SketchNotes | Seminário sobre a EU-Life

 

Rabiscos de Ideias (*)
EU-Life Initiatives on Research Organization and Science Policy”
por Marta Agostinho

Seminário no Instituto Gulbenkian de Ciência​

 

A Marta é coordenadora da EU-Life, uma aliança de 13 centros de investigação Europeus da área das ciências da vida. A EU-Life apoia e promove a investigação científica de excelência e a voz da investigação nas decisções políticas da União Europeia.
O seminário foi muito interessante nos vários tópicos abordados, nomeadamente nas chamadas áreas de gestão, comunicação e diplomacia em Ciência. Escrevi muitos (mesmo muitos) apontamentos e decidi dar destaque à informação aqui partilhada.

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Gostei mesmo muito de trabalhar com caneta branca!

(*) Quaisquer erros ou confusão de interpretação das mensagens passadas nas minhas notas visuais são da minha exclusiva responsabilidade.

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Reportagem Desenhada | Prémio Acesso Cultura Linguagem Simples para o Museu da Presidência

Reportagem desenhada da entrega do Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples por Rita Caré
Reportagem desenhada da entrega do Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples por Rita Caré

Reportagem Desenhada
Prémio Linguagem Simples para o Museu da Presidência

No dia 13 de Março de 2018, o Museu da Presidência recebeu o Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples numa cerimónia realizada no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. A Acesso Cultura entregou ainda uma Menção Honrosa à empresa Formas Efémeras.  “Foi uma cerimónia curta, bonita, emotiva”, lê-se numa publicação do Facebook da associação.

O texto introdutório da exposição “Boa Viagem, Senhor Presidente! De Lisboa até à Guerra. 100 anos da primeira visita de Estado” foi o escolhido pelos jurados, composto por Cristina Nobre Soares, Hugo Sousa e Rita Tomás. Segundo o júri, citado em COMUNICADO da Acesso Cultura, “De entre os vários textos que podemos encontrar numa exposição, é ao texto do painel de introdução que cabe, em primeira mão, a responsabilidade de influenciar a experiência da visita. É ao depararem-se com este texto que os visitantes se interrogam: “O que vou ver? Porque é que me querem mostrá-lo? O texto vencedor do Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples 2018 não deixa margem para dúvidas quanto ao que vai ser visto e ao porquê do tema escolhido.”. Os textos premiados e a justificação sobre a sua escolha estão disponíveis para CONSULTA.

Sobre a relevância deste prémio no contexto da Acessibilidade em Portugal, Maria Vlachou, directora executiva da Acesso Cultura, explicou tratar-se “de um prémio de reconhecimento, um reconhecimento de quem se esforça para contrariar a forma habitual de fazer as coisas (aquela que todos conhecemos e que nos deixa confortáveis) e de tentar enfrentar aquela que todos reconhecemos como uma barreira: a linguagem que usamos para comunicar com o público em geral, com pessoas que não sabem o que nós sabemos. No entanto, a distância é grande entre a teoria e a prática. Reconhecer não é fazer… E enquanto somos todos capazes de identificar os erros de outros, quando se trata de nós, temos medo de arriscar a ser claros, de repente a comunicação clara parece ficar equiparada a uma forma simplista ou infantilizada de comunicar. Sempre no nosso caso, nunca no dos outros.”.

 

Um mês, um mês muito difícil, UM RECOMEÇO

Rita Care - 1 Mes - Dez2017-Jan2018 (1)

Desde o Verão de 2017, a vida tem sido muito difícil, porque o corpo estava gravemente doente desde há muito mais tempo. Contudo, em Junho de 2017 tornou-se insuportável. A recuperação contínua e não sei se alguma vez mais saberei o que é viver sem Dores. Mas desde há muitos anos, por causa das enxaquecas devido a crises terríveis de sinusite e rinite não deixo que o meu corpo comande o que quero muito fazer. Pelo menos tento. Não é uma vontade racional. É a minha mente que manda mais do que eu. Sei lá, se calhar é o instinto de sobrevivência. Às vezes tenho de racionalmente obrigar-me a ficar parada do corpo e também da cabeça, somente a olhar para uma parede branca, para o mar, para um relvado, para as flores…

Este caderno foi produzido pela Marilisa Mesquita, com grande carinho e  propositadamente para a “viagem” que ambas sabíamos que eu ia ter que fazer. É A6 e não é um “Caderno” clássico, mas em harmónia, concebido para ser leve, mas para pintar aguarela se me apetecesse. Ela produziu 4 destes cadernos muito compridos.

