O Silêncio dos Livros

A busca pelo Silêncio percorre impetuosamente a minha vida nos últimos 15 anos. O ruído da minha segunda década e meia foi ensurdecedor…

Raramente me dá para rabiscar em casa. Mas isto do tablet leva-me à estranha actividade de desenhar debaixo dos cobertores, enterrada no sofá ou dentro da cama…

Este rabisco foi inspirado no livro “Um minuto de silêncio” que mora entre muitos outros, mas que me salta ao olho, porque sei do seu conteúdo (a maioria dos textos não é muito interessante, mas às vezes basta umas frases para mantermos um livro por perto). É o único colorido em cima da cómoda.

A propósito da pesquisa que fiz sobre o título descobri outro livro que me deixou muito curiosa: “O Livro do Silêncio” de Sara Maitland.

O livro mais silencioso que (re)li foi o “O Teu Deserto” de Miguel Sousa Tavares.

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Este desenho tem outra curiosidade permanente na minha vida: aquele frasco é CKOne que uso há 20 anos. As almas mais irrequietas precisam de manter alguns hábitos que lhes mantêm a coerência para não se perderem de si próprias. É incrível um perfume manter-se em venda durante tanto tempo. Escusam de inventar alternativas, porque não há como o primeiro ;-)

 

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«Arrumações» no Desafio nº 100 – Histórias com 77 Palavras

Este blog é cada vez mais a reunião de todas as minhas paixões e necessidades: a escrita, a fotografia e finalmente o desenho (imagine-se… de todos, o desenho vem em última prioridade…). Entretanto abri um acesso aos desafios “77 Palavras” da escritora Margarida Fonseca Santos (MFS) nos quais já participei: com textos no blog, textos lidos por ela na Rádio Sim e em breve também num livro e num jogo organizado pela escritora. Mas que tempos fantásticos de projectos concretizados! =)

Logo Histórias em 77 Palavras da Escritora Margarida Fonseca Santos

Há algum tempo que não participava no projecto  77 Palavras da MFS. Doía-me a ideia de o fazer, por questões extremamente pessoais do (des)Amor. Mas um 100 é para festejar!! Este Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»  veio mesmo a calhar num dia em que pela minha contabilidade escrevi mais de 1800 palavras (depois de cortadas, recortadas, vistas, revistas, ordenadas, reordenadas e revistas novamente), tirei fotos (escolhi seis), fiz dois desenhos com colagens, um vídeo com chuva, respirei, senti-me feliz e chorei convulsivamente pelo alívio que é arrumar a vida de alguma forma, seja em palavras, em desenhos, fotos ou vídeos.

O desafio saiu assim:

ARRUMAÇÕES – Desesperadamente precisava de escrever tanto. A cabeça é sempre a mil. Muitas vezes fica baralhada e nem sempre consigo fazê-lo para me reconstruir. Acordei, dei por mim a escrever há já duas horas. Não conseguia parar… É um alívio sentir esta arrumação das emoções. À noite vou dormir em harmonia, silêncio interior e sorrir a pensar no belo e nas pessoas que estão comigo a construir as nossas Vidas… Arrumo-me e é por isso que me escrevo.
Rita Caré, 39 anos, Carcavelos
in  Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»
Projecto 77 Palavras da escritora Margarida Fonseca Santos

Acho que 2015/2016 será o ano de reunir todos os feitos belos e estéticos em que me vi envolvida nos últimos anos e de me refazer com base neles! Que coisas incríveis me têm acontecido e que pessoas maravilhosas tenho conhecido nos últimos 12 anos!! A Margarida é uma delas! Que ser humano cheio de Força Interior!

Experimentar as cidades em diários gráficos para Meditar

«Para Baudelaire, que teorizou sobre o dandismo, em especial em Paris, “flâneur” era “uma pessoa que anda pela cidade a fim de experimentá-la”. Já a “derivé” de Guy Debord era algo diferente. Eu simplesmente vagueio e medito.»

por Leonel de Jesus – Um Dândi na Cidade, Umbigo

Hoje li este texto “Já tomaste a tua meditação hoje?” e recordei que ainda não publiquei aqui os desenhos do último encontro “Com Rabiscos: Vamos ver “Mr. Turner” ao Cinema Ideal“. A associação de ideias tem o ponto comum disto de experimentar as cidades… já não sei viver as cidades sem vaguear nelas e sem as “experimentar” em cadernos.

A dura verdade [pelo menos para mim] é que não é sem algum tremor cá dentro que assumo que a ideia de andar pelos campos já não me atrai e a experimentação de aldeias e vilas não me atrai tanto como das cidades… Percebo bem porquê: são espaços mais pequenos, com menos gente, onde não consigo experimentar em cadernos de forma anónima ou sem que alguém me aborde… É que eu quando experimento os espaços citadinos nos cadernos procuro evaporar-me, esgueirando-me para O Silêncio.

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Entrada do Cinema Ideal – Rita Caré 2015

Antes do encontro de ontem do cinema ao Elevador da Bica pintalguei as manchas de aguarela. Por acaso gostei das duas para os desenhos do encontro.

O desenho da entrada do cinema Ideal ficou por terminar, porque eu estava com muita curiosidade para ir ver a manifestação “Je suis Charlie” que estava a acontecer em silêncio ali ao lado no Largo do Camões.

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Vários momentos entrelaçados do Largo do Camões até ao Elevador da Bica – Rita Caré 2015

Este último desenho representa vários momentos do Largo do Camões até ao Elevador da Bica, passando pela Manteigaria União que não parava de avisar os transeuntes, com o toque na sineta por cima da porta, que novas fornadas de pasteis de nata estavam a sair. Tivemos que ir bisbilhotar, claro!

Sobre o filme “Mr. Turner” não percam. Senti falta de um pouco mais de contexto na história dos últimos anos da vida do pintor, mas as imagens do filme, desde as paisagens aos detalhes, são muito belas. E como disse o Manuel Tavares nós nunca mais veremos os quadros do Turner da mesma forma…

Ficou a livraria do cinema Ideal por rabiscar, porque adorei o sítio!

Mais informações sobre o encontro, fotos e desenhos ALI 

Na RÁDIO – 77 Palavras com a Voz de Margarida Fonseca Santos

Bom pincel, folhas de aguarelas, palete de cores…
Saberes de aguadas também.
É no abismo dos oceanos que melhor habitam as assombrações da alma.
O papel pintado de mar verde azul negro – e tons quentes também – para calar os fantasmas:
Calar-lhes os sopros: guinchos agudos.
Até os dançar para o fundo abissal: serenar-lhes o espírito: libertá-los.
Ser Livre é ter
Tempo
De lhes
Falar, de os aguarelar num diálogo oceânico só nosso para nos Silenciarmos.
Rita Caré (Papiro papirus)
Desafio nº30 do projecto 77 Palavras da escritora Margarida Fonseca Santos