataforma de visita áudio-guiada através de uma plataforma digital, ou seja uma app, que pode ser instalada gratuitamente nos nossos telemóveis para que possamos ouvir contar as histórias sobre cada um daqueles maravilhosos objectos. Confesso que ainda não experimentei, mas haveremos de lá chegar.

Legenda do 14 bis . Clicar para ler

As legendas não têm texto justificado à esquerda. E então? Paciência. São inclinadas para ajudar a leitura de pé, curtas e claras e foram simpaticamente impressas a branco com fundo escuro – muito adequado para um sítio com tanta luz natural. São fáceis de ler a uma boa distância. São fáceis de compreender!

Para ser um “museu de Pantufas“, precisava de ter uns sítios para as pessoas se sentarem aqui e ali a descansar as pernas, apreciando em simultâneo tamanhas Obras da Arte, da Ciência e da Tecnologia. Não são outra coisa, estas Máquinas Voadoras.

Sem espanto, entretanto, descobri que o Museu do Ar (Polos de Pêro Pinheiro – Sintra, de Alverca – Vila Franca de Xira e de Ovar) foi considerado o museu do ano 2013 pela Associação Portuguesa de Museus, foi escolhido em 2017 como o 5º melhor museu Português pelos utilizadores TripAdviser e está no Top 20 dos melhores museus do mundo no tema da aviação.

Porque nunca lá tinha ido?! Este é um Museu lindo, abraçado (não se incomodaram com o meu banquinho e com o meu estendal para rabiscos), Acessível e é mesmo para Pessoas variadas! <3
Em breve, o grupo FotoSketchers 2 Linhas irá organizar um encontro lá mesmo!! Vamos?

P.S. para nerds: Tese de Mestrado “Museu do Ar : contributo para um modelo de gestão e programação” (a explorar em breve…)

Rabisco do Piquenique no Campo Grande

Os FotoSketchers 2 Linhas organizaram um piquenique no Campo Grande, por entre duas das vias de trânsito mais ocupadas da cidade. Mesmo no fim-de-semana passam muitos carros, mas ouvem-se lá ao longe. Na última remodelação dos jardins foram criadas elevações nos relvados. Junto ao antigo edifício do Caleidoscópio e a cidade parece distante.

Conversou-se muito mais do que se rabiscou ou fotografou, mas esse é mesmo o espirito do grupo =)

Árvores no Jardim do Campo Grande, Lisboa - by Rita Caré 2019

Ervedal mix com cheiro a Primavera

Ervedal da Beira, Oliveira do Hospital by Rita Caré, 2019
Ervedal da Beira e arredores num dia suave a cheirar a esplendorosa Primavera

Sair de casa, com o sentido pré-definido, mas sem saber exactamente para onde ir. Seguir devagar, observar todos os detalhes que chamam a atenção, geralmente por qualquer estética ou por uma associação emocional, nem sempre explicavéis facilmente. O resultado da viagem é a representação da contemplação reunida numa dupla página única recheada de silêncios preciosos.

Mais pensamentos positivos sobre Viandâncias por aí na última Newsletter.

Gravuras Rupestres em Tanum, Suécia #VirtualJumpSketch

Explorando locais com Gravuras Rupestres classificados como Património Mundial pela UNESCO, descobri as espectaculares Obras de Arte da Idade do Bronze, localizadas em Tanum. Gostei tanto que passei a ser seguidora apaixonada do Instagram do Museu Vitlycke Museum .

Gravuras Rupestres, Tanum, Suécia by Rita Caré

É assim que dou como terminado o projecto oficial Salto Virtual (#VirtualJumpSketch). Torno-o apenas pessoal para quando estiver com o espírito em condições para viajar pela Internet, caçando este tipo de pérolas do maravilhoso mundo criativo dos Seres Humanos.

Para seguir todos os trabalhos que já foram publicados neste projecto e que serão partilhados por mim e por quem queira, basta explorar o Google, o Instagram, o Facebook e o Twitter com a hashtag #VirtualJumpSketch.

