Às vezes rabiscam-me ou fotografam-me…

e eu gosto muito disso,
quando são as pessoas de quem gosto tanto os(as) autores(as).

RitaPorAnaCrispim-Pascoa2018 (3)

 

Gosto muito desta foto, porque estava  fascinada por um miúdo pequeno fixado a olhar para o meu desenho e talvez para o meu chapéu… Por Ana Cristina Crispim

Rita Care _ Por _Marilisa Mesquita _ AnosCasadosTiosCrispim_2018

A Marilisa Mesquita faz uns desenhos de mim absolutamente incríveis, não faz?

 

 

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Um mês, um mês muito difícil, UM RECOMEÇO

Rita Care - 1 Mes - Dez2017-Jan2018 (1)

Desde o Verão de 2017, a vida tem sido muito difícil, porque o corpo estava gravemente doente desde há muito mais tempo. Contudo, em Junho de 2017 tornou-se insuportável. A recuperação contínua e não sei se alguma vez mais saberei o que é viver sem Dores. Mas desde há muitos anos, por causa das enxaquecas devido a crises terríveis de sinusite e rinite não deixo que o meu corpo comande o que quero muito fazer. Pelo menos tento. Não é uma vontade racional. É a minha mente que manda mais do que eu. Sei lá, se calhar é o instinto de sobrevivência. Às vezes tenho de racionalmente obrigar-me a ficar parada do corpo e também da cabeça, somente a olhar para uma parede branca, para o mar, para um relvado, para as flores…

Este caderno foi produzido pela Marilisa Mesquita, com grande carinho e  propositadamente para a “viagem” que ambas sabíamos que eu ia ter que fazer. É A6 e não é um “Caderno” clássico, mas em harmónia, concebido para ser leve, mas para pintar aguarela se me apetecesse. Ela produziu 4 destes cadernos muito compridos.

Clicar para ver as imagens em sistema de carrossel
e na setas para avançar ou para voltar atrás

 

Estes desenhos foram feitos no espaço de um mês, de Dezembro de 2017 a Janeiro de 2018. Do primeiro desenho ao segundo há um intervalo de três semanas… Tem de tudo, desde urban sketching (desenho de observação no local), sketchnoting (rabiscos de ideias) a desenho por fotografia e a desenho de memória, a aguarela, lápis de cor e guache. O primeiro desenho foi feito no quarto do hospital, antes da cirurgia, e os restantes foram feitos em Vila Franca de Xira, em casa da família ou na rua.

Este é um caderno muito importante, porque marca um tempo de RENOVAÇãO. A vida jamais será a mesma. Terá que ser LENTA e LEVE. Mas esta viagem tem sido feita sempre acompanhada por Família e Amigos muito queridos que, ao longo dos dias e através das incríveis tecnologias para smartphone não me deixaram esmurecer,  trazendo-me para cima nos dias mais dolorosos.  Essas pessoas sabem quem são :)

Estou a reeinventar-me e isso é mesmo muito bom. Sentia há muito que tinha que mudar e não sabia por onde ir. A vida aponta-me caminhos aqui e ali e vou estando atenta e tomando as minhas decisões consoante as oportunidades que surgem. Estou viva e caminho. Agora parece mesmo um milagre criado pela alta tecnologia e conhecimento médico. Há 5 ou 10 anos atrás talvez estivesse numa cadeira de rodas. É brutal, não é? É, mas eu estou mesmo viva e aqui a andar pela rua e a emagrecer muito para melhorar lentamente o meu Viver. É a terceira vez que a Medicina me salva a vida em 41 anos. Obrigada Deus por inventares as mãos, o desenho, a escrita, o cérebro humano e a Medicina e a Tecnologia do séc. XXI.

Durante aquele mês, deitada na cama a olhar para o tecto imaginei o projecto Salto Virtual (#VirtualJumpSketch). Demorei quase três meses a pô-lo em prática, mas pûs e estou muito orgulhosa de todos os que nele têm participado. É incrível o grande Salto que deram na sua forma de desenhar!

