Apanho a Lua e oiço os pássaros no coração das árvores

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Mas que drama de aparo e alguidar…

Mais uma vez, num belo dia qualquer sem eira nem beira, recebo um e-mail da escritora Margarida Fonseca Santos declarando que vai ler 77 das minhas palavrinhas sobre um dos seus desafios!

Vai daí, cá está o programa da Rádio Sim no qual ela literalmente declama o dramalhaço de aparo e alguidar.

É uma sensação muito esquisita esta de nos lerem assim na rádio… Mas é giro!

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77 PALAVRAS ? Escrita ameaçada

77 Palavras ? Escrita ameaçada

Caligráfica não parava. A morte abeirava-se: líquida, brilhante, negra… Acordou histérica mesmo antes de morrer afogada. Rebolando contra o tinteiro, a preciosa caneta partiu uma das extremidades do seu aparo.

O tinteiro, caído, derramou-se para cima do papel de algodão. Caligráfica atirou-se ao papel e, com a ponta ainda inteira, escreveu uma mensagem coxa:

Chamem o 111! Na hora da nossa morte tresanda a tinta negra.

Não há mais como escrever histórias. Perder-se-á para sempre o pensamento…

Rita Caré, 40, Carcavelos
In Desafio nº 111 – linha de atendimento 111
Projecto “77 Palavras” da escritora Margarida Fonseca Santos

Nota – Este texto foi depois lido pela escritora na Rádio SIM

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77 Palavras | O sonho que é a Vida dos srs. Espanto

O sonho que é a Vida dos srs. Espanto

O srs. Espanto são crianças eternas. Uma certa ingenuidade nunca lhes falta.
Habitam sonhos acordados sem telhados.
Desejam que sol, chuva, folhas secas, bichos voadores lhes entrem p’la casa adentro.
Vivem sempre com um olho aberto mesmo com o outro fechado.
Nada lhes escapa nas cores e nos movimentos das paisagens.
Suas lágrimas são resolução de medos.
Os srs. Espanto alimentam-se de criatividade e reutilização de (des)llusões.
Nós, Espantados, somos espantalhos de pessimismos e abraçamos a procrastinação.

Rita Caré, 39 anos, Carcavelos
in Desafio RS nº 34 – frase de Mia Couto
Projecto 77 Palavras da escritora Margarida Fonseca Santos

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Cartas-Postais de Natal enviados em Fevereiro…

Primeiro criei os três originais a partir de folhas de um livro de desafios de desenho, pintura e escrita criativa para crianças. Pensei em enviar apenas para o trio com quem criei, no Natal, um projecto de troca de cartas-postais durante 2016.

Rita Care - Cartas-Postais-FS2-Fev2016 - red (1)

Mas depois pus-me a olhar para eles e pensei que este ano não enviei postais de Natal a ninguém… Sendo assim, fotocopiei a cores três exemplares de cada um destes cartões e coloquei em nove envelopes, já preenchidos com os respectivos nomes e moradas de forma aleatória, porque não me consegui decidir a quem é que deveria enviar qual cartão…

Rita Care - Cartas-Postais-FS2-Fev2016 - red (2)

Fiquei com os originais e colei-os num caderno que tenho para colar postais que me enviam ou trabalhos que me oferecem.

Rita Care - Cartas-Postais-FS2-Fev2016 - red (3)
Onde é que está o “Wally”…? Onde é que estão as 4 gafes neste cartão…? Cabeça de “alho chocho”… A vida [vírgula] tal com[O] as páginas [vírgula] brilha + com LUZ!
Produzi esse caderno, num curso de encadernação Japonesa, onde também estavam a Dina e a Raquel. Depois desse curso percebi que este tipo de cadernos só me serve mesmo para criar álbuns e nunca para rabiscos. A parte lateral da colagem e da costura não permite que o caderno abra totalmente a 180º… ora qualquer sketcher experiente já percebeu que estes cadernos são bons para apanharmos grandes camadas de nervos… e isso é o que não queremos para as nossas vidas e muito menos quando estão envolvidos rabiscos! ;-)

Durante muito tempo não sabia o que fazer com ele. Agora já sei!
É o Caderno dos Abraços!   :D

Rita Care - Cartas-Postais-FS2-Fev2016 - red (4)

Vá respondam-me para eu adicionar mais cartões ao “Caderno dos Abraços I”, sim?

