Rita Caré | A Rabiscar para Conhecer

Rita Caré
A Rabiscar para Conhecer

Perfil produzido por Carolina Lobão Figueira (*),
entre 2017 e 2018,
para a disciplina de Jornalismo de Ciência
do Mestrado de Comunicação de Ciência
da FCSH-NOVA

 

Rita Caré na Sala dos Computadores e da Internet no Museu das Comunicações, Lisboa
Rita Caré na Sala dos Computadores e da Internet no Museu das Comunicações, por Carolina Figueira (Novembro 2017)

 

As paredes coloridas da sala do Museu das Comunicações, em Lisboa, contrastam com o cinzento dos prédios lá fora. Rita Caré, 41 anos, de cabelo curto e ar descontraído, senta-se numa das cadeiras. Pousa a mochila que a acompanha para quase todo o lado. A escolha do museu é propositada. Um museu com a temática que, em muitas formas, a caracteriza: comunicação. Onde passou horas a desenhar, até deitada sobre o chão frio. Um museu onde, acima de tudo, se sente como se estivesse em casa.

Rita demonstrou desde cedo uma ligação forte à Natureza. A partir dos cinco anos, a família colocava-a a ver programas de televisão de vida animal. Jacques Yves Cousteau e David Attenborough entravam-lhe casa adentro e foi com eles que cresceu e desenvolveu a sua paixão pelo comportamento animal e pela vida dos oceanos, um mundo escuro e desconhecido que espicaçava a sua curiosidade de criança.

Quis ser médica e carpinteira. A carpintaria era uma atividade muito prática que lhe satisfazia a necessidade de ter resultados imediatos. Mas a paixão pela observação do comportamento animal falou mais alto. Quando escolheu as opções de entrada na faculdade, em quase todas as linhas se lia “Biologia”. Na última opção, “Arquitetura Paisagística”. “Acho que faz todo o sentido, tendo em conta a minha vida atual. A estética, criar estruturas, desenhar…”, recorda Rita. Acabou por entrar em Biologia Marinha na Universidade do Algarve, mas o curso não lhe encheu as medidas: era, na altura, mais relacionado com a gestão das pescas e queria aprender mais sobre a vida animal. Depressa rumou para norte e foi a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) que acabou por ser palco da sua vida académica.

No quarto ano da faculdade fez um trabalho para uma disciplina no qual estudou a comunidade invernante das aves de jardins de Lisboa. Decidiu que gostava de ser ornitóloga para estudar o comportamento das aves de rapina. Mas a vida trocou-lhe as voltas. Não conseguiu fazer o estágio que queria e, quando se propôs a fazer um estágio em ilustração científica de roedores, também não foi bem-sucedida. Na reunião em que recebeu esta última resposta negativa, ouviu também algo que se tornou um marco indelével na sua vida. A Professora Maria da Luz Mathias disse-lhe que tinha perfil para a comunicação de ciência e sugeriu-lhe fazer um trabalho na área. “Foi aquela a primeira vez que ouvi essa expressão, já tinha 24 anos”, relembra Rita.

As tardes dos meses seguintes foram passadas entre livros, documentos e artigos científicos sobre museologia, na biblioteca do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa. Rita sempre teve uma vontade constante de ir à raiz dos problemas e o bichinho de querer estar sempre a aprender. Exemplo disso era a determinação com que estudava algo que, uns meses antes, nem sabia que existia. “Todos os dias eu pedia para fotocopiar imensas coisas para levar depois para casa para ler”. As manhãs, passava-as como monitora no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva, uma experiência desafiante já que foi a primeira vez que teve que interagir constantemente com pessoas desconhecidas e que comunicar oralmente, duas das maiores dificuldades de Rita. “Acho que sempre tive dificuldade em expressar-me oralmente. É muito mais fácil sentar-me e ter o tempo da escrita e pensar no que quero dizer para ser clara”, desabafa. Mas esta não é uma razão para fugir, antes pelo contrário. Coloca-se frequentemente em situações em que é obrigada a sair da sua zona de conforto. “Acho que vivermos sem crescermos, sem enfrentarmos as nossas dificuldades, não tem graça”.