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e na setas para avançar ou para voltar atrás

 

Estes desenhos foram feitos no espaço de um mês, de Dezembro de 2017 a Janeiro de 2018. Do primeiro desenho ao segundo há um intervalo de três semanas… Tem de tudo, desde urban sketching (desenho de observação no local), sketchnoting (rabiscos de ideias) a desenho por fotografia e a desenho de memória, a aguarela, lápis de cor e guache. O primeiro desenho foi feito no quarto do hospital, antes da cirurgia, e os restantes foram feitos em Vila Franca de Xira, em casa da família ou na rua.

Este é um caderno muito importante, porque marca um tempo de RENOVAÇãO. A vida jamais será a mesma. Terá que ser LENTA e LEVE. Mas esta viagem tem sido feita sempre acompanhada por Família e Amigos muito queridos que, ao longo dos dias e através das incríveis tecnologias para smartphone não me deixaram esmurecer,  trazendo-me para cima nos dias mais dolorosos.  Essas pessoas sabem quem são :)

Estou a reeinventar-me e isso é mesmo muito bom. Sentia há muito que tinha que mudar e não sabia por onde ir. A vida aponta-me caminhos aqui e ali e vou estando atenta e tomando as minhas decisões consoante as oportunidades que surgem. Estou viva e caminho. Agora parece mesmo um milagre criado pela alta tecnologia e conhecimento médico. Há 5 ou 10 anos atrás talvez estivesse numa cadeira de rodas. É brutal, não é? É, mas eu estou mesmo viva e aqui a andar pela rua e a emagrecer muito para melhorar lentamente o meu Viver. É a terceira vez que a Medicina me salva a vida em 41 anos. Obrigada Deus por inventares as mãos, o desenho, a escrita, o cérebro humano e a Medicina e a Tecnologia do séc. XXI.

Durante aquele mês, deitada na cama a olhar para o tecto imaginei o projecto Salto Virtual (#VirtualJumpSketch). Demorei quase três meses a pô-lo em prática, mas pûs e estou muito orgulhosa de todos os que nele têm participado. É incrível o grande Salto que deram na sua forma de desenhar!

Este post é publicado, por acaso, noutro dia (5 de Abril de 2018) muito marcante e espero que seja o primeiro dia de uma viagem extraordinária que, se correr bem, será partilhada nos próximos tempos.

Pensamentos +++

A Miúda dos Abraços regressou Reformulada para Abraçar a Vida a Sorrir

Rita Caré, 41 anos

 

 

 

 

 

Quando o Prémio de outros é um marco de Vida

Este post é capaz de ser uma seca… e lamechas, mas revelador da minha vivência e também dos últimos meses muito dificeis. Nasce do exemplo do último post “Não passei (2)” da Karina Kushnir, que aborda acontecimentos que nos atiram ao tapete, mas que nos fazem erguer maiores do que nós próprios. Também nasce do marco que o desenho de ontem tem na minha Vida. De certeza que querem ler mais?

Estive na cerimónia do Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples, depois de ter saído de uma consulta com o neurocirurgião. Vou andando devagarinho e vou andando, após mega-cirurgia à coluna por causa de uma hérnia discal que nada teve de simples, agravada pelo facto de ter nascido sem uma vértebra – comigo tinha que ser complicadinho… Ando em recuperação há três meses e hei-de andar. Andar, reparem na palavra! Felizmente encontro-me a Andar!! Pensamentos +++

Bom, vamos mas é ao Prémio! Então, lá estive num ambiente informal e abraçado, tal como já começa a ser hábito nos eventos da Acesso Cultura, da qual sou fã. Reparem nas palavras: Acesso, Acessibilidade e Cultura. Isso! Mais de Pensamentos +++

