Do Janeiro Abraçado e morno

Em Janeiro de 2018, alguns Amigos andaram comigo quase ao colo, dada a minha falta de condição física, num dos mais dificeis momentos da Vida. E levaram-me a passear e a sentir que coisas “minúsculas”, como fazer um rabisco minimalista, apanhar sol e olhar uma Árvore, pode ser do melhor que temos para nos agarrarmos a Viver, um momento,  uma linha e um raio de sol de cada vez.

bugio_tejo_oeiras_portugal_janeiro2018

 

roupa-estendal-laranjeiras-benfica-lisboa-por-Rita-Care

 

A ÁRVORE nas Laranjeiras, Benfica

 

 

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Uma semana na praia sem fazer NADA… e a engordar com bolas de berlim

 

A minha semana numa praia do Algarve descreve-se assim.

Praia, Algarve, Desenho, Aguarela, Rita Caré

 

Foi qualquer coisa parecida com esta imagem quase todos os dias. Fiquei a olhar para a multidão vestida com os seus coloridos fatos de banho, toalhas e chapéus-de-sol, ou a dormir na areia quente, ao som típico que conhecemos de uma praia Algarvia semi-cheia. Há mais de vinte anos que não experimentava nada no género, mas fiquei com a sensação de que para o ano estou lá outra vez, se puder, com o objectivo de não fazer rigorosamente NADA, para além do básico para sobreviver no dia-a-dia.

Felizmente tive a companhia da Alice, 4 anos e no Instagram @os4reismagos, que desenho nas minhas aguadas enriquecendo-as com obras abstractas maravilhosas (tenho inveja de tal representação de peixes…), usou as minhas aguarelas semi-profissionais e as encheram de grãos de areia, o que na verdade não quero nada saber, porque adoro que ela use os mesmos materiais que eu. Também brincámos com rabiscos sobre manchas de aguarela impressas e fizemos colagens (não apresentadas aqui) e sorrimos :)

 

Não digam a ninguém que abusei a sério nas Bolas de Berlim, que as há normais, com ou sem creme, com nutela, com chocolate e produzidas com farinha de alfarroba em vez da farinha tradicional de trigo. Entretanto, também ouvi falar de produção com algas azuis…

 

 

 

Biblioteca Viva sobre o Mar

No principio do ano passado, participei num encontro da Jaws que explorou o conceito de Biblioteca Viva, no Museu do Mar, em Cascais. Uma varina, um pescador, uma antropóloga, uma oceanágrafa e um surfista falaram sobre a sua experiência profissional. Criei cinco duplas páginas correspondentes a cada uma das testemunhas, mas partilho apenas estas, que foram as primeiras, porque não gosto das outras e não representam bem o momento, talvez porque já estava muito cansada. No final lanchámos todos e foi mesmo muito interessante conversarmos descontraidamente com a Varina e com o Pescador, com idade para serem meus avós.

Notem, por favor, que algumas das informações incluídas nos balões de fala podem não estar correctas. Tive essa sensação quando estava a escrevê-las lá ao vivo.

Podem saber mais no  link deste projecto e ver a reportagem fotográfica.

RitaCare_BibliotecaViva_MMar_Jaws,_Cascais2017 (1) _ 1200
A Varina
RitaCare_BibliotecaViva_MMar_Jaws,_Cascais2017 (2) _ 1200
O Pescador
RitaCare_BibliotecaViva_MMar_Jaws,_Cascais2017 (3) _ 1200
A Antropóloga e Directora do Museu do Mar

Foz do Arelho e Lagoa de Óbidos à vela…

 

Rita Care - Foz Arelho Set 2017 (4) red
Kitesurf, vela e windurf na Escola de Vela

 

 

Rita Care - Foz Arelho Set 2017 (3)
Na Escola de Vela

 

Gostava de ter desenhado e pintado muito mais durante as minhas férias na Foz do Arelho e nas Caldas da Rainha, neste Verão, mas passeei muito, tirei muitas fotografias nas Caldas e não fiz Nada. Fazer Nada também faz falta de vez em quando.

