Rabiscos com Karina Kushnir

A Karina Kushnir, do Rio de Janeiro (Brasil), é Professora de Antropologia Cultural e de Antropologia Visual – imaginem… esta disciplina existe mesmo! :) – , é Urban Sketcher e autora de um blog recheado de textos e desenhos Super!

A partilha da Karina no seu blog tem sido importante para mim ao longo dos anos pois, para além dos seus desenhos, ela escreve muito sobre academia e ciência e as dores de habitar nesse mundo [que às vezes parece extra-terrestre…]. Sendo assim, foi com muito entusiasmo que apareci naquele dia de Janeiro deste ano, já há quase 4 meses…

4 MESES?!? Onde é que andaram estes desenhos?! Pois… Não gostei particularmente dos desenhos que fiz e nesse dia tive um “probleminha” quando saí do workshop… Ups… o meu carro foi rebocado porque, com todo o meu enorme entusiasmo, estacionei-o em frente a um portão de garagem sem dar por nada… cabeças no ar e um grave rombo na carteira e nos nervos.

Bom, apesar de toda a confusão ainda fui ao seu seminário a meio da tarde! Foi uma das melhoras aulas à qual assisti na vida! É que tudo bem argumentado com entusiasmo e emoção é a minha “cena” nerd. Sobre essa aula hei-de voltar, após a Karina publicar mais informação sobre a sua viagem a Lisboa. Quero fazer a minha reflexão sobre o que ela abordou depois de ela própria o fazer.

As propostas incluiam três desenhos, mas não estava para aí virada e só fiz dois durante a manhã. A sua produção foi concretizada a partir da ideia de que, do ponto de vista Antropológico, os objectos existem num contexto social, enquadrados num Tempo, num Espaço e  nas relações sociais existentes.

Rita Care - Com Karina Kushnir - Casa Vieira-Silva - 2017 (1) - 1024
1ª Proposta – O Tempo

Primeiro o Tempo, num registo de temporalidade do lugar a explorar (data, estações do ano, objectos e coisas que representem o efémero ou o eterno/permanente,…). Depois as Relações Sociais, num registo da representação do que está vivo, se mexe, como o movimento das pessoas, animais, plantas, carros… Por último, que não cumpri…, foi a vez do Espaço, num registo de ampliação do local criando, por exemplo, um mapa do lugar explorado.

Rita Care - Com Karina Kushnir - Casa Vieira-Silva - 2017 (2) - 1024
2ª Proposta – O Movimento

Antes do seminário da tarde, sentei-me no café da Fundação Arpad Szene – Vieira da Silva com os olhos vidrados nos azulejos e nuns objectos antigos por baixo da janela…

Rita Care - Com Karina Kushnir - Casa Vieira-Silva - 2017 (3) - 1024
Pérolas do bar da Fundação Arpad Szene – Vieira da Silva

Sobre o seminário, voltarei em breve…

Reportagem Desenhada | Conversas sobre o Indizível nos Museus

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Reportagem Desenhada
Conversas sobre o Indizível nos Museus
| Publicado em XZibit Art |

Como se diz o indizível nas exposições e nas colecções de museus? Que histórias são essas? O que fica por dizer? Pode-se ou deve-se dizer tudo sobre um objecto ou sobre uma personalidade histórica? Que abordagens são utilizadas para contar o indizível? Estas eram algumas das questões que pairavam no início dmais recente debate da Acesso Cultura, organizado no Museu do Dinheiro, no passado dia 18 de Abril de 2017.

A Acesso Cultura quis assim lançar a reflexão sobre o tema escolhido para o Dia Internacional dos Museus a celebrar-se um mês depois, em 18 de Maio: “Museus e histórias contestadas: dizer o indizível em museus”.

Ao longo da conversa, animada e em tom informal, participaram convidados de alguns museus Portugueses: Clara Vaz Pinto e Xénia Ribeiro do Museu Nacional do Traje; José Pedro Sousa Dias do Museu Nacional de História Natural e de Ciência; Luís Farinha do Museu do Aljube; Maria José Machado Santos e Marta Guerreiro do Museu da Marioneta; e Sara Barriga do Museu do Dinheiro. O debate foi moderado por Ana Rita Canavarro, Museóloga.

Luís Farinha destacou que o indizível no Museu do Aljube – Resistência e Liberdade é, por exemplo, o silenciamento e o secretismo das histórias de humilhação, clandestinas e abstractas de presos políticos da época da Ditadura Salazarista e que ainda estão vivas. Neste museu o indizível é explorado, por exemplo, através de conversas e visitas guiadas.