A Acessibilidade importa-me (mesmo que não soubesse disso assim por estas palavras)  desde que, com seis anos e meio, a minha mãe me levou a enfrentar a dura realidade de pessoas consideradas nessa época como deficientes profundas, ou seja, com limitações muito graves ao nível físico e/ou intelectual. Já se devem estar a perguntar sobre os motivos desta decisão. Foi para me fazer reagir, levando um duro e mega-abanão emocional. Fiquei sem conseguir Andar, após ter estado duas semanas hospitalizada em coma/semi-coma e a recompor-me de duas doenças gravíssimas (a segunda consequência da primeira) que ceifam quase sempre a vida dos adultos, quanto mais as das crianças que delas padecem: miningite e septicémia. Não havia qualquer explicação racional para ter deixado de conseguir manter-me de pé e dar um passo atrás do outro. Então a resposta deveria estar nas emoções… e a minha mãe levou-me ao local onde fizera estágio profissional com aquelas pessoas. Passei lá umas horas, estive com uma fisoterapeuta e saí de lá a Andar novamente e abanada para sempre com um novo olhar para a coisa que é Viver.

Desde então, já lá vão 34 anos, nunca mais Parei… dentro da cabeça pelo menos! Tenho uma louca fobia de estar sem fazer nada… Isso é um desperdício de tempo acha a minha mente. Coitado do meu corpo! Imaginem que estive dois meses na cama a olhar para o tecto… a ter sobretudo pensamentos negativos e ideias parvas. Inventei o Salto Virtual que logo se verá o que vai dar…

Foca-te, concentra-te, Rita! O Prémio! Tem como objectivo chamar a atenção para a necessidade de clareza da linguagem escrita para promover Acessibilidade Intelectual às pessoas que desejam usufruir da Cultura. A Clareza, esse monstro com que luto diariamente, tanto ao nível profissional como pessoal! Este post é exemplo disto mesmo. Clareza e emoções no mesmo texto… está bem, está!

Cerimonia_Premio LS AC_13mar2018_Por_Rita Care_cores_1200

Lá estive muito orgulhosa de fazer um bocadinho parte da Acesso Cultura e desejosa de contribuir. Fui sem saber se conseguiria mesmo lá estar, quanto mais fazer um desenho de pessoas! Fui sem expectativas. Logo se veria o desenrolar dos acontecimentos no meu corpo, que de vez em quando ainda fica extenuado mesmo com esforço mínimo. Mas meti o caderno e a caneta na mala antes de sair de casa. Talvez inspirada pela relevância deste Prémio desenhei em público e desenhei pessoas! Consegui e percebi assim que regressei oficialmente à minha vida activa, mesmo que ela tenha de ser o mais leve e lenta possível… para sempre.

Parabéns ao Museu da Presidência pelo Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples e à Formas Efémeras (que nome tão giro!) pela Menção Honrosa. Obrigada aos Membros do Júri, que tiveram uma clara trabalheira, ao Teatro Nacional D. Maria II, a todos os que tornaram este evento possível e à Acesso Cultura.

Desenho_PremioACLS_PorRitaCare_FotoPorMariaVlachou

Maria Vlachou, obrigada por teres tirado esta foto com o meu caderninho abraçado por mãos! Fiquei muito emocionada!

 

Rabiscos de Ideias | Luis Ruiz Padrón sobre Desenhar

O Urban Sketcher Espanhol Luis Ruiz Padrón fez a comunicação “Desenhando a Cidade”, em Novembro passado, na Fundação Arpad Szene Vieira da Silva (FASV).

Aqui ficam os rabiscos de ideias que virão também a ser publicados no meu outro blog, há tempo demais ao abandono.