O trabalho de fim de licenciatura era um estudo teórico de como se constroem boas legendas para exposições. Foi o único trabalho apresentado na área da Comunicação de Ciência. “Desde muito cedo que ela queria fazer comunicação de ciência e mais ninguém da nossa turma queria fazer isso. Distinguiu-se aí do resto dos 130 alunos que tinham entrado em Biologia nesse ano”, relembra Ana Mena, colega de faculdade de Rita e atual responsável pelo Gabinete de Comunicação do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC). Na apresentação do trabalho, que considera ser o trabalho mais apaixonante que fez, o arguente, Professor Carlos Almaça, estava “profundamente emocionado”, segundo palavras de Rita. O dia ficou também marcado por um acontecimento que ainda hoje é recordado. “Enquanto os professores faziam perguntas e ela respondia em frente a toda a audiência, o computador entrou em modo screensaver e começámos a ver projetadas no grande ecrã fotografias pessoais de paisagens, dos seus cães e dos amigos (ou seja, nossas) na piscina em bikini, em poses disparatadas, etc. (…). Claro que tivemos um ataque de riso”, relembra Patrícia Ponte, amiga de infância.

Nasceu desse trabalho a paixão de Rita pelos museus e centros de ciência e cresceu o seu interesse pela comunicação de ciência. Retrata-se intimamente como bióloga já que “brilha por todo o lado” quando fala de animais, mas na verdade, Rita sempre soube que não tinha perfil para investigadora, apesar da sua enorme curiosidade. “A investigação tem resultados a muito longo prazo e eu gosto de coisas imediatas. Gosto de ver resultados para não ficar frustrada”, diz Rita. Trabalhou em duas empresas de comunicação ambiental onde desenvolvia conteúdos para o público escolar e na Associação “Viver a Ciência”. Durante anos, fez todos os cursos e formações que pôde e que havia relacionados com a área da gestão de projetos e comunicação de ciência.

Em 2006, fez o curso de Jornalismo de Ciência e Tecnologia, um dos cursos “mais marcantes e interessantes” para a sua formação. Foi nesse ano que começou a trabalhar como coordenadora do Gabinete de Comunicação do Centro de Informação de Biotecnologia (CiB), onde se mantém até hoje e faz gestão de projetos e eventos de divulgação científica. É profissionalmente exigente, tem muita vontade de atingir objetivos e um grande sentido de responsabilidade quando está motivada para o trabalho que tem que fazer, tornando-a “das pessoas que todos queremos ter ao nosso lado para colaborar connosco”, refere Susana Araújo, investigadora do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier (ITQB) e colega de gabinete de trabalho de Rita. “Por outro lado, o seu sentido de responsabilidade/dever “afiado” faz com que a tolerância aos contratempos seja reduzida, sejam eles de ordem de tarefas cumpridas, inesperados ou interação com terceiros”, reflete Susana. Tanto no trabalho que faz no CiB, como noutras facetas da sua vida, Rita considera-se uma facilitadora. “Eu conto estórias quando escrevo, mas é muito mais importante o trabalho que faço como facilitadora”, refere. “Facilito às pessoas irem ter com outras ou ser-lhes contada determinada estória”.

O papel dos museus e dos centros de ciência sempre foi uma temática central na sua vida. Para ela, os museus têm a função de “contar estórias e deixar um legado para o futuro”. Isso só é possível se conseguirem ser relevantes para o seu público-alvo: “Quando um visitante vai a um museu, carrega consigo a sua vida. Pessoas diferentes interpretam de formas diferentes o mesmo que estão a ver. Apropriam-se daquilo que estão a ver, a observar, a sentir, de formas diferentes”, lembra Rita. A sua paixão pelas problemáticas da relevância e da acessibilidade cultural, social e física, não passa despercebida às pessoas que com ela se cruzam. O entusiasmo que dá tonalidade às suas palavras não o permite. “Ela interessa-se genuinamente pela maneira como as pessoas captam a informação”, diz Ana Mena.

