E criar um Museu da Língua Portuguesa online…?

Hoje de manhã, como sempre, tive o mau há hábito de ir bisbilhotar o Facebook mesmo antes de pôr o pé no chão… Estava lá esta provocação da Inês Bettencourt da Camara (da Mapa das Ideias) mesmo à espera para ter uma resposta.

 

Escrevi a minha resposta por entre tarefas domésticas matinais no bloco de notas do telemóvel. Apaguei muito e voltei a escrever e a reescrever. Refleti sobre um tema recorrente na minha mente, desde que no Brasil foi criado o Museu da Língua Portuguesa (museu que ardeu em 2015, mas que está em reconstrução): Porquê que Portugal não tem um museu da Língua Portuguesa?

Heis a minha resposta:

Vou fazer uma pergunta não como especialista em museologia (não sou), mas como profissional da comunicação e, sobretudo, como fã incondicional dos museus, do papel tão relevante que têm e que podem vir a ter para a democracia, por sentir que precisam de mudar para interagir de todas as formas possíveis com as pessoas, por sentir que precisam de as abraçar e de as convidar a visitá-los de “pantufas” (ou seja, em estado de conforto físico e mental).

Tudo isto no contexto do mundo actual cada vez mais a viver online. Tudo isto no contexto da necessidade dos museus mostrarem e promoverem a discussão do que é Relevante, de se deixarem de neutralidades convenientes e cínicas e criarem Relevância, de se envolverem na Sociedade e de serem Acessíveis.

::: Do que é que se está à espera para se criar um Museu da Língua Portuguesa online com base nas Colecções existentes?

Estamos em 2018!! Estamos tantos online em Portugal e somos cada vez mais! O meu avô tem 90 anos, faz pesquisas e lê jornais online no smartphone!

Embora os países de língua oficial Portuguesa possam não estar com a mesma força online, estarão em breve… Notem que não sei dados oficiais. Alguém me sabe dizer se há relatórios sobre este assunto?

A língua está tão viva e muda e muda e evolui muito depressa, também porque existe a Internet.

Adoro usar expressões oriundas dos países que são agora nossos no coração… Uso-as “bué” e sei pouco sobre a sua origem, porque sou ignorarante e gostava muito de deixar de ser dentro de um museu para Todos, que me mostrasse, explicasse e conversasse comigo, visitável de todo o lado no meu smartphone e do meu PC (sou “velha” e ainda gosto mais dos PCs…).

Obrigada Inês por me pôres a pensar nisto outra vez!

 

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Papiro papirus, porque… | Facebook sempre a inventar…

Agora há uma caixinha lateral nas páginas do Facebook, nova, claro! Somos convidados a  preenchê-la… Diz que fica tudo muito mais eficiente, mas o que uma pessoa sente é que o sistema vai de mal a pior…

Mas pensamentos +++ e o lado bom da coisa é que estimulou o exercício de reflexão pela escrita de outra maneira (há sempre muitas) sobre o que é isto do Papiro papirus e do que é que tenho andado para aqui a fazer…

PapiroFacebook

Papiro papirus, porque…
  • Anseio por me tornar melhor contadora de histórias e de ideias com palavras e imagens.
  • Sou comunicadora de cultura e ciência e passo o dia a criar e a gerir a divulgação de conteúdos sobre estes temas.
  • Sou ilustradora sempre que posso ao nivel profissional para complementar a informação que divulgo.
  • Desenho muito, porque o meu corpo e a minha mente precisam. Aprendi a fazê-lo com algumas das pessoas mais marcantes da minha vida. Adoro Ensinar a desenhar sempre que consigo um tempo extra e aparece quem queira vir aprender.

Aviso aos Visitantes | Blog Papiro Gráfico vem para aqui

Há algum tempo comecei a explorar uma “coisa” chamada “Sketchnotes“, que é o mesmo que dizer esquiços de conceitos, pensamento visual ou assim… Gosto de lhes chamar Rabiscos de Ideias. Nessa exploração, criei um outro blog, o Papiro Gráfico – Pensamento Visual | Repórter de Histórias Visuais.

Rita Caré - Ainda não acabei de pensar nisso... 22 Nov 2017

Mas, não me apetece nada ter outro blog para gerir. Também tenho a sensação que isso não faz sentido, porque sou um todo no Desenhar. Desde os 20 ou 21 anos, quando aprendi a desenhar, tenho desenhado menos ou mais, consoante as fases da vida. Adoro desenhar e pintar, explorando muitas técnicas e objectivos diferentes. Também desenho na mente, ou seja, olho para qualquer coisa e penso como a poderia desenhar, mesmo que depois não crie algo visível. Isto tornou-se um vício com o Urban Sketching. Também desenho para pensar. E é aí que entram os rabiscos de ideias.