ADIADO – Workshop Carimbos e Rabiscos no Parque Bensaúde, Lisboa

Workshop Carimbos e Rabiscos no Parque Bensaúde

ADIADO POR MOTIVO DE OBRAS NO PARQUE
ATÉ DATA A ANUNCIAR


Parque Bensaúde, Lisboa

Público-alvo:
Adultos e crianças a partir dos 10 anos (acompanhadas por um adulto)

Materiais:
Oferta de um caderno
Carimbos disponibilizados para utilização durante o workshop
Materiais para desenhar e pintar à escolha dos participantes

Objectivos:
. Conhecer e explorar o Parque Bensáude através de exercícios de desenho de observação à vista conjugado com carimbos.
. Fornecer ferramentas para que os participantes adquiram bases para a prática do Urban Sketching.
. Motivar os participantes para a actividade do desenho em grupo ou individualmente.

Nº Participantes
. Nº mínimo: 6
. Nº máximo: 14

Formadoras
. Marilisa Mesquita
marilisamesquita.blogspot.com | marilisahandade.blogspot.com
. Rita Caré
papiropapirus.wordpress.com

Informações detalhadas sobre preços, modo de inscrição e outras são fornecidas exclusivamente por e-mail:
mari_lis00@hotmail.com  |  rita.s.care@gmail.com

Evento no Facebook


Rabisco da Costa da Caparica com vistas para Casa


Isto é um verdadeiro Rabisco. Alguns risquinhos por aqui e por ali com umas cores de canetas infantis. O que interessa é ser feliz com tudo o resto: as pessoas Giras, as ondas… os olhos fechados deitada nas rochas ao sol,
o calor do Inverno.

Aqui o Búgio dos nossos corações, rabiscado de mais um ângulo que acho que ainda não tinha guardado num caderno.

Os edíficios Palmeiras em Oeiras viam-se mesmo bem, porque em dias assim o ar é muito transparente. Ver o meu prédio lá mais atrás foi incrível… Quando me sinto assim aconchegada está na hora de ir embora para ficar com a sensação de que sempre Amei os sítios que escolhi. Já vivi em várias cidades e nunca gostei de habitar nenhum lugar como aqui, mesmo na fronteira Oeiras-Carcavelos, onde fiz o meu Abrigo há mais de 12 anos. É um pouco estranho viver nas Fronteiras e nas Pontes, mas é aí que Sou Eu em todos os sentidos, não é?

Não deve haver nada que faça de tão importante como ser eu própria uma Ponte.

P.S. Talvez seja por isso que gosto tanto de aviõezinhos de papel. 
Eles voam e podem levar mensagens escritas e desenhadas com eles. 

P.S. 2. Pronto, encontrei-me com um delírio e fiz uma ponte com o meu desenho. É isso mesmo que queria quando resolvi vir para aqui postar… Já cumpri o meu Sábado. :)

Sketching Improv, a kind of Theatre play

Well.. well…

I almost do not sketch anymore, but I cannot avoid sketching these amazing guys at the end of the day, once a week, at Instituto Gulbenkian de Ciência.

It’s so hard to draw moving people… it’s so hard to draw quiet people, but I love to do this. They seem to forget that I’m there and they just do their thing, that is to IMPROV!

Para Adopção Responsável | Rabiscos com cães no canil do Seixal

Caes-Croacs-Seixal-L1B_Out2018_Por Rita Care (1)

A L1B em parceria com o Pelouro da Segurança Alimentar e Bem-Estar Animal da Câmara Municipal do Seixal organizaram uma actividade de urban sketching no espaço do canil e gatil municipal e lá fomos rabiscar, em missão, para a promover a adopção responsável.

O Xico morreu com leucemia com menos de 5 anos. Isso aconteceu em 2011 ou 2012. O Xico foi um dos Amores da minha vida e tive um grande desgosto, porque a Vida o levou cedo demais. Estive cerca de 7 anos a viver sem a companhia canina. Essa ausência permitiu-me fazer outras coisas, muitas coisas, muitas… Tantas que não quis ouvir o meu coração a chamar por outro cão. Mas, finalmente na Páscoa de 2018, não pude mais deixar de ouvir. Então, uma semana depois chegou o Tomé. Depois do Tomé veio o Boris, apenas por umas horas, e depois veio o Pipo, que ficou apenas três dias. As histórias do Boris e do Pipo tiveram finais felizes comigo. Imagino que outros Boris, outros Pipos, outras Guidas venham por instantes e lhes dê um feliz destino… O meio coração não poderá mais conseguir não ir buscar uma trela a correr para não os deixar partir sem orientação na vida.