Este post é publicado, por acaso, noutro dia (5 de Abril de 2018) muito marcante e espero que seja o primeiro dia de uma viagem extraordinária que, se correr bem, será partilhada nos próximos tempos.

Pensamentos +++

A Miúda dos Abraços regressou Reformulada para Abraçar a Vida a Sorrir

Rita Caré, 41 anos

 

 

 

 

 

Uma árvore e um gato coroado

No dia de Reis tive visitas muito especiais. Para celebrarmos a traquinice não resistimos a usufruir do quadro negro vazio de rabiscos do piso das crianças da Biblioteca Fábrica das Palavras. Não fizemos esta árvore e este gato coroado às escondidas, porque sabemos que estavamos certamente a ser espiolhadas pelo sistema de câmaras de videovigilância. Não é todos os dias que se tem oportunidade de se fazer uns rabiscos com giz.

Dia de Reis em VFXira (9)

Gostava de acreditar que a equipa da biblioteca tira uma foto a cada um dos desenhos giros de todos os prevericadores. Se calhar seria uma colecção própria gira para a instituição um dia fazer uma exposição…

 

 

A pintar Doodles Invasion, uma invasão de rabiscos

Quando não se pode desenhar, há alternativas muito interessantes, por exemplo, livros para colorir. Há imagens que estão mesmo a pedir que deixemos muito em branco e pintemos apenas alguns detalhes que ficam dessa forma destacados. Estes desenhos são excelentes para fazer o exercício: o que deixar em branco e o que pintar?

Outro exercício muito interessante é pesquisar textos/citações para incluir na página.

Estes desenhos são do Kerby Rosanes

 

Clicar para ver as imagens

Quando o Prémio de outros é um marco de Vida

Este post é capaz de ser uma seca… e lamechas, mas revelador da minha vivência e também dos últimos meses muito dificeis. Nasce do exemplo do último post “Não passei (2)” da Karina Kushnir, que aborda acontecimentos que nos atiram ao tapete, mas que nos fazem erguer maiores do que nós próprios. Também nasce do marco que o desenho de ontem tem na minha Vida. De certeza que querem ler mais?

Estive na cerimónia do Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples, depois de ter saído de uma consulta com o neurocirurgião. Vou andando devagarinho e vou andando, após mega-cirurgia à coluna por causa de uma hérnia discal que nada teve de simples, agravada pelo facto de ter nascido sem uma vértebra – comigo tinha que ser complicadinho… Ando em recuperação há três meses e hei-de andar. Andar, reparem na palavra! Felizmente encontro-me a Andar!! Pensamentos +++

Bom, vamos mas é ao Prémio! Então, lá estive num ambiente informal e abraçado, tal como já começa a ser hábito nos eventos da Acesso Cultura, da qual sou fã. Reparem nas palavras: Acesso, Acessibilidade e Cultura. Isso! Mais de Pensamentos +++

A Acessibilidade importa-me (mesmo que não soubesse disso assim por estas palavras)  desde que, com seis anos e meio, a minha mãe me levou a enfrentar a dura realidade de pessoas consideradas nessa época como deficientes profundas, ou seja, com limitações muito graves ao nível físico e/ou intelectual. Já se devem estar a perguntar sobre os motivos desta decisão. Foi para me fazer reagir, levando um duro e mega-abanão emocional. Fiquei sem conseguir Andar, após ter estado duas semanas hospitalizada em coma/semi-coma e a recompor-me de duas doenças gravíssimas (a segunda consequência da primeira) que ceifam quase sempre a vida dos adultos, quanto mais as das crianças que delas padecem: miningite e septicémia. Não havia qualquer explicação racional para ter deixado de conseguir manter-me de pé e dar um passo atrás do outro. Então a resposta deveria estar nas emoções… e a minha mãe levou-me ao local onde fizera estágio profissional com aquelas pessoas. Passei lá umas horas, estive com uma fisoterapeuta e saí de lá a Andar novamente e abanada para sempre com um novo olhar para a coisa que é Viver.

