Coisas, Árvores e Cisnes do Parque D. Carlos I, Caldas

O Parque D. Carlos I, em Caldas da Rainha, está cada vez mais agradável para ficarmos por lá muito tempo. Por exemplo, na grande esplanada do bar-restaurante completamente renovado há um par de anos – tem lá dentro umas peças muito rabiscáveis como se pode ver na primeira imagem e é melhor nem explicar sobre as iguarias… Também em redor do lago e do Museu José Malhoa não faltam bancos e cadeirões lindos para ficarmos muito tempo a observar a paisagem a mudar para tons de Outono, as grandes árvores e as folhas a cair dos Plátanos, as esculturas e as estátuas – contei 11 só do relvado do Museu José Malhoa!! – e a bicharada variada habitante do lago (patos, gansos-brancos, gansos de outras cores, cisnes-brancos e cisnes-negros, pavões e outras aves…).

Encontro Rabiscos - ParqueDCarlosI-Caldas-2Set2017 (10)
Composição de “pedaços” do Parque D. Carlos I e do bar Raízes
Encontro Rabiscos - ParqueDCarlosI-Caldas-2Set2017 (11)
Aproveitei umas aguadas que já tinha para lhe plantar umas árvores do parque
Encontro Rabiscos - ParqueDCarlosI-Caldas-2Set2017 (15)
Cisne-negro da Austrália protegendo o seu ninho
(a fêmea é o rabisco mais em cima à esquerda – não tem penas brancas na cauda)

 

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Cais da Trafaria e uma reflexão sobre Urban Sketching

O Cais da Trafaria não é bem assim, como se vê na fotografia. Falta-lhe uns pedaços aqui e ali, mas quem conhece o local consegue reconhecê-lo. Para mim o Urban Sketching é cada vez menos representar fielmente o que observo. É mais usufruir do acto de desenhar e de pintar, representando o que sinto no contexto do desenho (nesta tarde, sentia-me uma garota “naïf” a brincar com a aguarela e os lápis-de-cor). Ser Urban Sketcher também é inventar um bocadinho para facilitar ou para ter esse espaço de transgressão em relação à realidade. É ainda explorar os lugares, representando-os com técnicas e materiais diferentes, numa incessante procura de soluções.

Rita Care - Trafaria - Ago 2017 (1) red

O momento desta dupla página e toda esta tarde tão bem passada são o que de melhor tem a comunidade de Urban Sketchers Portugueses: as pessoas. Desenhar é um veículo para atingir um fim com uma estranha dualidade. Por um lado, é desaparecer para dentro de mim numa partilha única de silêncios agradavelmente estranha. Por outro, é divertir-me, virando-me para fora num encontro colectivo de partilha com sorrisos e boa disposição.

 

Rita Care - Trafaria - Ago 2017 (2) red

Esta dupla página tem um aspecto de que não gosto: a mancha de aguarela no centro. Acontece quando existe o meio do caderno, mas principalmente quando se usa muita água e o papel não é o mais adequado para a técnica aplicada – uma aguada destas precisa de papel com qualidade e de 300g/m2. Assim, perdeu-se a continuidade, o fluxo, de uma página para a outra. Enfim… adoro experimentar tintas, pincéis e papéis… Se não experimentarmos não descobrimos o que nos faz falta e o que se adequa às nossas características e interesses. Sendo assim, querido papel Claire Fontaine 180g/m2 de faces diferentes, volta! Sinto-te a falta no contexto do diário gráfico.

Ser Urban Sketcher é ser curioso e ter um desejo incessante de conhecer os lugares de passagem e de evoluir, sempre de caderno na mão. É representar o mundo como o vemos e sentimos num momento – ou como gostaríamos de o ver e sentir – e não a realidade.

No mesmo dia em que escrevi este texto,
encontrei outro muito interessante
da Urban Sketcher Jane Wingfield:
Falling in love with the world, one sketch at a time

Este texto foi publicado no blog dos Urban Sketchers Portugal.