Cada vez gosto mais de concretizar este tipo de desenho de ideias :)

Rabiscos de Ideias (Sketch Notes) da comunicação "Desenhando a Cidade", Luiz Ruiz Padrón
Rabiscos de Ideias (Sketch Notes) da comunicação “Desenhando a Cidade”, Luis Ruiz Padrón
Rabiscos de Ideias (Sketch Notes) da comunicação "Desenhando a Cidade", Luis Ruiz Padrón
Rabiscos de Ideias (Sketch Notes) da comunicação “Desenhando a Cidade”, Luis Ruiz Padrón
Rabiscos de Ideias (Sketch Notes) da comunicação "Desenhando a Cidade", Luiz Ruiz Padrón
Rabiscos de Ideias (Sketch Notes) da comunicação “Desenhando a Cidade”, Luis Ruiz Padrón

Rabiscos de Verão num caderno em acordeão

Durante o Verão de 2017 usei este pequeno caderno quadrado e criado em acordeão, (conhecido também por leporello) oferecido pela Teresa Ogando. Pensei que seria óptimo para contar histórias sequenciais das férias. Alguns desenhos foram feitos à vista e outros de memória. Alguns são representações desenhadas, actualmente denominadas por “sketchnotes” ou rabiscos visuais de ideias ou conceitos.

Há um desabafo sobre a minha “ciática” num dos últimos desenhos do caderno… Esse comentário chega aos dias de hoje, mais de seis meses depois em forma de caminho para resolver uma grave hérnia discal, à qual fui operada no final do ano. Nessa altura, não poderia imaginar o quão grave era a minha real situação…

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Biblioteca Viva sobre o Mar

No principio do ano passado, participei num encontro da Jaws que explorou o conceito de Biblioteca Viva, no Museu do Mar, em Cascais. Uma varina, um pescador, uma antropóloga, uma oceanágrafa e um surfista falaram sobre a sua experiência profissional. Criei cinco duplas páginas correspondentes a cada uma das testemunhas, mas partilho apenas estas, que foram as primeiras, porque não gosto das outras e não representam bem o momento, talvez porque já estava muito cansada. No final lanchámos todos e foi mesmo muito interessante conversarmos descontraidamente com a Varina e com o Pescador, com idade para serem meus avós.

Notem, por favor, que algumas das informações incluídas nos balões de fala podem não estar correctas. Tive essa sensação quando estava a escrevê-las lá ao vivo.

Podem saber mais no  link deste projecto e ver a reportagem fotográfica.

RitaCare_BibliotecaViva_MMar_Jaws,_Cascais2017 (1) _ 1200
A Varina
RitaCare_BibliotecaViva_MMar_Jaws,_Cascais2017 (2) _ 1200
O Pescador
RitaCare_BibliotecaViva_MMar_Jaws,_Cascais2017 (3) _ 1200
A Antropóloga e Directora do Museu do Mar

Exposição a decorrer em Santos, Lisboa | + de Rabiscos com Ciência

Este blog anda estranhamente quieto. Não é que eu não rabisque e aguarele por aí, mas não me tem apetecido escrever e por isso não tenho publicado posts, que reúnem esses desenhos por temas. Quem me segue no Instagram sabe que não estou quieta nos rabiscos… No instagram não conto histórias como aqui…

Expo-PlantLabSketching-Facebook
Cartaz da Isa Silva

Estou para ali a actualizar a barra lateral com a novidade de que a exposição dos desenhos concretizados no instituto de investigação ITQB NOVA entrou em itinerância. Está desde 8 de Novembro de 2017 no Bar Irreal, em Santos, Lisboa, como o título “PlantLab Sketching”. Termina no dia 30 de Novembro, com uma conversa com um investigador em Biotecnologia de Plantas e um encontro do grupo Foto&Sketchers 2 Linhas.

Fui qualquer coisa como a “curadora”. Geri a recolha de digitalizações e contacto com o designer que preparou as imagens para serem impressas, escrevi o texto de introdução e as legendas das imagens, com ajuda da Joana Lobo Antunes, coordenadora do gabinete de comunicação do ITQB e ajudei na montagem no bar.