Desde então, já lá vão 34 anos, nunca mais Parei… dentro da cabeça pelo menos! Tenho uma louca fobia de estar sem fazer nada… Isso é um desperdício de tempo acha a minha mente. Coitado do meu corpo! Imaginem que estive dois meses na cama a olhar para o tecto… a ter sobretudo pensamentos negativos e ideias parvas. Inventei o Salto Virtual que logo se verá o que vai dar…

Foca-te, concentra-te, Rita! O Prémio! Tem como objectivo chamar a atenção para a necessidade de clareza da linguagem escrita para promover Acessibilidade Intelectual às pessoas que desejam usufruir da Cultura. A Clareza, esse monstro com que luto diariamente, tanto ao nível profissional como pessoal! Este post é exemplo disto mesmo. Clareza e emoções no mesmo texto… está bem, está!

Cerimonia_Premio LS AC_13mar2018_Por_Rita Care_cores_1200

Lá estive muito orgulhosa de fazer um bocadinho parte da Acesso Cultura e desejosa de contribuir. Fui sem saber se conseguiria mesmo lá estar, quanto mais fazer um desenho de pessoas! Fui sem expectativas. Logo se veria o desenrolar dos acontecimentos no meu corpo, que de vez em quando ainda fica extenuado mesmo com esforço mínimo. Mas meti o caderno e a caneta na mala antes de sair de casa. Talvez inspirada pela relevância deste Prémio desenhei em público e desenhei pessoas! Consegui e percebi assim que regressei oficialmente à minha vida activa, mesmo que ela tenha de ser o mais leve e lenta possível… para sempre.

Parabéns ao Museu da Presidência pelo Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples e à Formas Efémeras (que nome tão giro!) pela Menção Honrosa. Obrigada aos Membros do Júri, que tiveram uma clara trabalheira, ao Teatro Nacional D. Maria II, a todos os que tornaram este evento possível e à Acesso Cultura.

Desenho_PremioACLS_PorRitaCare_FotoPorMariaVlachou

Maria Vlachou, obrigada por teres tirado esta foto com o meu caderninho abraçado por mãos! Fiquei muito emocionada!

 

Adoro desenhar a Ana

Só me apercebi há pouco tempo que adoro desenhar a Ana, porque tenho muitos desenhos dela nos cadernos. Alguns nem sei se ela conhece…

Nem sempre são duelos. Às vezes tem que ser à sucapa. A maioria não está parecido e mesmo os que ficam muito feios não são para tapar ;-)

Gosto muito deste aqui

Neste adoro as girafas e o quadro,
mas ela ficou mesmo muito feia…
Este desenho marca um momento histórico na minha vida rabiscatória.
Foi criado num caderno A4, por isso tem a dimensão gigante de um A3.


Gosto muito deste, mas a Ana ficou com ar de rezingona,
o que não tem nada a ver com o que se estava a passar…

 

Desde Outubro/Novembro de 2017, as pessoas, as minhas pessoas, vão aparecendo nos cadernos. Finalmente isto está acontecer, depois de tantos anos de “luta” comigo própria sobre o mais dificil do desenhar, as pessoas… é que as pessoas são emoções e desenhá-las é um confronto com a sua intimidade.

 

Nota: mesmo estando estes desenhos em caderno e por isso fechados e abrigados da luz, parte deles vai desaparecer. Apesar de gostar muito de alguns dos marcadores com os quais pintei, eles são de marca infantil. Por isso, o pigmento vai desaparecer com o tempo, em breve. Vai ser interessante daqui a 3 anos olhar para estas páginas. Os pigmentos “rascas” vão desaparecer e os pigmentos profissionais vão permecer.

