Crónica Desenhada | Conversas sobre Panfletária e Liberdade

Crónica Desenhada | Conversas sobre Panfletária e Liberdade por Rita Caré
Conversas sobre Panfletária e Liberdade por Rita Caré (clicar na imagem)

Crónica Desenhada
Conversas sobre Panfletária e Liberdade
| Publicado em XZibit Art |

No final de março, com a aproximação às celebrações do Dia Português da Liberdade, o 25 de abril, a proposta para Desenhar Conversas sobre “A Liberdade e a Arte Panfletária”  soava tentadora.

A Oficina do Desenho – Associação Cultural (OD), em Cascais, convidou Pedro Afonso e Alexandre Bordalo para falarem e refletirem sobre o tema e sobre o seu trabalho, em convívio com os presentes na sessão. Afonso é artista plástico e ilustrador. Bordalo é fotojornalista. As conversas foram moderadas por Rui Aço, artista plástico e Presidente da OD.

“A Liberdade nem sempre é veiculada pela Arte Panfletária!” avisava-nos o anúncio destas conversas. Tem sido usada como meio de comunicação para a denúncia, através da sátira e da ironia, mas também para manipular os povos através de propaganda política e religiosa.

Conversou-se sobre a liberdade, ou não, de expressão e sobre o papel mais ou menos relevante da Arte Panfletária na sociedade ao longo do tempo, desde o século XVIII, através de pintores, poetas, muralistas, arquitetos e outros artistas. Rui Aço lançou o tema através da abordagem à Fábula do Pássaro Bisnau e ao trabalho de diversos autores Portugueses e de outros países. Entre eles, Almada Negreiros, Delacroix, Siqueiros, Zeca Afonso, Ary dos Santos, Sartre, entre outros.

Os convidados e também o moderador têm grande e prolongada experiência profissional e de vida, o que ficou bem vincado pelas opiniões partilhadas e pelas histórias contadas. Pela noite dentro, cada um dos presentes bebeu chá e desenhou em toalhas de papel de mesa, o que lhe ia na alma, fosse abstrato ou realista, tivesse, ou não, a ver com o tema conversado. A Liberdade para Desenhar não tem limites.

“Conversas Desenhadas” é uma proposta bimensal da Oficina do Desenho – Associação Cultural, em Cascais. Aguardemos, pois, pela proposta com que nos brindará em maio de 2017.

Desenho e texto: Rita Caré

Crónica Desenhada com Jazz de John Coltrane

Crónica Desenhada com Jazz de John Coltrane
| Publicado em XZibit Art |

No mês de Março de 2017, a Oficina do Desenho (OD), em Cascais, organizou várias sessões para desenhar a música.

Às 18h daquela sexta-feira chuvosa, o ambiente era animado com alguns jovens a terminar os seus trabalhos artísticos. Os participantes da Oficina Livre do Laboratório Experimental foram chegando. A música que tocava mudou para o jazz do prometido John Coltrane. Ao longo de três horas ouviu-se, por várias vezes, a música “My Favorite Things”, tocada por Coltrane pela primeira vez em 1961.

Desassossegada ao fim de um dia de trabalho, sentei-me e rabisquei no meu caderno. Primeiro, o Miguel Teixeira (arquitecto, artista plástico e Vice-Presidente da Oficina do Desenho) a lavar materiais. Depois, uma das participantes que explorava lentamente as formas de uma folha amachucada. Inspirada pelo momento e pelo som do jazz, permiti-me descontrair e mergulhar finalmente para um lugar onde apenas o desenhar me leva. As minhas linhas dançaram e desapareci, na fuga dos dias, para dentro do papel durante as duas horas que se seguiram.

A Oficina do Desenho é uma associação cultural sem fins lucrativos, fundada em Cascais em 2003, que promove o ensino, a prática e a experimentação das artes visuais e em particular do desenho. As Oficinas Livres do Laboratório Experimental realizam-se às sextas-feiras, das 18h às 21h.

Desenho e texto: Rita Caré

O Caos… visual do Largo do Rato

Rita Care - Caos - CAAZVS - 6mar2017 (1.2)
Café 1800, Largo do Rato, Lisboa

O Caos… do Largo do Rato foi a proposta do Nuno Saraiva no workshop dos Urban Sketchers Portugal e da Casa Atelier Arpad Scenes e Vieira da Silva.

Para além de ter contado a sua primeira incursão pela reportagem em diários gráficos e uma viagem a Luanda, disse coisas tão importantes parecidas com estas (o que não for bem assim que disse foi o que eu quis ouvir…):

– Desenhar de tudo nos diários gráficos – o que se vê e o que não se vê e mais o que nos vier à cabeça.

– Não partilhar tudo, guardar segredos e tesourinhos somente para nós.

– Não desenharmos apenas. Preenchermos cadernos inteiros de carimbos, por exemplo.

– Não se ser compulsivo no desenho. Parar, observar e sentir o que nos rodeia (esta segunda parte é minha…)

Rita Care - WS - USkP - Nuno Saraiva (1)
1ª versão sem cor do desenho anterior
Rita Care - WS - USkP - Nuno Saraiva (2)
Almoço com o Nuno Saraiva e alguns Urban Sketchers

Não inclui balões de fala neste desenho, porque estava muito mais interessada em ouvir as conversas à mesa…

O mundo está ligado por cabos… submarinos

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Os cabos submarinos existem mesmo e permitem a comunicação entre continentes. A Internet não existe apenas no Ar… também navega debaixo de água junto ao fundo abissal.