A exposição inclui também desenhos meus concretizados em visitas guiadas a laboratórios de Biotecnologia para o melhoramento genético de plantas com interesse agrícola. A seguir vai para uma escola de ensino secundário. Mais informações e exposição online ALI

Aveiro – Santa Maria da Feira

Aveiro
– Santa Maria da Feira – 

Junho 2017
Por Rita Caré

Álbum Completo

 

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Reportagem Desenhada | Conversas sobre o Indizível nos Museus

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Reportagem Desenhada
Conversas sobre o Indizível nos Museus
| Publicado em XZibit Art |

Como se diz o indizível nas exposições e nas colecções de museus? Que histórias são essas? O que fica por dizer? Pode-se ou deve-se dizer tudo sobre um objecto ou sobre uma personalidade histórica? Que abordagens são utilizadas para contar o indizível? Estas eram algumas das questões que pairavam no início do mais recente debate da Acesso Cultura, organizado no Museu do Dinheiro, no passado dia 18 de Abril de 2017.

A Acesso Cultura quis assim lançar a reflexão sobre o tema escolhido para o Dia Internacional dos Museus a celebrar-se um mês depois, em 18 de Maio: “Museus e histórias contestadas: dizer o indizível em museus”.

Ao longo da conversa, animada e em tom informal, participaram convidados de alguns museus Portugueses: Clara Vaz Pinto e Xénia Ribeiro do Museu Nacional do Traje; José Pedro Sousa Dias do Museu Nacional de História Natural e de Ciência; Luís Farinha do Museu do Aljube; Maria José Machado Santos e Marta Guerreiro do Museu da Marioneta; e Sara Barriga do Museu do Dinheiro. O debate foi moderado por Ana Rita Canavarro, Museóloga.

Luís Farinha destacou que o indizível no Museu do Aljube – Resistência e Liberdade é, por exemplo, o silenciamento e o secretismo das histórias de humilhação, clandestinas e abstractas de presos políticos da época da Ditadura Salazarista e que ainda estão vivas. Neste museu o indizível é explorado, por exemplo, através de conversas e visitas guiadas.

No Museu da Marioneta existe uma grande dificuldade em expor os objectos, pois as marionetas são construídas para serem utilizadas por actores facilitadores dos seus movimentos e em contexto de peças de teatro ou performances, explicou Marta Guerreiro. Expor uma marioneta pode ser visto como um contra-senso em relação à sua natureza, não devendo ser exposta como um ser inanimado.

Indizível é também a dificuldade dos museus em comunicar com os visitantes em exposições sobre temas científicos, chamou a atenção José Pedro Dias. Ainda neste contexto, Luís Farinha destacou a dificuldade em fazer compreender aos visitantes a violência física e emocional sentida pelos presos políticos.

Alguns dos convidados defenderam a necessidade dos museus tomarem uma posição, ou seja, de não serem neutros em relação a temas específicos, e também de criarem desconforto nos visitantes, abordando memórias e conflitos dolorosos. Consideraram ainda que os museus podem contribuir para a compreensão mútua e para a reconciliação, mesmo que não criem consensos.

Questionada sobre qual a relevância de “dizer o indizível” do ponto de vista da Acesso Cultura, Maria Vlachou (Directora Executiva) destacou que “É mesmo uma questão de relevância: a relevância dos museus para as pessoas. Cada história que não se diz é uma pessoa a quem não é dado reconhecimento. Esta questão do indizível diz respeito a vários aspectos do trabalho dos museus: às suas colecções, ao que lá está e não está, ao que se mostra e não se mostra, à forma como se interpreta cada objecto, ao perigo das “histórias únicas” (no sentido das versões únicas), às relações que se criam ou não se criam com as pessoas, ao seu envolvimento ou à sua exclusão.”.

A Acesso Cultura é uma associação sem fins lucrativos que tem como missão a melhoria das condições de acesso – físico, social, intelectual – aos espaços culturais e à oferta cultural. Maria Vlachou acrescentou ainda: “Não há condições de criar acesso se não se procura ser relevante na vida das pessoas. Se não se for relevante, podemos muito bem perguntar: Acesso a quê? Para quê?”

A sessão foi traduzida em Língua Gestual Portuguesa por Maria José Almeida, com o apoio da Escola Superior de Educação de Setúbal.

Desenho e texto: Rita Caré
NOTA
O resumo deste debate,
que aconteceu em diferentes cidades em simultâneo,
está disponível AQUI