 

Rita Caré no Museu do Dinheiro, por Ana Ferreira 2017
Rita Caré no Museu do Dinheiro, por Ana Ferreira (Abril 2017)

 

Nas questões da acessibilidade e da museologia, entre muitas outras, é Maria Vlachou, diretora executiva da Associação Acesso Cultura, que a inspira desde 2001, quando com ela trabalhou no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva. Em 2016, dedicou-lhe o projeto final do Mestrado em Comunicação de Ciência (na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa), mas a voz falha-lhe quando tenta falar da importância que Maria tem para ela. “Quando nós gostamos muito de uma pessoa, é muito difícil falar dela, e eu gosto muito da Maria”, diz Rita. Foi em 2016, como jurada no concurso Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples, organizado pela Associação Acesso Cultura, que Rita protagonizou um momento que Maria Vlachou recorda vividamente: “A Rita pôs toda a gente a rir quando fez um paralelismo e disse que sentir-se bem num museu, a ler coisas e a aprender coisas novas, é qualquer coisa como estar em casa confortável com as nossas pantufas. Foi uma forma tão simples, imediata e direta de passar a mensagem às pessoas! Podíamos usar os termos técnicos, mas a Rita com uma simplicidade extraordinária passou a mensagem.”

Uma vida a cores

A hiperatividade intelectual e a sede de conhecimento que a caracterizam foram empurrando Rita para outras atividades. “Estou sempre a tentar ir buscar coisas diferentes e juntá-las, estou constantemente a procurar fontes diferentes. É mais divertido”, refere. O encontro com o desenho deu-se em 1999, quando nos corredores da FCUL reparou num cartaz a anunciar um curso de Ilustração Científica. Em baixo, uma nota: não é preciso saber desenhar. “Fazer esse curso deve ter sido das sensações mais incríveis que eu já senti. É passar de achar que não sei fazer nada a, passado umas horas de formação, fazer coisas incríveis”, recorda Rita com um sorriso. Os desenhos eram muito pormenorizados, a preto e branco. Nesse curso, Pedro Salgado, o formador, disse aos formandos para comprarem uma caixa de aguarelas, para experimentarem trabalhar com a cor. “Eu comprei uma. Esteve seis anos fechada”, confessa Rita, rindo-se. O riso não é uma constante, mas quando se manifesta é contagiante.

Noz
Noz, um dos primeiros desenhos realistas no primeiro curso de Ilustração Científica, por Rita Caré (1999)

 

Em 2007, descobriu um atelier de pintura em Carcavelos. Foi falar com o professor, mostrou-lhe os trabalhos que tinha feito, mas rapidamente acrescentou “não quero fazer nada disto. Quero trabalhar abstrato e aguarela”. Ao sair da sua zona de conforto, Rita descobriu uma atividade que lhe fazia “ter a mente em silêncio”, coisa rara na sua mente hiperativa. O facto de o pai ter morrido quando Rita tinha apenas 20 anos, mostrou-lhe que a vida é limitada, e pode acabar a qualquer momento. Desde então tem “uma ânsia que não é normal de concretizar coisas que façam sentido”. “Na ilustração científica estava sempre tensa, para fazer as coisas sempre certinhas. Mas [no atelier] eu trabalhava com folhas de um metro e tal de largura, com 60 cm de altura, e trabalhava com pinceis grandes de aguarela”, recorda. Também o professor reparava na sua necessidade de conhecimento, a única aluna que se interessava por ir saber o ‘porquê’. Não se interessava só pela técnica da aguarela, mas aprendeu a ver e a sentir através dos trabalhos de Kandinsky, de Picasso ou de Miró. “Vivemos num mundo cheio de regras e muitos preconceitos. Um dos grandes preconceitos é que não sabemos desenhar. E a aguarela destrói isso tudo”, explica Rita. “O processo da água a correr livremente permite-nos quebrar a rigidez do dia-a-dia”.

Orquidea
Orquídea Selvagem desenhada durante cerca de 25 horas, por Rita Caré (2001)

 

Entretanto a veia de bióloga pulsava, apesar de mais discretamente. Recordava os tempos da faculdade em que os biólogos, de mochila às costas e caneta na mão, desenhavam os seres vivos que observavam em cadernos, a que chamavam ‘diários de campo’. Foi numa das muitas pesquisas na internet que tropeçou no website “Diários Gráficos” de Eduardo Salavisa. São cadernos em que o autor desenha aspetos do seu dia. Daí até ao envolvimento com os Urban Sketchers Portugal foi o tempo de um rabisco. Começou a ir aos eventos em 2009, muito timidamente. Mas a entrada nos Urban Sketchers não lhe trouxe só cadernos cheios de memórias. Ajudou Rita a conviver e a integrar-se. “Tenho um lado introvertido e sou tímida. O desenho é uma forma incrível de as pessoas socializarem. Esse é o fator mais importante, do meu ponto de vista, para o sucesso mundial dos Urban Sketchers. Há grupos em todos os continentes. Desenham à chuva, sob neve, com 10 graus negativos e com 47 graus na Amareleja, no Alentejo”, diz Rita.