Apesar de ter enviado 9 cartas, ainda não enviei as cartas para toda as pessoas que quero que recebam uma carta-postal de “Natal”. Essas pessoas irão receber algo muito diferente. De seguida vou dar destino a 4 postais de 2 autores que tiveram um papel muito importante para a minha vida dos rabiscos! Tenho os postais há anos. Já olhei muito para eles e agora contaram-me que querem ir agradar as vistas de outras pessoas…! Imaginem… os objectos cá de casa falam comigo…

[77 Palavras] Pt-UK: Ausência que se desvanece ou nunca houve…

Chuva a potes e vento na rua não nos demovem de fazermos desvanecerem-se cinco anos de ausência e milhares de quilómetros de distância. Aconteceu outra vez! É como se nos conhecêssemos desde sempre. Conheço-a há 14 anos, mas com ele estive seis vezes! Numa estranha e imensa vontade: Abraço-os, dou-lhes Beijocas nas bochechas, não quero parar… Brinquei aos Rabiscos – a amarelo, vermelho e azul – com as suas faces surpresas de emoção e expresso-lhes assim o Amor Eterno.

Rita Caré, 39, Carcavelos

30Dez2015-PT-UK no CascaisShop (3) - 1000  30Dez2015-PT-UK no CascaisShop (4) - 1000

Desafio Escritiva nº 3 do Projecto 77 Palavras da escritora Margarida Fonseca Santos – texto com: chuva, vento, amor, azul,vermelho e rua

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Se quiser saber mais sobre esta história leia e veja os meus desenhos neste LINK.

“Caça-Rabiscos” | “Skethers-Hunter” por Amélia Monteiro e Alexandra Alexandre

A propósito da magnífica foto que a Amélia Monteiro me tirou durante o último encontro dos Urban Sketchers Portugal, no Cais Palafítico da Carrasqueira, uma outra amiga de longa data, a Alexandra Alexandre, resolveu brincar com as palavras, com as memórias de infância que ambas temos do trabalho de David Attenborought – uma das nossas referências na Comunicação da Vida Selvagem e do Planeta Terra – e com o facto de a Alexandra conhecer bem a minha paixão pela bicharada.

As duas não se conhecem, mas a fotografia e a escrita criativa fazem parte intensa das suas vidas. As duas no seu melhor e eu emocionada!

Fotografia de Amélia Monteiro

«There, among the wild meadows of the Cais Palafítico, the sketcher awaits her prey, trying to blend with the vegetation, just like a chameleon. Her hunting pose, one of perfect concentration and perseverance, shows us how the next few hours will develop: sitting on her canvas and metal chair, pen and notebook in hand, the sketcher becomes one with the landscape and her whole self is focused on the task ahead; the lines and the dots connected, the watercolours spread over the sheet, the sea creatures captured on paper and colour, in a forever moment. And all this achieved as she shakes off those damn mother-f*cker mosquitoes, with a roar that echoes across the marsh: “Get the f*ck off me you b*stards! I’m an artist, don’t you know?” »

Fotografia de Amélia Monteiro | Texto de Alexandra Alexandre

Palavras e Desenhos de Viagem – Caminhos para Diários cada vez mais elaborados

Palavras e colagens existem nos meus cadernos desde miúda. Nos últimos tempos tenho utilizado cada vez mais balões de falas e caixas com breves textos nos diários gráficos. Mas incluir texto “a sério” depois de re(re)((re))[RE]visto e compô-lo de forma pensada numa dupla página ainda não.

Digo ainda, porque talvez o workshop deste último fim-de-semana com a Raquel Ochoa e o Eduardo Salavisa venha a ter consequências nos meus desenhos para lá do que estava a imaginar. É que depois de terminados os dois dias intensivos de palavras e desenhos de viagem em Vila Franca de Xira, estou a refazer os exercícios de texto, a tratar as imagens e a experimentar a função de texto digital com muita convicção. Isto dá uma trabalheira! Demorei mais tempo a tratar o texto assim do que em cada rabisco, mas fica mesmo giro!

No 1º desafio (desenho-texto) criei apenas apontamentos em redor do desenho do Rui. Pensei e repensei na nossa conversa-viagem e recreei assim o exercício.