Pensamento Visual . Reportagem Gráfica| by Rita Caré @ Papiro Gráfico 2017

Assim, tal como o Urban Sketching tomou conta deste blog depois da aguarela em abstracto ter aqui vivido tanto tempo, agora vou incluir os meus Rabiscos de Ideias nesta casa.

Peço desculpa, mas nos próximos tempos irão receber muitos avisos de que foi publicado aqui um post  que talvez já conheçam e com uma data antiga. É que planeio publicar todos os posts do Papiro Gráfico aqui mesmo, numa secção com este mesmo nome, onde ficarão todos arrumados,  nesta que é a minha casa online há mais anos. Há quase 11. O tempo deste blog passou como o tempo do desenhar, quase que não dei por tantas horas, meses, anos aqui metida.

Não é só o desenhar. Sou blogger de Alma. Podem não saber disso, pode não vos parecer, mas escrever é para mim ainda mais importante do que desenhar. Sou teclado-dependente. As histórias são o mais importante. Todos os desenhos têm uma história para contar, mesmo que nunca venha a ser conhecida publicamente. Reescrevê-las 20 vezes antes de clicar no “publicar” ou mais ainda, ou já depois de publicadas e muito divertido e o mais importante me tornar mais Clara, a mais dificil de todas as tarefas.

 

Um mês, um mês muito difícil, UM RECOMEÇO

Rita Care - 1 Mes - Dez2017-Jan2018 (1)

Desde o Verão de 2017, a vida tem sido muito difícil, porque o corpo estava gravemente doente desde há muito mais tempo. Contudo, em Junho de 2017 tornou-se insuportável. A recuperação contínua e não sei se alguma vez mais saberei o que é viver sem Dores. Mas desde há muitos anos, por causa das enxaquecas devido a crises terríveis de sinusite e rinite não deixo que o meu corpo comande o que quero muito fazer. Pelo menos tento. Não é uma vontade racional. É a minha mente que manda mais do que eu. Sei lá, se calhar é o instinto de sobrevivência. Às vezes tenho de racionalmente obrigar-me a ficar parada do corpo e também da cabeça, somente a olhar para uma parede branca, para o mar, para um relvado, para as flores…

Este caderno foi produzido pela Marilisa Mesquita, com grande carinho e  propositadamente para a “viagem” que ambas sabíamos que eu ia ter que fazer. É A6 e não é um “Caderno” clássico, mas em harmónia, concebido para ser leve, mas para pintar aguarela se me apetecesse. Ela produziu 4 destes cadernos muito compridos.

Clicar para ver as imagens em sistema de carrossel
e na setas para avançar ou para voltar atrás

 

Estes desenhos foram feitos no espaço de um mês, de Dezembro de 2017 a Janeiro de 2018. Do primeiro desenho ao segundo há um intervalo de três semanas… Tem de tudo, desde urban sketching (desenho de observação no local), sketchnoting (rabiscos de ideias) a desenho por fotografia e a desenho de memória, a aguarela, lápis de cor e guache. O primeiro desenho foi feito no quarto do hospital, antes da cirurgia, e os restantes foram feitos em Vila Franca de Xira, em casa da família ou na rua.

Este é um caderno muito importante, porque marca um tempo de RENOVAÇãO. A vida jamais será a mesma. Terá que ser LENTA e LEVE. Mas esta viagem tem sido feita sempre acompanhada por Família e Amigos muito queridos que, ao longo dos dias e através das incríveis tecnologias para smartphone não me deixaram esmurecer,  trazendo-me para cima nos dias mais dolorosos.  Essas pessoas sabem quem são :)

Estou a reeinventar-me e isso é mesmo muito bom. Sentia há muito que tinha que mudar e não sabia por onde ir. A vida aponta-me caminhos aqui e ali e vou estando atenta e tomando as minhas decisões consoante as oportunidades que surgem. Estou viva e caminho. Agora parece mesmo um milagre criado pela alta tecnologia e conhecimento médico. Há 5 ou 10 anos atrás talvez estivesse numa cadeira de rodas. É brutal, não é? É, mas eu estou mesmo viva e aqui a andar pela rua e a emagrecer muito para melhorar lentamente o meu Viver. É a terceira vez que a Medicina me salva a vida em 41 anos. Obrigada Deus por inventares as mãos, o desenho, a escrita, o cérebro humano e a Medicina e a Tecnologia do séc. XXI.