É no ambiente propício do silêncio partilhado, enquanto desenham, que nascem algumas das suas amizades. Nos encontros de urban sketching, muitos dos quais organizados pela própria Rita, para se obrigar a sair de casa e a socializar, ela está “sempre atenta, rabiscando, mas a prioridade é a conversa e a comunicação com os outros”, conta Teresa Ogando, amiga Urban Sketcher. De facto, Rita admite que, às vezes, os encontros para desenhar se tornam em conversas em que os participantes acabam por desenhar pouquíssimo, mas convivem alegremente. “Uma das coisas que eu gosto muito dos encontros é eu ser a facilitadora, permitir às pessoas reunir à volta do que quer que seja com muito significado, como é o desenho”, diz Rita. A paixão dela pelo desenho e a necessidade de se expor à comunicação direta ao outro, levou-a a organizar workshops e formações, onde partilha “das coisas mais fascinantes” que lhe aconteceram: aprender a desenhar e a pintar. Os amigos descrevem-na como uma pessoa criativa, dinâmica e geradora de boas energias. Marilisa Mesquita, Urban Sketcher, recorda um episódio que aconteceu ao sair de um workshop de Rita: “Chegámos à rua e estava sol (o dia talvez tenha começado nublado) e ela ficou feliz da vida, não se calava e estava cheia de energia! Acabou por comprar um guarda-chuva com as cores do arco-íris e usa-o até agora. Acho que combina perfeitamente com a personalidade dela!”.

Rita Caré por Marilisa Mesquita - 5fev2017
Rita Caré desenhada por Marilisa Mesquita (Fevereiro 2017)

 

O arco-íris do guarda-chuva de Rita combina com as páginas dos cadernos que leva na mochila para quase todo o lado. Tem cadernos quadrangulares, circulares, do tamanho de um dedo ou em formato A4. Usa lápis de cor, canetas de bico fino, canetas-de-feltro infantis e profissionais, pinceis e caixa de aguarelas. Algumas páginas têm pequenos balões de fala com discursos que vai ouvindo enquanto desenha, carimbos ou bilhetes colados. Desenha tostas de presunto, máquinas de escrever, pessoas felizes e tristes, vestidos coloridos, prédios cinzentos. “A Rita torna tudo mais estético, colorido. E não há preço que pague termos mais Vida com mais cor”, diz Susana Araújo. Para quem o mundo é uma janela aberta para a beleza e para o conhecimento, a inspiração de Rita não tem limites. “Acho que não vou perder a vontade de participar e organizar atividades de urban sketching enquanto as pessoas à minha volta quiserem ir comigo”, reflete Rita. “E eu quiser estar com elas”.

É também através dos desenhos que chega mais perto das pessoas, com a sensibilidade que é uma das características que mais lhe atribuem. “Acho que o mais característico dela é a sua sensibilidade, sem dúvida. Que pode fazer com que ela se sinta facilmente magoada, mas também lhe permite dar muito mais de si”, reflete João André Banha Oliveira, amigo de infância. Maria Vlachou ainda hoje se recorda de uma situação em particular: “Recebi pelo correio um envelope manuscrito, com selo, e era um postal com um desenho a guache da Rita de um carvalho que sobreviveu aos incêndios, na zona onde vive a sua família. Ela escreveu um textinho atrás com o seu sentido de humor, mas foi muito mais do que sentido de humor. Este seu gesto de ir até aos correios, de pôr um selo e de me enviar, tocou-me profundamente. E não é a primeira vez que a Rita faz isso, ela está sempre a surpreender”.