Rita Care - 20jun2015 - BMFVX - Texto - 72

O 2º desafio está publicado ali no RABISCOS de LETRAS. Era apenas de letras, mas não resisti a compor a tontaria do meu texto com desenhos.

Ao 3º desafio (de desenho) fui acrescentando palavras durante as sessões. Os rabiscos e os significados pessoais do local foram crescendo com o tempo e a reflexão.

Rita Care - 20jun2015 - BMFVX - 72 - Original - 2

O 4º desafio foi mesmo só texto que não saiu do caderno.

O 5º cá está ele. O texto incluído do desenho foi um extra que fui pensando ao longo do desenho que durou umas horas a construir.

Rita Care - 20jun2015 - BMFVX - 72 - Texto - 4

O 6º desafio ficou-se mesmo apenas por um texto que não gostei particularmente. Isso de escrever à mão em cadernos não é de todo a minha zona de conforto, mas talvez volte a ele um destes dias de dedos nas teclas.

Em jeito de conclusão, penso que passarei a partir para o desenho logo com libertação de espaços para incluir textos. Se o farei mesmo, apenas o futuro dirá.

Reportagem: DESENHOS-MISSIVAS no Museu das Comunicações

Fica aqui o resumo do Workshop “Missivas” de uma exposição em diários gráficos que orientei no Museu das Comunicações – FPC, em 28 fev 2015, inspirado na exposição “Missiva” de João Noutel.

É sempre muito motivador descobrir novas caras entusiasmadas pelos diários gráficos e muito reconfortante rever quem já conheço usufruindo desta actividade que, mais do que tudo, nos faz tão bem à Vida.

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[Grupo na exposição “Missivas” | Foto de Ana Ferreira]

O meu objectivo para o primeiro desafio foi “aquecer” o espírito de observação e estimular a “queda” de preconceitos negativos sobre a actividade de desenhar “bem” (sabe-se lá o que isso quer dizer…) e a descontracção, através de um dos meus exercícios preferidos: o desenho-cego do objecto “mais” tridimensional da exposição “Missiva” de João Noutel, o telefone “Eva Break”.

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[Desenho-cego “Eva Break” por Rita Caré]

Concretizámos um exercício de desenho semi-cego do mesmo objecto, cujos resultados não foram tão do agrado da maioria dos participantes, o que não me admira, pois o desenho-cego permite-nos captar a essência do que observamos de uma forma mais espontânea, forte, única… Talvez mais coerente com as nossas próprias emoções e significados. Foi também proposto aos participantes que em casa pesquisassem na Internet informações sobre a obra “Eva Break” para reflectirem sobre o objectivo na “Missiva” do autor e encontrassem os seus próprios significados.

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[Desenho “Tapete voador & Globo Terreste” por Teresa Ogando]

Para estimular a associação de ideias e a criatividade propus um segundo desafio com dois objectos: um da exposição “Missiva” e outro da colecção do museu. Reflectimos sobre as características e significados da obra “Encontra-me neste tapete voador” e de um globo terrestre e escrevemos dois pedidos que poderiam fazer um ao outro caso falassem.

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[Desenho “Tapete & Globo Terrestre” por Cristina Weber | Foto de Ana Ferreira]

Os desenhos foram coloridos ao gosto dos participantes com kits de aguarela e marcadores de gama infantil ou kits de aguarela de gama de estudante académico dos próprios participantes.

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[Desenho “Segredos” em postal por Teresa Ogando]

Foram distribuídos selos de correio normal dos CTT e postais de papel de aguarela para concretizar um terceiro desafio: escolher a obra preferida, desenhá-la e explicar o porquê da escolha. Todos foram convidados a enviar os postais ao próprio museu.

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[Desenho “Conversa” por Rita Caré]

Gosto de propor “desafios-tpc”: um desenho conversa entre um telefone “feliz”, uma máquina de escrever “analfabeta” e uma caneta dupla de aparo das “esperanças e dos sonhos”, sendo os desenhos baseados nos telefones da colecção do museu e nas seguintes obras expostas “Only for Happy News”, “Analphabetic Lovers” e “Hopes & Dreams”.

Ver Reportagem Fotográfica
por Ana Ferreirda FPC
 

Agradeço em especial a Cristina Weber pelo convite
e a Ana Ferreira pela ajuda na organização e pelas fotos.
E ainda o apoio dos Urban Sketchers Portugal.

Rita Caré, Março de 2015