No Museu da Marioneta existe uma grande dificuldade em expor os objectos, pois as marionetas são construídas para serem utilizadas por actores facilitadores dos seus movimentos e em contexto de peças de teatro ou performances, explicou Marta Guerreiro. Expor uma marioneta pode ser visto como um contra-senso em relação à sua natureza, não devendo ser exposta como um ser inanimado.

Indizível é também a dificuldade dos museus em comunicar com os visitantes em exposições sobre temas científicos, chamou a atenção José Pedro Dias. Ainda neste contexto, Luís Farinha destacou a dificuldade em fazer compreender aos visitantes a violência física e emocional sentida pelos presos políticos.

Alguns dos convidados defenderam a necessidade dos museus tomarem uma posição, ou seja, de não serem neutros em relação a temas específicos, e também de criarem desconforto nos visitantes, abordando memórias e conflitos dolorosos. Consideraram ainda que os museus podem contribuir para a compreensão mútua e para a reconciliação, mesmo que não criem consensos.

Questionada sobre qual a relevância de “dizer o indizível” do ponto de vista da Acesso Cultura, Maria Vlachou (Directora Executiva) destacou que “É mesmo uma questão de relevância: a relevância dos museus para as pessoas. Cada história que não se diz é uma pessoa a quem não é dado reconhecimento. Esta questão do indizível diz respeito a vários aspectos do trabalho dos museus: às suas colecções, ao que lá está e não está, ao que se mostra e não se mostra, à forma como se interpreta cada objecto, ao perigo das “histórias únicas” (no sentido das versões únicas), às relações que se criam ou não se criam com as pessoas, ao seu envolvimento ou à sua exclusão.”.

A Acesso Cultura é uma associação sem fins lucrativos que tem como missão a melhoria das condições de acesso – físico, social, intelectual – aos espaços culturais e à oferta cultural. Maria Vlachou acrescentou ainda: “Não há condições de criar acesso se não se procura ser relevante na vida das pessoas. Se não se for relevante, podemos muito bem perguntar: Acesso a quê? Para quê?”

A sessão foi traduzida em Língua Gestual Portuguesa por Maria José Almeida, com o apoio da Escola Superior de Educação de Setúbal.

Desenho e texto: Rita Caré
NOTA
O resumo deste debate,
que aconteceu em diferentes cidades em simultâneo,
está disponível AQUI

Notícias da Varanda… da Costa da Caparica

No contexto dos acontecimentos da semana passada, homenageámos a Maria Celeste de diferentes formas, como pudemos, soubemos, sentimos… No último fim-de-semana passei uma tarde muito especial com a Marilisa e outra tarde muito especial com a Manuela e com o César, sempre com tantos outros sketchers no pensamento (organizou-se uma exposição em Óbidos com desenhos da João do Rio e publicou-se um texto na newsletter dos Urban Sketchers Portugal), todos grandes companheiros de rabiscos da MC.

Estivemos contigo e tu connosco, Maria Celeste, da forma que sabemos que adoras: comemos bem, brindámos, desenhámos “notícias da varanda”, da sala e da varanda com vista para a arriba da Costa da Caparica… e dissemos muitos disparates, coerentes com a tua boa disposição e forma de saboreares a vida!

Noticias da Varanda da Costa da Caparica - Maio 2017 (2) - 1024

Noticias da Varanda da Costa da Caparica - Maio 2017 (1) - 1024.JPG

Texto de homenagem
na newsletter dos Urban Sketchers Portugal:
Maria Celeste: Vens à João do Rio

Vitrais de Almada em Campo de Ourique

Este rabisco de uma parte de um dos painéis de Almada Negreiros foi tão breve como a visita que fiz num pulinho ao encontro na Igreja do Santo Contestável, em Campo de Ourique – Lisboa, organizado pela Rosário Félix. É que eu fui mesmo foi para dizer Olá às pessoas giras dos rabiscos! :)

E, claro, ver os trabalhos alheios que até ao momento de me vir embora estavam a ficar fantásticos!