Aprendi as minhas lições… espero. Aprendi que não devo mais viver sem cão e que já não tenho capacidade física, mas sobretudo emocional para educar uma criança canina, como o Pipo. Prefiro adaptar-me as necessidades muito relevantes de um cão de meia idade, que pode trazer muitos problemas emocionais consigo (incluindo agressividade), do que andar a fazer 3 máquinas de roupa por dia, por causa de xixis e cocós pelos tapetes e assim.

Por favor adopte, mas apenas se tiver bem consciente que levará consigo um novo amigo com uma história de vida, que pode ter sido extremamente difícil. Tenha consciência de que custará muitos euros de diversas formas. Por favor, adopte com responsabilidade.  Trate de todas as formalidades legais relacionadas com a adoptação, cuide da alimentação, da saúde e nunca abandone a criatura. Não se esqueça de lhe pôr o chip e da plaquinha metálica na coleira com o nome dele(a) e um, ou mais do que um, nº telemóvel (a plaquinha é uma peça absolutamente fundamental). Não deixe os seus animais caminharem sozinhos na rua.

Apanhe sempre os dejectos pela saúde do seu animal, das crianças e da sua. E porque os passeios são um nojo em Portugal. Cada um tem o seu papel. Cumpra-o!

Tenha muita paciência com os cães seus vizinhos que ladram e uivam com saudades dos donos na sua ausência. Seja muito paciente. Os cães têm emoções, sentimentos e memórias. Cada um é diferente do outro. Todos têm a sua própria personalidade. Não existe um cão igual. Os cães foram criados pelo homem há milhares de anos. Eles foram criados à nossa imagem e semelhança. Olhe bem para a expressão do seu pequeno. É fácil perceber se está, ou não, feliz. Os olhos deles também sorriem :)

Estou perdida de amores pelo Tomé, mas o Xico está sempre comigo. Quase todos os dias me lembro dele. Também me lembro-me muitas vezes do Bartolomeu, do Xanax, do Skakeaspeare, da Guida, da maluca da Rusky (ela roía pedras e mamou no meu cabelo quando a salvei com apenas 20 dias…) e de tantos outros. Ao longo dos últimos 37 anos, partilhei a vida com mais de trinta cães e cadelas, em alguns momentos foram cinco em simultâneo, todos a vivermos no campo, onde cheira a verde e a fumo de lareira. Agora não tenho lareira, mas tenho o Tomé. Deixo o Tomé fazer o que nunca antes deixara, ele dorme comigo na manta dele, em cima do meu edredon, e entra na cozinha. O Tomé é o único verdadeiro cão de guarda que tive. Precisa desesperadamente de me guardar quando estou em casa e então, depois de muitos meses de aprendizagem, eu aprendi que tinha que o deixar estar sempre comigo ao meu lado e a ver-me.

Na CROACS, no Seixal, existe um canil e gatil, no qual existem cães e gatos aguardando uma segunda oportunidade de Vida. Todos os meses existe uma acção de rua, na qual poderá visitar alguns desses animais e conversar com profissionais e voluntários que dão orientações sobre Adoptar de forma responsável.

“Neptuna” no Parque Bensaúde

Rita Caré, Parque BenSaude, Lisboa, Laranjeiras, Escultura, Urban Sketching, Carimbos, Stamps, Drawing, Sketching,

Penso que esta senhora da escultura de Laranjeira Santos, no Parque Bensaúde, nas Laranjeiras-Lisboa, não tem nome, porque “Cabeça de Mulher” não é nome que se dê a uma escultura… Não acham?!

Mas tratei disso já há algum tempo, porque ela é tão desenhável e graficogénica, desenhada por tanta gente, que tinhamos que lhe chamar mais… Podia ser um homem, não é…? Neptuna! Neptuna parece-me o nome adequado.

Sou muito fascinada por esta figura. Às vezes sento-me na esplanada do bar de costas para ela para não me desconcentrar.

Reparem no carimbo de mim produzido pela Marilisa Mesquita (também Aqui) a partir de um desenho da Mónia Abreu.

 

P.S. “Neptuna” é um nome maravilhoso para dar a uma gata… Mas eu não tenho gatas, só tenho cães :)