 

 

 

 

No jardim atiram-se “coisinhas” e namora-se…

Numa das últimas tardes de Verão muito tardio, do Jardim Gulbenkian, lê-se, dorme-se, desenha-se, ouvem-se conversas, atiram-se “coisinhas”,… namora-se…

 

Da Relevância e do Sentido de Viver: 10 Anos do Movimento dos Urban Sketchers

Rita Care _ FabricaPolvora_10anosUSk_11Nov2017 (2) _ 1200

O Movimento dos Urban Sketchers celebrou 10 anos no dia 11 de Novembro de 2017. Nesse dia, estava numa formação profissional na Fábrica da Pólvora de Barcarena. Alguns dias antes já sabia que desenho queria fazer para celebrar. Não é o desenho mais incrível que fiz, nem por isso, mas foi feito com o coração. Ao olhar para o desenho agora, gosto de pensar que ter pintado com os chamados “Lápis-de-cor Mágicos” não foi um acaso.

Rita Care _ FabricaPolvora_10anosUSk_11Nov2017 (1)_1200

Senti-me triste ao longo do dia, como se estivesse no local errado, por não ter a companhia de pelo menos outro Urban Sketcher comigo. Mas no final do dia rabisquei, sorri e partilhei, cumprindo dessa forma o que de mais importante me trouxeram os Urban Sketchers: mudei irremediavelmente, cresci, tenho-me divertido muito e tornei-me maior, muito maior do que eu própria.

Mari_11Nov2014_FabricaPao_10anosUSk (2)_1200

Em alguns momentos dos últimos anos, principalmente entre 2013 e 2017, quando organizei cerca de 80 encontros dos USkP e do grupo Foto&Sketchers 2 Linhas, quando colaborei, entre 2014 e 2016, com a coordenação dos Urban Sketchers Portugal na gestão de informação e criei o Facebook USkP, senti que o que vivia ia muito além de mim, cumprindo uma grande paixão, projectando o meu trabalho de voluntariado em muitas outras pessoas. Isso criou uma Relevância de Viver cheia de pequenos-gigantes Significados.

Às vezes penso neste tempo e receio nunca mais voltar a ter oportunidade de tocar em tantas outras vidas, mesmo de forma minúscula como fiz com tanta “Gente Gira” ao mesmo tempo e com tamanho impacto.

Pertencer a este Movimento, vivê-lo, testemunhá-lo tem sido das coisas mais importantes que alguma vez farei. As Amizades que construí ao longo dos anos, por causa destes desenhos tão especiais, é das maiores ofertas que a Vida me deu.

De vez em quando faço uma reflexão sobre porque é que Desenho e porque considero tão importante que todos Rabisquem. Podem ler as minhas reflexões ALI, com destaque  ACOLÁ para o desafio que a Liz Steel fez.

Rita Caré, 25 de Fevereiro de 2018

P.S. Este desenho está a ser publicado aqui tantos meses depois do 11 de Novembro de 2017, porque Viver às vezes é difícil, troca-nos as voltas e a motivação. Nas últimas semanas tenho andado a publicar desenhos de 2017 e até mesmo de anos anteriores. E muitos mais faltam ainda até conseguir publicar tudo o que tenho pendente. Tem sido uma viagem de reencontro comigo própria, com o que fui e que quero deixar para trás e na pessoa que quero ser no futuro sob o lema “a vida tem que ser mais lenta e leve”.

MC estás no Ar em meu redor

MC, sinto falta da tua força,
do que fazias para te sentires livre.
Inspiras-me!

Rita Care _ Para MC _ Out 2017 (2)_1200

O estilo abstracto é inspirado no trabalho de Ana Crispim
e de Ana Hatherly

 

De seguida criei este.
Lembro-me de me sentir vazia de pensamentos
e de deixar correr a caneta pelo papel…
Devia fazer mais vezes…

Rita Care _ Abstract _ Out2017_1200