Os comboios estavam mesmo a “pedir” para os desenharmos.
Ninguém diria que os sketchers são pessoas sociáveis pelo silêncio do ambiente rabiscatório, aparentemente quieto, com que que os visitantes “normais” se deparavam ao chegar à rotunda das locomotivas. Se tivesse desenhado o grupo naquele momento teria colocado umas nuvenzinhas de fumo a sair de todas as cabeças e da ponta das suas canetas a rabiscar avidamente parafusos e perspectivas dificílimas!
Primeiro explorei as diferentes zonas do museu para perceber as possibilidades e conhecer o espaço. Só depois decidi sentar-me em frente a esta locomotiva para evitar meter-me em grandes sarilhos. Era das locomotivas mais pequenas. Desenhei-a assim de lado e em contraluz para evitar ver detalhes. Confesso! Evitei enfrentar qualquer perspectiva desesperante no meu caderno.
Durante o almoço desenhei um clássico: o Vicente! Só agora reparo que ele parece estar a cair de sono para dentro da sopa… Mas gosto muito do resultado da camisola…
Para finalizar o meu dia dediquei-me ao que mais gosto no urban sketching: composição de pequenos objectos preciosos na dupla página e aguarela.
P.S. Este caderno é também ele uma pérola.
É uma antiga agenda desusada, oferecida pela Teresa Ogando,
que estou a adorar usar com aguarela.



