Rabiscos para o Jantar

Há muito tempo que não fazia um desenho durante uma refeição que gostasse tanto como este. É que o fiz durante toda a noite, durante conversas com petiscos e em companhia de quem não rabisca.

É impressionante como o desenho nos ajuda a ouvir melhor com muita atenção. Mesmo! Claro, que quando respondia parava, porque como todos os sketchers sabem é impossível desenhar e falar ao mesmo tempo. Mas isso foi uma agradável sensação, porque este desenho demorou as várias horas através das quais as garotas da faculdade estiveram no Tati (Cais do Sodré, Lisboa), a pôr as novidades em dia. Elas ficaram impressionadas com o desenho e eu com o que me diverti a desenhar naquele contexto, com a caneta de aparo com a ponta dobrada e a tinta azul da Noodlers neste caderno e com o lápis de cor mágico da Koh-i-Noor amarelo, vermelho e azul escuro (é muito melhor que os de outras cores!).

Imaginem que até houve refilisse sobre o desenho estar muito inventado, porque os objectos não são bem assim e estão fora do lugar. Adoro inventar um bocado este tipo de locais, porque arranjo tudo como se fosse eu que ali vivesse ;-)

Segredo: esta caneta de aparo rasca, que imita uma Sailor, às vezes falha e isso tira-me do sério. Então, percebi que se deitar uma gota de água misturada com a tinta no reservatório, a tinta flui melhor na ponta!! Ouviste Teresa Ogando? ;-)

Rita Care - Rabiscos para Jantar - 1Ago2017 - red

Lápis-de-cor em aguarela com Maru Godas e Santi Sallés e ainda…

Lápis-de-cor em aguarela
com Maru Godas e Santi Sallés e ainda…

O Workshop da Maru Godas e do Santi Sallés, no Sábado passado, na Casa Atelier Vieira da Silva, despertou-me a vontade de voltar aos lápis-de-cor com ou sem aguarelas. Gosto tanto deste material e quase nunca o uso, porque não me apetece andar com mais peso extra na mochila…

Rita Caré com Santi Sallés e Maru Godas - Aguada e Lápis-de-cor

Este foi 1/2 do desafio do Santi… É que eu não dei tantos detalhes como ele exemplicou para dar movimento e cor ao desenho. Quis muito terminar este desenho tal como está. Acontece-nos e é muito importante seguir a intuição de que é agora que temos que parar. Só com a experiência aprendemos quando chega esse momento.

Vou continuar a experimentar este estilo naif! Ah pois vou!

Rita Caré com Santi Sallés e Maru Godas - Aguada e Lápis-de-cor

Cá está o desafio mal amanhado que a Maru propôs. É que não percebi o que era para fazer…. Também estas rabiscadelas na palmeira estão uma bela “Mierda”. Enfim, se não errarmos não sabemos o que não queremos.

Rita Caré com Maru Godas - Guache

Entretanto, a Maru Godas brindou-nos com um workshop sobre guache com o objectivo de o testar para o que vai realizar em Chicago no próximo Simpósio Internacional dos Urban Sketchers. Cá estão alguns dos resultados. Nas férias quando apanhar os guaches da minha mãe a jeito vou-me divertir com eles!

Além disto ainda “aprendi” novo vocabulário USk: “MiERDA”, “NÃO SOFREIS”… “Estais hacendo Trampas?”. Sim e é maravilhoso ;-)

Rita Care - WS - Maru Godas - Guache, Lisboa - Jul 2017

 

 

 

Aveiro – Santa Maria da Feira

Aveiro
– Santa Maria da Feira – 

Junho 2017
Por Rita Caré

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Nas contas explosivas com a vida e a Fábrica da Pólvora de Barcarena

No final de Maio de 2017, o grupo Foto&Sketchers 2 Linhas, que coordeno, celebrou 2 anos de existência e 50 actividades. Isto significa que muitas dessas actividades foram concretizadas quando escrevia a minha tese de mestrado… Nunca desisti da sua organização, porque nas dores desse trabalho, os encontros e as expedições de rabiscos e de fotografias foram o meu balão de oxigénio.