 

Rita Care - Foz Arelho Set 2017 (2) red
Aguada com vista da Foz do Arelho para o Bom Sucesso

 

 

Rita Care - Foz Arelho Set 2017 (1)
Vista da Foz do Arelho para o Bom Sucesso

 

 

Cais da Trafaria e uma reflexão sobre Urban Sketching

O Cais da Trafaria não é bem assim, como se vê na fotografia. Falta-lhe uns pedaços aqui e ali, mas quem conhece o local consegue reconhecê-lo. Para mim o Urban Sketching é cada vez menos representar fielmente o que observo. É mais usufruir do acto de desenhar e de pintar, representando o que sinto no contexto do desenho (nesta tarde, sentia-me uma garota “naïf” a brincar com a aguarela e os lápis-de-cor). Ser Urban Sketcher também é inventar um bocadinho para facilitar ou para ter esse espaço de transgressão em relação à realidade. É ainda explorar os lugares, representando-os com técnicas e materiais diferentes, numa incessante procura de soluções.

Rita Care - Trafaria - Ago 2017 (1) red

O momento desta dupla página e toda esta tarde tão bem passada são o que de melhor tem a comunidade de Urban Sketchers Portugueses: as pessoas. Desenhar é um veículo para atingir um fim com uma estranha dualidade. Por um lado, é desaparecer para dentro de mim numa partilha única de silêncios agradavelmente estranha. Por outro, é divertir-me, virando-me para fora num encontro colectivo de partilha com sorrisos e boa disposição.

 

Rita Care - Trafaria - Ago 2017 (2) red

Esta dupla página tem um aspecto de que não gosto: a mancha de aguarela no centro. Acontece quando existe o meio do caderno, mas principalmente quando se usa muita água e o papel não é o mais adequado para a técnica aplicada – uma aguada destas precisa de papel com qualidade e de 300g/m2. Assim, perdeu-se a continuidade, o fluxo, de uma página para a outra. Enfim… adoro experimentar tintas, pincéis e papéis… Se não experimentarmos não descobrimos o que nos faz falta e o que se adequa às nossas características e interesses. Sendo assim, querido papel Claire Fontaine 180g/m2 de faces diferentes, volta! Sinto-te a falta no contexto do diário gráfico.

Ser Urban Sketcher é ser curioso e ter um desejo incessante de conhecer os lugares de passagem e de evoluir, sempre de caderno na mão. É representar o mundo como o vemos e sentimos num momento – ou como gostaríamos de o ver e sentir – e não a realidade.

No mesmo dia em que escrevi este texto,
encontrei outro muito interessante
da Urban Sketcher Jane Wingfield:
Falling in love with the world, one sketch at a time

Este texto foi publicado no blog dos Urban Sketchers Portugal.

 

Praia da Poça, Estoril

Neste dia  fiz o desenho do Forte de São Pedro da Poça, na Praia da Poça que está lá em baixo, mas a perspectiva das escadas ficou uma bela treta e estraguei a composição do desenho, que teria ficado bem gira. Esta dupla página está muito simples, mas isto de desenhar os barquinhos lá ao longe nos mares de Cascais traz-me sempre uma estranha serenidade. Fiz assim as pazes com o rabisco do forte.

 

Rita Care - Praia Poca Estoril - Jul 2017 (1)
Praia da Poça, Estoril

 

Rita Care - Praia Poca Estorial - Jul 2017 (2)
Praia da Poça, Estoril

 

 

Forte da Praia da Poca Estoril - Jul 2017
Forte de São Pedro da Poça,  Praia da Poça, Estoril

 

 

Cascais vista da Praia do Tamariz

Num dos últimos encontros dos Foto&Sketchers 2 Linhas cheguei muito cansada à Praia do Tamariz, no Estoril, depois do trabalho e estive mais de uma hora na converseta e a bisbilhotar o que estavam os outros a fazer.

Depois de ver dois a rabiscar a vista para Cascais, não resisti…

Rita Care - Cascais vista da Praia do Tamariz - 1024
Baía de Cascais vista da Praia do Tamariz, no Estoril

 

“Meu querido Barreiro” com vista do Seixal

Rita Care - Querido Barreiro - Seixal - M.Rolao - Abr2017 - 1024 (5)
Foi uma bela manhã de Primavera no Seixal com vista para o Barreiro com as histórias de urban sketching do Henrique Vogado, desta vez o convidado especial de mais um workshop da Manuela Rolão com a L1B.

Os desafios foram muito interessantes e os desenhos resultaram fantásticos em mais uma animada sessão à beira do Rio Tejo, brindados com a presença de uma elegante Garça-real e de um clima de boa disposição.