Pérolas e peripécias: Pessoas em Madrid… em 2014

Tenho dezenas de desenhos para partilhar, não do último mês, mas desde antes do Verão até Dezembro de 2017 e até mais antigos. Estou, por isso, a dar volta a cadernos por terminar para lhes dar uma solução e percebi que não posso meter nenhum na reciclagem. Estão recheados de pérolas como estas aqui que já tinha partilhado, mas volto a fazê-lo, porque as recordações e a revisão das nossas vidas faz parte do que é Viver. Não gostava desses desenhos, porque ainda os acho mesmo muito feios, mas hoje, mais de três anos depois (2014), acho-os adoráveis. Representam o esforço que faço há muito tempo para desenhar pessoas. Representam a confissão de que sou tímida e não estou nada à vontade para desenhar seres humanos que não conheço e muito menos em espaços públicos.

 

Além disso, representam uma viagem muito agradável, apesar dos vários sarilhos em que me vi metida:

  • Primeiro foram umas calças rasgadas que a Isa notou quando saí do carro no aeroporto (felizmente tivemos tempo de ir ao centro comercial mais próximo, porque eu não levava nenhumas alternativas… aprendi essa lição! Levar sempre umas calças adicionais mesmo que seja uma viagem de um só dia);
  • O voo saiu mais de uma hora atrasado e perdi-me duas vezes no metro de Madrid, mas mesmo assim o casal que me alugou o quarto esperou por mim até quase às duas da manhã e ele foi-me buscar à porta do metro (para não se perder mais tempo já se vê…);
  • Conheci esse casal interessantissimo: ela bailarina e ele fotógrafo. Conheceram-se no dia em que ela lhe alugou um quarto no AirB&B, esse sistema que até hoje me deixa quase sempre boas recordações;
  • Fui em trabalho, mas aproveitei cada minuto para visitar Madrid, várias exposições e rabiscar o que pude.
  • Visitei pela primeira vez um museu à noite, o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia (eu bem vos digo que aproveitei todos os minutos!)
  • Visitei o Museu Arqueológico Nacional de Espanha e adorei. Estaria lá dias a fio…
  • Um dos desenhos que fiz nessa viagem foi muito tempo depois publicado na revista “Sketchers” nº5 dos Urban Sketchers Spain!

Para lerem mais sobre Madrid e a sua grande importância na minha vida visitem ACOLÁ

 

 

 

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Rabisco da Celeste Vaz Ferreira na NM

Fui hoje surpreendida por um “retrato” que fiz da Celeste Vaz Ferreira na revista Notícias Magazine, incluído no artigo “Urban Sketchers: mostrar o mundo, um desenho de cada vez

A Celeste pediu-me o rabisquinho que fiz numa manhã em que não me apetecia nada desenhar… muito menos cenas complicadinhas. Apetecia-me era criar aguarelas abstractas. Estava mesmo de cabelos em pé. Há lá melhor altura para fazer uns desenhos cegos…

Apanhei-a a jeito e cá está. Pediu-mo e eu fiquei estupefacta a olhar para ela.

– Está bem, mas não gosto assim muito…

Disse-me que depois me dizia para que queria o desenho…

A noticia chegou hoje. Ainda bem que ela gosta, porque eu nem por isso. Isto dos rabiscos é assim: uns gostam muito, outros “assim assim” e outros não gostam nada.

 

Celeste Vaz Ferreira na Noticias Magazine por Rita Care 2017
Desenho da Celeste Vaz Ferreira publicado na Notícias Magazine em “Urban Sketchers: mostrar o mundo, um desenho de cada vez”

 

P.S. Quem lhe chamou retrato foi a revista não fui eu… Diria que um retrato é algo assim como este desenho aqui da Tia Raquel.

Rabiscos “cegos” na Marina de Oeiras ao sol

Este sol de Inverno… A Luz é tão bonita à beira rio-mar em Oeiras. A companhia muito divertida e combativa;-)
Mas lá os convenci! Que divertido que foi! Que é!!