Durante aquele mês, deitada na cama a olhar para o tecto imaginei o projecto Salto Virtual (#VirtualJumpSketch). Demorei quase três meses a pô-lo em prática, mas pûs e estou muito orgulhosa de todos os que nele têm participado. É incrível o grande Salto que deram na sua forma de desenhar!

Este post é publicado, por acaso, noutro dia (5 de Abril de 2018) muito marcante e espero que seja o primeiro dia de uma viagem extraordinária que, se correr bem, será partilhada nos próximos tempos.

Pensamentos +++

A Miúda dos Abraços regressou Reformulada para Abraçar a Vida a Sorrir

Rita Caré, 41 anos

 

 

 

 

 

#virtualjumpsketch | Grande Barreira de Coral | Great Barrier Reef, Australia

English Version Below!

 

Rita Care - Salto Virtual_VirtualJumpSketch_03.2018_Coral,Australia_Original
Tive um encontro mágico com um tubarão-baleia neste Salto Virtual de Março de 2018! A água estava mesmo tipo morna e os peixes eram de todas as cores, imagino… ;-)

Em Março de 2018, o desafio do Salto Virtual | #virtualjumpsketch foi um salto à Grande Barreira de Coral, na Austrália, para celebrar 2018, Ano Internacional dos Recifes de Coral e promover a sua protecção. 

Decidi incluir um tubarão-baleia, mas uma boa parte dos participantes parece que andou a reboque de tartarugas…

Para saberem detalhes sobre o “Salto Virtual visitem a página do projecto ALI. Se quiserem, podem participar nos desafios anteriores!

Sigam-nos no Instagram, no Facebook e no Twitter com a hashtag:

#virtualjumpsketch

Estejam atentos ao desafio de Abril de 2018! Vamos saltar à Polinésia, a um local incrível e muito específico.

P.S. Quem nos dera que existisse teletransporte…

Logo_Salto_Virtual_VirtualJumpSketch_2018_square

Now, in English…

In March 2018, the challenge of the Virtual  Jump Sketch | #virtualjumpsketch  was a jump to the Great Barrier Reef, Australia. We have celebrated 2018, International Year of the Reef (IYOR) and promote its protection.

I have decided to include a shark-whale, because almost everyone seems to have seen turtles…

For details about the project and to understand how to participate visit HERE. If you wish you can participate in the previous challenges!

Follow us on Instagram, Facebook and Twitter with the hashtag: #virtualjumpsketch

P.S. We wish there would be teletransportation…

 

 

 

Casario em VFXira

Da Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira, a Fábrica das Palavras, é possível ver o casario, o rio Tejo, a Lezíria, quase tudo em redor. Tem das maiores janelas que já vi e a maior quantidade de luz natural que já senti num edifício. Isso causa problemas técnicos para a salvaguarda dos livros, mas é um enorme prazer estar lá dentro, podendo disfrutar de uma vista deslumbrante.

Há lá um recanto silencioso com bancos de cortiça com vista para o casario na secção de exposições. Local óptimo para desfrutar da minha predileção por casas amarelas e verdes, especialmente se tiverem roupa estendida…
Aproveitei para continuar na senda de experimentar o desenho digital, antes que o tablet se despeça para sempre de velhice… Este foi um rabisco muito rápido, nos últimos dias da minha estadia por lá em Janeiro de 2018.

RitaCare_CasarioNoRio_Jan2018

 

 

Uma árvore e um gato coroado

No dia de Reis tive visitas muito especiais. Para celebrarmos a traquinice não resistimos a usufruir do quadro negro vazio de rabiscos do piso das crianças da Biblioteca Fábrica das Palavras. Não fizemos esta árvore e este gato coroado às escondidas, porque sabemos que estavamos certamente a ser espiolhadas pelo sistema de câmaras de videovigilância. Não é todos os dias que se tem oportunidade de se fazer uns rabiscos com giz.

Dia de Reis em VFXira (9)

Gostava de acreditar que a equipa da biblioteca tira uma foto a cada um dos desenhos giros de todos os prevericadores. Se calhar seria uma colecção própria gira para a instituição um dia fazer uma exposição…

 

 

A pintar Doodles Invasion, uma invasão de rabiscos

Quando não se pode desenhar, há alternativas muito interessantes, por exemplo, livros para colorir. Há imagens que estão mesmo a pedir que deixemos muito em branco e pintemos apenas alguns detalhes que ficam dessa forma destacados. Estes desenhos são excelentes para fazer o exercício: o que deixar em branco e o que pintar?

Outro exercício muito interessante é pesquisar textos/citações para incluir na página.