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Jovem carvalho pintado em Oliveira do Hospital, por Rita Caré (2017)

 

Existem muitos momentos marcantes na sua vida pintada a cores, mas existem dois especiais, em que alia a sua paixão pela divulgação da ciência, os animais e os museus de ciência ao desenho. O primeiro foi quando criou a sua primeira reportagem gráfica para divulgar um artigo científico que explora a possibilidade de os peixes também precisarem de amigos. “O IGC partilhou a minha imagem no seu Facebook e teve mais de três mil visualizações em poucas horas”, conta Rita entusiasmada.

reportagem grafica
Primeira reportagem gráfica com Ciência: “Os peixes também precisam de amigos“, por Rita Caré (Abril 2017)

 

O segundo momento marcante está relacionado com a sua veia de defensora dos direitos dos animais e da importância dos parques aquáticos e zoológicos que os albergam. Escreveu um sentido texto no seu blog “Papiro Papirus” onde expõe a situação de um leão marinho com cataratas nos olhos e uma tartaruga que viu no Aquário Vasco da Gama. Através da mão de Maria Vlachou, o texto viajou até à direção do museu. Um papel “pequenino”, mas que teve impacto na vida dos animais. Mais tarde, foi informada da libertação da última tartaruga marinha do Aquário Vasco da Gama e organizou um evento de urban sketching para comemorar a sua libertação. Hoje, o momento está eternizado de maneiras diferentes nos cadernos de dezenas de pessoas. E Rita continua a acompanhar online a viagem da tartaruga “Gama”, que atravessa o Oceano Atlântico, tendo passado ao largo dos Açores e percorrido mais de 4600 quilómetros no final de Abril de 2018. Esta viagem pode ser seguida através do Facebook do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM).

Tartaruga Bobo AVascoGama, jan 2017 - Foi libertada e vai a caminho da Flórida Nov 2017 - Desenho por Rita Caré
“Gama”, a Tartaruga-bobo do Aquário Vasco da Gama, por Rita Caré (Janeiro 2017)

 

Vive num equilíbrio entre os traços rígidos da caneta e a aguarela que flui livremente. Faz frequentemente viagens ao passado para se tentar perceber a si própria. Mas quando lhe pedem para se descrever, sente-se um longo silêncio, apenas quebrado com um tímido “Pode ser num desenho?”

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Desenho feito por Rita Caré quando lhe pedi que se descrevesse (Novembro 2017)

 

* Carolina Lobão Figueira

Carolina Lobão Figueira é a Autora deste artigo, conhecido no Jornalismo por “Perfil”. É Biotecnóloga, com mestrado nessa área. Sendo super-motivada para comunicar e aproximar os cientistas das pessoas não-cientistas, irá em breve iniciar a segunda fase de um mestrado de Comunicação de Ciência, o mesmo que eu própria finalizei em 2016. Carolina tem uma paixão por ler, por aprender e por partilhar o funcionamento da Vida e do Universo, clarificando as formas de produzir o conhecimento científico. É voluntária do projecto PubhD que promove conversas em bares sobre investigação académica.

 

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Carolina Lobão Figueira por Rita Caré (Novembro 2017)

 

Carolina foi quase de certeza uma das raras visitantes que explorou este blog de “fio a pavio”. Percebi isso ao longo da surpreendente entrevista que me fez. Está aqui representada por mim, embora esteja muito pouco parecida… ficou bastante desfavorecida… Desenhei este rabisco quando fomos beber um café depois da dita entrevista. Nesse momento fui eu que tive oportunidade de descobrir um pouco mais sobre ela e os seus sonhos…

 

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Dos Blogues e a Blogar há quase 16 anos…

BlogRenovado-PapiroPapirus-RitaCare-21mar2017

Cristina Nobre Soares espicaçou-me mais uma vez com um texto sobre BLOGUES, essa grande invenção do final do século XX. Este post é uma adaptação de um comentário que fiz ao seu post no Facebook.

Os blogues são olhados de lado…? São lixo?!

Primeiro, são os arquivos de muitos anos (até décadas) de diários ou semanários de muita gente, das suas vidas pessoais e profissionais. Ainda hoje considero os blogs das ferramentas mais interessantes para arquivar e divulgar informação (acho o WordPress na versão gratuita uma coisa de outra dimensão…). Por causa dos blogs conheci, online e ao vivo, algumas das pessoas mais interessantes da Vida, no contexto de interesses comuns.