 

A História dos Urban Sketchers pelo fundador Gabi Campanario

Gabi Campanario - Key Note Speaker - 8SimposioUSk2017
A comunidade de Urban Sketchers celebra por estes dias 10 anos de actividade. Mais de 550 pessoas de 34 países estão neste momento no 8º Simpósio Internacional dos Urban Sketchers, em Chicago, nos Estados Unidos da América.

A História do início desta comunidade foi contada ontem pelo fundador Gabi Campanario, na sessão de abertura do simpósio, e está disponível no canal de You Tube dos Urban Sketchers Internacional.

A minha vida mudou para sempre para muito melhor desde que apareci naquele dia inesquecível, em 2009, e fui convosco no metro, desde o Cais do Sodré até Telheiras, tentando desenhar pessoas.

Obrigada Gabi e Fundadores dos Urban Sketchers Portugal!
Parabéns Urban Sketchers!

 

Lápis-de-cor em aguarela com Maru Godas e Santi Sallés e ainda…

Lápis-de-cor em aguarela
com Maru Godas e Santi Sallés e ainda…

O Workshop da Maru Godas e do Santi Sallés, no Sábado passado, na Casa Atelier Vieira da Silva, despertou-me a vontade de voltar aos lápis-de-cor com ou sem aguarelas. Gosto tanto deste material e quase nunca o uso, porque não me apetece andar com mais peso extra na mochila…

Rita Caré com Santi Sallés e Maru Godas - Aguada e Lápis-de-cor

Este foi 1/2 do desafio do Santi… É que eu não dei tantos detalhes como ele exemplicou para dar movimento e cor ao desenho. Quis muito terminar este desenho tal como está. Acontece-nos e é muito importante seguir a intuição de que é agora que temos que parar. Só com a experiência aprendemos quando chega esse momento.

Vou continuar a experimentar este estilo naif! Ah pois vou!

Rita Caré com Santi Sallés e Maru Godas - Aguada e Lápis-de-cor

Cá está o desafio mal amanhado que a Maru propôs. É que não percebi o que era para fazer…. Também estas rabiscadelas na palmeira estão uma bela “Mierda”. Enfim, se não errarmos não sabemos o que não queremos.

Rita Caré com Maru Godas - Guache

Entretanto, a Maru Godas brindou-nos com um workshop sobre guache com o objectivo de o testar para o que vai realizar em Chicago no próximo Simpósio Internacional dos Urban Sketchers. Cá estão alguns dos resultados. Nas férias quando apanhar os guaches da minha mãe a jeito vou-me divertir com eles!

Além disto ainda “aprendi” novo vocabulário USk: “MiERDA”, “NÃO SOFREIS”… “Estais hacendo Trampas?”. Sim e é maravilhoso ;-)

Rita Care - WS - Maru Godas - Guache, Lisboa - Jul 2017

 

 

 

Rabiscos com Karina Kushnir

A Karina Kushnir, do Rio de Janeiro (Brasil), é Professora de Antropologia Cultural e de Antropologia Visual – imaginem… esta disciplina existe mesmo! :) – , é Urban Sketcher e autora de um blog recheado de textos e desenhos Super!

A partilha da Karina no seu blog tem sido importante para mim ao longo dos anos pois, para além dos seus desenhos, ela escreve muito sobre academia e ciência e as dores de habitar nesse mundo [que às vezes parece extra-terrestre…]. Sendo assim, foi com muito entusiasmo que apareci naquele dia de Janeiro deste ano, já há quase 4 meses…

4 MESES?!? Onde é que andaram estes desenhos?! Pois… Não gostei particularmente dos desenhos que fiz e nesse dia tive um “probleminha” quando saí do workshop… Ups… o meu carro foi rebocado porque, com todo o meu enorme entusiasmo, estacionei-o em frente a um portão de garagem sem dar por nada… cabeças no ar e um grave rombo na carteira e nos nervos.