Estes desenhos são do Kerby Rosanes

 

Clicar para ver as imagens

Quando o Prémio de outros é um marco de Vida

Este post é capaz de ser uma seca… e lamechas, mas revelador da minha vivência e também dos últimos meses muito dificeis. Nasce do exemplo do último post “Não passei (2)” da Karina Kushnir, que aborda acontecimentos que nos atiram ao tapete, mas que nos fazem erguer maiores do que nós próprios. Também nasce do marco que o desenho de ontem tem na minha Vida. De certeza que querem ler mais?

Estive na cerimónia do Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples, depois de ter saído de uma consulta com o neurocirurgião. Vou andando devagarinho e vou andando, após mega-cirurgia à coluna por causa de uma hérnia discal que nada teve de simples, agravada pelo facto de ter nascido sem uma vértebra – comigo tinha que ser complicadinho… Ando em recuperação há três meses e hei-de andar. Andar, reparem na palavra! Felizmente encontro-me a Andar!! Pensamentos +++

Bom, vamos mas é ao Prémio! Então, lá estive num ambiente informal e abraçado, tal como já começa a ser hábito nos eventos da Acesso Cultura, da qual sou fã. Reparem nas palavras: Acesso, Acessibilidade e Cultura. Isso! Mais de Pensamentos +++

A Acessibilidade importa-me (mesmo que não soubesse disso assim por estas palavras)  desde que, com seis anos e meio, a minha mãe me levou a enfrentar a dura realidade de pessoas consideradas nessa época como deficientes profundas, ou seja, com limitações muito graves ao nível físico e/ou intelectual. Já se devem estar a perguntar sobre os motivos desta decisão. Foi para me fazer reagir, levando um duro e mega-abanão emocional. Fiquei sem conseguir Andar, após ter estado duas semanas hospitalizada em coma/semi-coma e a recompor-me de duas doenças gravíssimas (a segunda consequência da primeira) que ceifam quase sempre a vida dos adultos, quanto mais as das crianças que delas padecem: miningite e septicémia. Não havia qualquer explicação racional para ter deixado de conseguir manter-me de pé e dar um passo atrás do outro. Então a resposta deveria estar nas emoções… e a minha mãe levou-me ao local onde fizera estágio profissional com aquelas pessoas. Passei lá umas horas, estive com uma fisoterapeuta e saí de lá a Andar novamente e abanada para sempre com um novo olhar para a coisa que é Viver.

Desde então, já lá vão 34 anos, nunca mais Parei… dentro da cabeça pelo menos! Tenho uma louca fobia de estar sem fazer nada… Isso é um desperdício de tempo acha a minha mente. Coitado do meu corpo! Imaginem que estive dois meses na cama a olhar para o tecto… a ter sobretudo pensamentos negativos e ideias parvas. Inventei o Salto Virtual que logo se verá o que vai dar…

Foca-te, concentra-te, Rita! O Prémio! Tem como objectivo chamar a atenção para a necessidade de clareza da linguagem escrita para promover Acessibilidade Intelectual às pessoas que desejam usufruir da Cultura. A Clareza, esse monstro com que luto diariamente, tanto ao nível profissional como pessoal! Este post é exemplo disto mesmo. Clareza e emoções no mesmo texto… está bem, está!

Cerimonia_Premio LS AC_13mar2018_Por_Rita Care_cores_1200

Lá estive muito orgulhosa de fazer um bocadinho parte da Acesso Cultura e desejosa de contribuir. Fui sem saber se conseguiria mesmo lá estar, quanto mais fazer um desenho de pessoas! Fui sem expectativas. Logo se veria o desenrolar dos acontecimentos no meu corpo, que de vez em quando ainda fica extenuado mesmo com esforço mínimo. Mas meti o caderno e a caneta na mala antes de sair de casa. Talvez inspirada pela relevância deste Prémio desenhei em público e desenhei pessoas! Consegui e percebi assim que regressei oficialmente à minha vida activa, mesmo que ela tenha de ser o mais leve e lenta possível… para sempre.

Parabéns ao Museu da Presidência pelo Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples e à Formas Efémeras (que nome tão giro!) pela Menção Honrosa. Obrigada aos Membros do Júri, que tiveram uma clara trabalheira, ao Teatro Nacional D. Maria II, a todos os que tornaram este evento possível e à Acesso Cultura.

Desenho_PremioACLS_PorRitaCare_FotoPorMariaVlachou

Maria Vlachou, obrigada por teres tirado esta foto com o meu caderninho abraçado por mãos! Fiquei muito emocionada!