Depois, lixo é o que os jornais e os media no geral pretendem impingir a quem os lê/vê. Há por aí muito blog a fazer serviço público, mas muito melhor.

O meu primeiro blog foi criado em Setembro de 2002, quando estava um calor abrasador e estava eu noite dentro a teclar que nem louca numa varanda de Madrid…

Como é possível ter passado tanto tempo?

Escrevi poemas e pequenos textos de emoções e de opiniões, divulguei ciência quando eram raros os que o faziam. Finalmente, anos mais tarde descobri os blogues dos rabiscos. Criei este em 2007.

Publiquei durante anos e anos, até há bem pouco tempo, quase sempre sob anonimato. Sim, que eu não sou autora apenas do Papiro papirus, mas de vários outros blogues. Notem, que há uma urban sketcher poetisa que conheci online através desse primeiro blog de 2002. Este país é um penico, já se sabe…

Durante mais de três anos mantive um blog de divulgação científica, o “Caminhos do Conhecimento”. Durante muito tempo achei que tinha um título péssimo até recentemente ter descoberto que a Ciência Viva agarrou nesse mesmo título para denominar o portal sobre o legado de José Mariano Gago (uma das mais relevantes personalidades da Divulgação Científica em Portugal). Imaginem… Que honra! Eu a pensar que era um nome a cheirar a pseudo-ciência… ahahahah!

Estou a ver que que não sou a única que fui largando um blog, criando outro blog, largando, criando… Nos tempos de hoje só me apetecer manter vivo um único blog, este Papiro papirus! Aqui reúno a maior parte do que me tornei, apesar do foco central serem rabiscos. Sou bióloga do coração, apaixonadérrima por museus, partilhadora de assuntos culturais e de ciência (nesta parte, pouco, porque o faço profissionalmente), desenhadora, mini repórter e opinidadora de vão de escada.

Sabem do que mais gosto?
De reescrever, reescrever, reescrever, reescrever… porque é muito divertido e faz-me crescer,  clarifica a cabeça e o texto, melhora as publicações. Escrever online tem essa vantagem de virmos cá quando nos apetece e melhoramos o que precisa de ser melhorado. Também gosto de voltar atrás de vez em quando e perceber como pensava há muitos anos e quais eram os meus interesses na altura. Os blogs fazem-nos olhar ao espelho. Se os espelhos forem analisados pela positiva isso traz-nos o benefício da evolução da mente e do espírito.

O texto da Cristina Nobre Soares está ali, mas só quem é “Amigo” no Facebook consegue lê-lo. Também está publicado no blog Em Linha Recta.

 

Às vezes rabiscam-me ou fotografam-me…

e eu gosto muito disso,
quando são as pessoas de quem gosto tanto os(as) autores(as).

RitaPorAnaCrispim-Pascoa2018 (3)

 

Gosto muito desta foto, porque estava  fascinada por um miúdo pequeno fixado a olhar para o meu desenho e talvez para o meu chapéu… Por Ana Cristina Crispim

Rita Care _ Por _Marilisa Mesquita _ AnosCasadosTiosCrispim_2018

A Marilisa Mesquita faz uns desenhos de mim absolutamente incríveis, não faz?

 

 

Uma árvore e um gato coroado

No dia de Reis tive visitas muito especiais. Para celebrarmos a traquinice não resistimos a usufruir do quadro negro vazio de rabiscos do piso das crianças da Biblioteca Fábrica das Palavras. Não fizemos esta árvore e este gato coroado às escondidas, porque sabemos que estavamos certamente a ser espiolhadas pelo sistema de câmaras de videovigilância. Não é todos os dias que se tem oportunidade de se fazer uns rabiscos com giz.

Dia de Reis em VFXira (9)

Gostava de acreditar que a equipa da biblioteca tira uma foto a cada um dos desenhos giros de todos os prevericadores. Se calhar seria uma colecção própria gira para a instituição um dia fazer uma exposição…

 

 

Desenhos-cegos no Encontro FS 2´´ no Bar Irreal

Mais uma vez enfrentei a dimensão A3. É enorme e assustador desenhar, mesmo com desenho-cego, num tamanho tão grande. Estou muito  surpreendida com os resultados.

Também usei esta técnica, porque neste encontro dos Foto&Skethers 2 Linhas (FS 2´´) estava uma convidada especial. Assim demonstrei-lhe como é possível conseguir resultados imediatos e motivadores desenhando desta forma.