Bom, apesar de toda a confusão ainda fui ao seu seminário a meio da tarde! Foi uma das melhoras aulas à qual assisti na vida! É que tudo bem argumentado com entusiasmo e emoção é a minha “cena” nerd. Sobre essa aula hei-de voltar, após a Karina publicar mais informação sobre a sua viagem a Lisboa. Quero fazer a minha reflexão sobre o que ela abordou depois de ela própria o fazer.

As propostas incluiam três desenhos, mas não estava para aí virada e só fiz dois durante a manhã. A sua produção foi concretizada a partir da ideia de que, do ponto de vista Antropológico, os objectos existem num contexto social, enquadrados num Tempo, num Espaço e  nas relações sociais existentes.

Rita Care - Com Karina Kushnir - Casa Vieira-Silva - 2017 (1) - 1024
1ª Proposta – O Tempo

Primeiro o Tempo, num registo de temporalidade do lugar a explorar (data, estações do ano, objectos e coisas que representem o efémero ou o eterno/permanente,…). Depois as Relações Sociais, num registo da representação do que está vivo, se mexe, como o movimento das pessoas, animais, plantas, carros… Por último, que não cumpri…, foi a vez do Espaço, num registo de ampliação do local criando, por exemplo, um mapa do lugar explorado.

Rita Care - Com Karina Kushnir - Casa Vieira-Silva - 2017 (2) - 1024
2ª Proposta – O Movimento

Antes do seminário da tarde, sentei-me no café da Fundação Arpad Szene – Vieira da Silva com os olhos vidrados nos azulejos e nuns objectos antigos por baixo da janela…

Rita Care - Com Karina Kushnir - Casa Vieira-Silva - 2017 (3) - 1024
Pérolas do bar da Fundação Arpad Szene – Vieira da Silva

Sobre o seminário, voltarei em breve…

Notícias da Varanda… da Costa da Caparica

No contexto dos acontecimentos da semana passada, homenageámos a Maria Celeste de diferentes formas, como pudemos, soubemos, sentimos… No último fim-de-semana passei uma tarde muito especial com a Marilisa e outra tarde muito especial com a Manuela e com o César, sempre com tantos outros sketchers no pensamento (organizou-se uma exposição em Óbidos com desenhos da João do Rio e publicou-se um texto na newsletter dos Urban Sketchers Portugal), todos grandes companheiros de rabiscos da MC.

Estivemos contigo e tu connosco, Maria Celeste, da forma que sabemos que adoras: comemos bem, brindámos, desenhámos “notícias da varanda”, da sala e da varanda com vista para a arriba da Costa da Caparica… e dissemos muitos disparates, coerentes com a tua boa disposição e forma de saboreares a vida!

Noticias da Varanda da Costa da Caparica - Maio 2017 (2) - 1024

Noticias da Varanda da Costa da Caparica - Maio 2017 (1) - 1024.JPG

Texto de homenagem
na newsletter dos Urban Sketchers Portugal:
Maria Celeste: Vens à João do Rio

Almoco de Rabiscos na Costa por Cesar Caldeira 2017
Foto de César Caldeira

 

 

Maria Celeste

Maria Celeste - 75 anos
Que grande felicidade nos teus 75 anos!
Maria Celeste Lopes - Casa João do Rio
Maria Celeste em experiências com aguarelas, lápis e óleos

Querida Maria Celeste, agora que te sinto por todo o lado, relembro o teu sorriso, a boa disposição, entusiasmo e extraordinária força de viver que me inspirou e continuará a inspirar. Relembro a tua estimada ameixoeira no quintal da Casa João do Rio. Trago as nossas memórias dentro da tua pasta da escola.

Obrigada pela tua amizade e apoio aos meus projectos de rabiscos e aguarelas!
Inspiras-me sempre!

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Ameixoeira do Quintal – Casa João do Rio
Rita Caré - Mala Escola Antiga - 2014
Mala da escola da Maria Celeste