Rita Care - A. Negreiros Igreja Sto. Contestável - Campo Ourique - 1024

Crónica Desenhada | Conversas sobre Panfletária e Liberdade

Crónica Desenhada | Conversas sobre Panfletária e Liberdade por Rita Caré
Conversas sobre Panfletária e Liberdade por Rita Caré (clicar na imagem)

Crónica Desenhada
Conversas sobre Panfletária e Liberdade
| Publicado em XZibit Art |

No final de março, com a aproximação às celebrações do Dia Português da Liberdade, o 25 de abril, a proposta para Desenhar Conversas sobre “A Liberdade e a Arte Panfletária”  soava tentadora.

A Oficina do Desenho – Associação Cultural (OD), em Cascais, convidou Pedro Afonso e Alexandre Bordalo para falarem e refletirem sobre o tema e sobre o seu trabalho, em convívio com os presentes na sessão. Afonso é artista plástico e ilustrador. Bordalo é fotojornalista. As conversas foram moderadas por Rui Aço, artista plástico e Presidente da OD.

“A Liberdade nem sempre é veiculada pela Arte Panfletária!” avisava-nos o anúncio destas conversas. Tem sido usada como meio de comunicação para a denúncia, através da sátira e da ironia, mas também para manipular os povos através de propaganda política e religiosa.

Conversou-se sobre a liberdade, ou não, de expressão e sobre o papel mais ou menos relevante da Arte Panfletária na sociedade ao longo do tempo, desde o século XVIII, através de pintores, poetas, muralistas, arquitetos e outros artistas. Rui Aço lançou o tema através da abordagem à Fábula do Pássaro Bisnau e ao trabalho de diversos autores Portugueses e de outros países. Entre eles, Almada Negreiros, Delacroix, Siqueiros, Zeca Afonso, Ary dos Santos, Sartre, entre outros.

Os convidados e também o moderador têm grande e prolongada experiência profissional e de vida, o que ficou bem vincado pelas opiniões partilhadas e pelas histórias contadas. Pela noite dentro, cada um dos presentes bebeu chá e desenhou em toalhas de papel de mesa, o que lhe ia na alma, fosse abstrato ou realista, tivesse, ou não, a ver com o tema conversado. A Liberdade para Desenhar não tem limites.

“Conversas Desenhadas” é uma proposta bimensal da Oficina do Desenho – Associação Cultural, em Cascais. Aguardemos, pois, pela proposta com que nos brindará em maio de 2017.

Desenho e texto: Rita Caré

“Meu querido Barreiro” com vista do Seixal

Rita Care - Querido Barreiro - Seixal - M.Rolao - Abr2017 - 1024 (5)
Foi uma bela manhã de Primavera no Seixal com vista para o Barreiro com as histórias de urban sketching do Henrique Vogado, desta vez o convidado especial de mais um workshop da Manuela Rolão com a L1B.

Os desafios foram muito interessantes e os desenhos resultaram fantásticos em mais uma animada sessão à beira do Rio Tejo, brindados com a presença de uma elegante Garça-real e de um clima de boa disposição.

 

 

Crónica Desenhada com Jazz de John Coltrane

Crónica Desenhada com Jazz de John Coltrane
| Publicado em XZibit Art |

No mês de Março de 2017, a Oficina do Desenho (OD), em Cascais, organizou várias sessões para desenhar a música.

Às 18h daquela sexta-feira chuvosa, o ambiente era animado com alguns jovens a terminar os seus trabalhos artísticos. Os participantes da Oficina Livre do Laboratório Experimental foram chegando. A música que tocava mudou para o jazz do prometido John Coltrane. Ao longo de três horas ouviu-se, por várias vezes, a música “My Favorite Things”, tocada por Coltrane pela primeira vez em 1961.

Desassossegada ao fim de um dia de trabalho, sentei-me e rabisquei no meu caderno. Primeiro, o Miguel Teixeira (arquitecto, artista plástico e Vice-Presidente da Oficina do Desenho) a lavar materiais. Depois, uma das participantes que explorava lentamente as formas de uma folha amachucada. Inspirada pelo momento e pelo som do jazz, permiti-me descontrair e mergulhar finalmente para um lugar onde apenas o desenhar me leva. As minhas linhas dançaram e desapareci, na fuga dos dias, para dentro do papel durante as duas horas que se seguiram.

A Oficina do Desenho é uma associação cultural sem fins lucrativos, fundada em Cascais em 2003, que promove o ensino, a prática e a experimentação das artes visuais e em particular do desenho. As Oficinas Livres do Laboratório Experimental realizam-se às sextas-feiras, das 18h às 21h.

Desenho e texto: Rita Caré