Entreguei a tese em Abril de 2016 e discuti só no Outono… Ainda hoje sinto que foi o maior desperdicio do meu tempo e do tempo da minha orientadora e também do meu dinheiro… Mas foi feito e pronto. Fico muito feliz por não ter abandonado as minhas actividades lúdicas em prole de algo que sinto jamais me servirá para o que quer que seja, com excepção de ficar a saber exactamente o que não quero para mim.

Para que é que ainda penso no assunto passado estes meses? Porque estou a ajustar contas à vida. Faço sempre um balanço, mesmo que inconsciente, na altura do meu aniverário. Vou fazer 41 anos e sei cada vez melhor que não quero perder tempo com aquilo que não serve para nada e com pessoas que não tem nada para me ensinar nem que têm abraços para me dar!!

Este post espelha o meu estado de espírito um pouco explosivo, mesmo a calhar com o tema da 50ª Actividade dos Foto&Sketchers 2 Linhas, um encontro na Fábrica da Pólvora de Barcarena, em Oeiras.

PUMMMM!!!

Agora, mais vale focar-nos só nas estrelas deste primeiro desenho com PENSAMENTOS POSITIVOS ;-)

Mais rabiscos e fotos desse encontro AQUI

Rita Care - Fabrica Polvora - 21mai2017 (1) - 1024

Rita Care - Fabrica Polvora - 21mai2017 (2) - 1024

 

Rabiscos com Karina Kushnir

A Karina Kushnir, do Rio de Janeiro (Brasil), é Professora de Antropologia Cultural e de Antropologia Visual – imaginem… esta disciplina existe mesmo! :) – , é Urban Sketcher e autora de um blog recheado de textos e desenhos Super!

A partilha da Karina no seu blog tem sido importante para mim ao longo dos anos pois, para além dos seus desenhos, ela escreve muito sobre academia e ciência e as dores de habitar nesse mundo [que às vezes parece extra-terrestre…]. Sendo assim, foi com muito entusiasmo que apareci naquele dia de Janeiro deste ano, já há quase 4 meses…

4 MESES?!? Onde é que andaram estes desenhos?! Pois… Não gostei particularmente dos desenhos que fiz e nesse dia tive um “probleminha” quando saí do workshop… Ups… o meu carro foi rebocado porque, com todo o meu enorme entusiasmo, estacionei-o em frente a um portão de garagem sem dar por nada… cabeças no ar e um grave rombo na carteira e nos nervos.

Bom, apesar de toda a confusão ainda fui ao seu seminário a meio da tarde! Foi uma das melhoras aulas à qual assisti na vida! É que tudo bem argumentado com entusiasmo e emoção é a minha “cena” nerd. Sobre essa aula hei-de voltar, após a Karina publicar mais informação sobre a sua viagem a Lisboa. Quero fazer a minha reflexão sobre o que ela abordou depois de ela própria o fazer.

As propostas incluiam três desenhos, mas não estava para aí virada e só fiz dois durante a manhã. A sua produção foi concretizada a partir da ideia de que, do ponto de vista Antropológico, os objectos existem num contexto social, enquadrados num Tempo, num Espaço e  nas relações sociais existentes.

Rita Care - Com Karina Kushnir - Casa Vieira-Silva - 2017 (1) - 1024
1ª Proposta – O Tempo

Primeiro o Tempo, num registo de temporalidade do lugar a explorar (data, estações do ano, objectos e coisas que representem o efémero ou o eterno/permanente,…). Depois as Relações Sociais, num registo da representação do que está vivo, se mexe, como o movimento das pessoas, animais, plantas, carros… Por último, que não cumpri…, foi a vez do Espaço, num registo de ampliação do local criando, por exemplo, um mapa do lugar explorado.

Rita Care - Com Karina Kushnir - Casa Vieira-Silva - 2017 (2) - 1024
2ª Proposta – O Movimento

Antes do seminário da tarde, sentei-me no café da Fundação Arpad Szene – Vieira da Silva com os olhos vidrados nos azulejos e nuns objectos antigos por baixo da janela…

Rita Care - Com Karina Kushnir - Casa Vieira-Silva - 2017 (3) - 1024
Pérolas do bar da Fundação Arpad Szene – Vieira da Silva

Sobre o seminário, voltarei em breve…