Para ver melhor é clicar nas imagens, por favor.

 

Jantar e almoço do Adeus…

Os congressos científicos têm sempre um jantar de gala… quer dizer com os cientistas das coisas da agricultura e da biologia é mais um “farewell dinner” para promover o convívio, com muita gente vestida informalmente.

rita-care-miguel-no-jantar-ils2-2016

O Miguel foi tocar e cantar. Até pôs o pessoal a dançar no palco e pelo espaço todo. E cantou-se “We are the world”, o que foi muito adequado para o contexto de uma conferência com quase 400 pessoas, de mais de 40 países, a falarem sobre quase tudo o que há para falar sobre leguminosas, essas plantas fabulosas de diferentes pontos de vista (agrícola, económico, biológico, ambiental e para a saúde).

rita-care-marina-a-cantar-no-jantar-ils2-2016

A Marina, uma investigadora espanhola, cantou com o Miguel e no final tocou uma guitarrada fantástica!

rita-care-jantar-do-ils2-2016

No último dia ainda houve que dar apoio a reuniões, desmontar e meter todo o material nos carros. Depois houve piquenique à beira do Sado com vistas para Setúbal.

rita-care-setubal-de-troia-pic-nic-ils2-2016

Regressámos estoirados depois de 10 dias seguidos a trabalhar 12-14 horas/dia. Já hoje é quarta-feira e só penso que quero é dormir…

O papel kraft com lápis mágicos e brancos é tão giro, não é?

Olhou os meus desenhos e as lágrimas escorreram pela cara…

Tenho uma história incrível com os meus desenhos para Partilhar. Estou tão emocionada com aquele momento tão especial que me liberto do pudor de me expor assim… tenho de a partilhar aqui mesmo onde os meus rabiscos moram quase sempre ligados a emoções fortes e de preferência recheados de energias positivas.

Hoje em frente à Torre de Belém sentei-me no relvado do Out Jazz. Tinha um desenho urgente do tipo “encomenda” para enviar até ao final da noite… Tinha mesmo que o fazer e pronto. Estava na minha empenhada luta com o papel e senti uma pessoa a aproximar-se. Era a mesma miúda que me tinha chamado a atenção e que estava em posição de meditação junto ao lago do Museu do Combatente…

Pediu-me para ver os meus desenhos. Passei-lhe o meu caderno “das pessoas”. Sentou-se ao meu lado. Estava muito concentrada a desenhar e quando olho para ela estava mergulhada nas suas lágrimas soluçantes. Disse-me que adorava muito baixinho…

Comentei que quase nada na vida não tem solução…
– Não me queres contar o que se passa…?

Respondeu-me que sugava tudo de todos e que isso era muito desgastante.
– As pessoas não me compreendem.

Declarei-lhe firmemente que não era esse o meu caso. Numa tentativa de a aliviar informei-a convictamente de que não nos permitirmos sugar pelas energias negativas dos outros é algo que se aprende com o tempo…

Perguntei-lhe se desenhava pessoas. A Sofia de 18 anos em lágrimas contou-me que desenhava pessoas no metro e que eram todas muito tristes e pesadas. Tentei convencê-la que se devia esforçar para procurar as pessoas que emanam energias positivas e mostrei-lhe os desenhos de que mais gostava no caderno, porque senti que aquelas pessoas eram positivas. Ao que ela pareceu concordar.

Ficou mais uns momentos comigo. Abraçou-me e deu-me um grande beijo na face.

Despediu-se declarando:
– Até ao próximo Out Jazz…

Enquanto ela desapareceu por entre a multidão dançante, eu tive a certeza de que naquele momento ganhei o meu dia e que não posso deixar de desenhar. Os meus rabiscos vão muito mais além… Desenhar e partilhar o Desenho faz-me crescer enquanto ser humano. E isso é o mais importante de tudo.

O resultado do meu desenho “urgente” não posso mostrar para já, mas espelha O [meu] Espanto…