Esta interessante exposição está no FPC – Museu das Comunicações, em Lisboa.

Letras para comboios…

Os comboios estavam mesmo a “pedir” para os desenharmos.

Ninguém diria que os sketchers são pessoas sociáveis pelo silêncio do ambiente rabiscatório, aparentemente quieto, com que que os visitantes “normais” se deparavam ao chegar à rotunda das locomotivas. Se tivesse desenhado o grupo naquele momento teria colocado umas nuvenzinhas de fumo a sair de todas as cabeças e da ponta das suas canetas a rabiscar avidamente parafusos e perspectivas dificílimas!

Locomotiva Choupelo by Rita Caré

Primeiro explorei as diferentes zonas do museu para perceber as possibilidades e conhecer o espaço. Só depois decidi sentar-me em frente a esta locomotiva para evitar meter-me em grandes sarilhos. Era das locomotivas mais pequenas. Desenhei-a assim de lado e em contraluz para evitar ver detalhes. Confesso! Evitei enfrentar qualquer perspectiva desesperante no meu caderno.

Vicente Sardinha by Rita Caré

Durante o almoço desenhei um clássico: o Vicente! Só agora reparo que ele parece estar a cair de sono para dentro da sopa… Mas gosto muito do resultado da camisola…

 Mala do Revisor, bilhetes, máquina de bilhetes by Rita Caré

Para finalizar o meu dia dediquei-me ao que mais gosto no urban sketching: composição de pequenos objectos preciosos na dupla página e aguarela.

P.S. Este caderno é também ele uma pérola.
É uma antiga agenda desusada, oferecida pela Teresa Ogando,
que estou a adorar usar com aguarela.

FS 2´´ no Farol de Santa Marta, Cascais

Às vezes esqueço-me de publicar os desenhos que fiz no contexto de eventos em grupo… Mas que falta fazia neste blog os meus rabiscos do Farol de Santa Marta, em Cascais, que é um tema abundante por aqui, como se pode ver neste LINK.

Lá fomos em visita com os Foto&Sketchers 2 Linhas e com o apoio do Farol-Museu!

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Farol-Museu de Santa Marta, Cascais
Saí de casa já com o diário carimbado para explorar depois o desenho no papel de um caderno oferecido pela Teresa Ogando, que tinha como destino ser uma agenda telefónica. Há muito tempo que não usava os carimbos e soube-me mesmo bem!
Já nesta dupla página em baixo explorei a composição de objectos relacionados e expostos no Farol Museu de Santa Marta.  Também não usava lápis-de-cera há muito, mas mesmo muito tempo!
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Farol Museu de Santa Marta, Cascais
O Farol Museu de Santa Marta ofereceu-nos as entradas – um autocolante cor-de-rosa colado na mão deu acesso livre! – para visitarmos os seus espaços e também para espreitarmos a Casa de Santa Maria ali ao lado. Esqueci-me de desenhar um sorriso lá dentro…
Estarmos ali entre aqueles edifícios coloridos, com formas peculiares, faz-nos sentir como se estivéssemos dentro de um conto de fadas à beira-mar plantado.
As vistas do farol para a vizinhança podem ser vistas também nas minhas FOTOS.

Príncipe e depois Rei D. Carlos I, peixes dos abismos e a tartaruga…

Visitei outra vez o Aquário Vasco da Gama, esse ícone dos tempos de criança. Quem não se lembra da lula gigante… É a associação imediata com o museu que toda a gente faz: a lula imensa dentro de um armário!

A entrada do museu foi remodelada e agora está que é uma beleza, recheada de curiosidades para descobrir, sobre a vida do jovem Príncipe e depois Rei D. Carlos I, bicharada dos mares e dos abismos, objectos de investigação e belas ilustrações.

D. Carlos I é o meu Rei preferido: cientista dos mares e da vida marinha, fascinado pelos abismos e aguarelista.

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Aquilo ali naquele peixe feioso não é uma vassoura… mas uma “cana de pesca”

Há pouco menos de um ano escrevi um post sobre o sentimento vivido entre o deslumbramento e a tristeza naquele espaço e quando perante os animais grandes nos tanques. A leão-marinho partiu deste mundo em Novembro passado. Mas a tartaruga das “caretas” ainda é residente – chamo-lhe assim, porque tem o nome científico Caretta caretta.

Enquanto passeio por todo o espaço delirante de felicidade – tal criança de 6 anos – por ter aquela bicharada toda para poder rabiscar e observar, durante tempo “infinito”, perante o animal sinto-me angustiada.

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Tem cerca de 20 anos e é uma fêmea adulta. Lembram-se das tartarugas migradoras do filme “À procura de Nemo”? Pois esta tartaruga pertence a essa espécie.

Deixo um DESEJO PARA 2017: que a libertem para que vá à vida dela pelo oceano dentro para migrar e reproduzir-se!

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Não sei se gosto ou não desta dupla página… tenho a sensação que está a rasar a piroseira… não…? mas… talvez…?

O grupo Foto&Sketchers 2 Linhas vai ao Aquário Vasco da Gama
em 5 de Março de 2017!! Vens?