Desenho pequeno da convidada Carolina Figueira.

 

Usei outra técnica muito charmosa para desenhos rápidos. Alguém me sabe dizer qual é essa técnica?

Ao tentarmos arranjar forma de explicar este vício dos rabiscos, concluimos que se pegam como os fungos dos pés… Acho uma analogia mesmo muito boa, pois mostra o significado e a força que o Desenhar ao vivo e em grupo tem nas vidas de quem o pratica.


O meu post com mais histórias sobre este encontro no blog dos Foto&Sketchers 2 Linhas

 

 

Rabiscos dos filhos de DARWIN

Darwin

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Darwin Doodles publicadas pelo “The New Yorker”

Charles Darwin, o mais importante investigador da História da Biologia, conhecido pela sua teoria da evolução, teve 10 filhos. Entre as 26 mil páginas digitalizadas do projecto online “Darwin Manuscripts Project”, existem 57 desenhos das suas crianças, nove delas nas páginas escritas que levaram a uma das mais importantes publicações de sempre: “A Origem das Espécies”. Os desenhos são vivos, cheios de cor, criados com lápis, tinta e aguarela, explorando o mundo real e imaginário.

 

 

Tenho um sonho…

Levar o mínimo na bagagem, como o Teoh Yi Chien (ParkaBlogs)…

Numa viagem de trabalho a Madrid há uns anos consegui levar uma mochila, a mochila de todos os dias. Não levei portátil, mas o meu antigo tablet e um teclado portátil. Adorei a sensação de leveza.

Tenho que voltar a repetir esta proeza.

Nestas minhas férias da semana passada foi uma tontaria de levar a “casa” atrás de mim…

Novo LIVRO – Portugal por / by Urban Sketchers

Portugal by USk
Novo LIVRO – Portugal por / by Urban Sketchers

 

Novo Livro
Portugal por / by Urban Sketcher
Ed. Zest e Urban Sketchers Portugal

Março 2017

Mais de 80 autores e mais de 200 desenhos de Portugal desenhado ao vivo de lés a lés…
Finalmente foi publicado este mega projecto dos Urban Sketchers Portugal e da Zest!
Parabéns a todos!!

O livro inclui dois dos meus desenhos
em Castelo Branco e em Mértola!

O lançamento do livro será em 24 de Março de 2017, pelas 18h30, no Museu Nacional de Arqueologia, em Belém-Lisboa.

Crónica USkP | Para cá e para lá a ver “passar” o MN Ferroviário

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Desenhos de Rita Caré e de Raquel Sousa

 

Crónica
| Para cá e para lá a ver “passar”
o Museu Nacional Ferroviário |

Por Rita Caré e Raquel Sousa

Viajamos na linha da Beira Baixa muitas vezes. Uma há mais de três décadas de tempos a tempos. A outra muito frequentemente nos últimos anos. O ritual de entrar e viver aquelas horas no comboio é uma “paragem” no Tempo.

Ouvimos música, lemos, tricotamos, pensamos, desenhamos, dormimos… Por entre a contemplação das vistas, há quase dois anos que andamos também a ver o Museu Nacional Ferroviário “passar” para cá e para lá. Um destes dias uma leu os pensamentos à outra ao partilhar um folheto do museu:
– Vamos organizar um encontro de rabiscos com comboios?!

Imaginámos logo extraordinários momentos de desenho, em silêncio partilhado, no Entroncamento de história(as), linhas, máquinas, objectos e complexas estruturas muito desenháveis.

Foi assim que aconteceu o “início do início” do encontro dos Urban Sketchers Portugal e dos Ribatejo Sketchers no Museu Nacional Ferroviário, em 19 de Fevereiro de 2017, no qual participaram mais de 60 pessoas, que viajaram desde o Alentejo, Ribatejo, Lisboa, Beiras, Torres Vedras e região Centro-Oeste, Coimbra, Montemor-o-Velho e Aveiro. Muitas das páginas dos seus cadernos recheadas de comboios e outras peças ferroviárias podem ser vistas no blog dos USkP.

Publicado
Newsletter “Agenda dos Sketchers”  Março 2017
Associação Urban Sketchers Portugal