Livraria Solidária Déjà Lu

Às vezes adio os posts, adio, adio e sem necessidade porque o trabalho já está pronto para partilhar… É por isso que sinto que há momentos que nos repelem ou chamam. Deve ser isso do “momento certo”. Assim, escolhi um tema especial para o último post do ano, porque o Voluntariado é algo que muito estimo, faz parte do que sou, que me atrai… às vezes para o abismo… É que nem tudo é positivo e já escrevi sobre isso noutro Post. Preciso de ser Voluntária para trazer Significados Relevantes e o Factor Humano para a Vida.

rita-care-fs-2-livraria-deja-lu-27nov2016

Ofereci-me para divulgar a Livraria mais encantadora onde já estive, porque a Déjà Lu é um projecto Solidário de angariação de fundos para uma Associação que apoia pessoas com Trissomia 21. Arrastei comigo mais uns tantos voluntários e lá fomos fazer as nossas fotografias e os nossos rabiscos da livraria no grupo Foto&Sketchers 2 Linhas, que divulgámos por aí. Todos os nossos trabalhos estão publicados AQUI e pelos nossos blogs e redes sociais.

Ser voluntário pode não significar dar apoio directo a doentes em hospitais ou a pessoas com outras necessidades prementes, em situações limite, num país longínquo (como penso que está no imaginário geral das pessoas). Nem todos temos perfil para lidar com essas situações. Mas há muitas formas de se ser Voluntário e de ajudar outras pessoas de forma indirecta. Muitas! Nós fomos fotógrafos, desenhadores e divulgadores e esta mesma livraria precisa de voluntários para cumprir tarefas de atendimento ao público e vendas! Que tal Voluntariarem-se para um turno de algumas horas por mês?

+ Informações e horários no Blog e no Facebook da Livraria Solidária Déjà Lu.

O álbum completo das minhas fotos na Déjà Lu AQUI
Anúncios

Debate – Elitismo e Cultura

rita-care-ac-elitismo-na-cultura-15nov2016-96-dpi
Convidados do Debate “O que é o Elitismo na Cultura?” organizado pela a Acesso Cultura

O debate “O que é o Elitismo na Cultura?” foi muito interessante, mas acho que a Acesso Cultura precisa de organizar mais uns quantos eventos sobre o tema para se desenrolar mais o novelo emaranhado de ideias. A sessão de Lisboa (*) teve muitos participantes, o que é também um indicador de que há quem queira ouvir e falar sobre o tema.

Agora vou ali ver uns quadros do Amadeo Souza Cardoso no Google Images e ouvir o Vira ao mesmo tempo e já venho. Algumas músicas de folclore Português ficam mesmo bem com algumas pinturas do Amadeo…

Tenho as manias de achar que habito num mundo entre uma elite um bocadinho rasca e a “ralé” das massas, porque afinal sou muito multi-cultural, como a maior parte das pessoas que conheço. Toda a gente adora uma bela piroseira, mas ninguém quer admitir! É que como dizia o Marco Paulo: “Eu tenhoooOOOO doiiisssssss Amoooooorreessss…”.

Depois de jantar um Cozido à Portuguesa, ou um Linguado au Meunier, talvez vá num instante usar a caixa de comentários de uns museus para que eles deixem lá de ser elitistas e intragáveis e passem a expor textos CLAROS para que a “ralé” multi-cultural os consiga compreender. Não seria mau se os textos fossem também CONCISOS e estivessem expostos a uma altura digna de leitura ávida por pessoas baixas de estatura, ou baixas por vicissitudes da vida. Se não for pedir muito também poderiam ser um bocadinho ligados às emoções humanas… Confessem lá! Não é muito interessante colocar uma legenda com o texto “homem em tronco nu”, olharmos para o respectivo quadro e descobrirmos um homem em tronco nu sem conseguirmos perceber quem é, ou foi, e porque motivo aquele quadro é importante para estar ali na exposição.

Este post aceso vem a propósito de eu ter ficado um bocadinho desatinada da vida quando recentemente uma pessoa da minha idade, com formação académica “superior”, me declarou com todas as ganas que detestava cultura. Isto ao mesmo tempo que eu observava a sua casa recheada dos mais variados objectos que lhe contam histórias, ela me dizia que quando ia a Paris não queria saber de museus, que adorava as pontes e o rio e que o cheiro lhe ficava na memória. Dizia-me isto tudo como se não estivesse a falar de CULTURA…

P.S.1 O Eduardo Salavisa rabiscou-me. Sou aquela pessoa com uma popa, óculos e um caderno na mão com ares de “nerd”… Lutava comigo para tentar desenhar os convidados assim parecidos com eles próprios.

(* ) A Acesso Cultura terá em breve ALI os resumos dos debates sobre este tema que ocorreram em simultâneo em várias cidades de Portugal.

O que é e o que não é Urban Sketching

Pronto, pronto… sim, mas escusam de ser tão convictos… até zangaditos…
O melhor dos rabiscos ao vivo são as emoções – e sobretudo as pessoas – que eles nos trazem à vida!

Será que USkP Hong Kong já perceberam isso?

Os rabiscos não devem andar de mãos dadas com smiles tristes e zangados vermelhos…. nem com certos e errados… nem sem balões de texto… gosto tanto de balões de texto… como é que se desenham pessoas em movimento sem usar um bocadinho de memória…?

O Urban Sketching é muito mais do que um desenho em contexto urbano. Pode ser muito mais se cada um de nós deixar a criatividade liberta.

Urban Sketching - O que e e o que não e

Via Urban Sketchers Hong Kong

Entre o deslumbramento e a tristeza no Aquário Vasco da Gama: Reflexão

Este post foi baseado em comentários que fiz no blog da Teresa Ruivo, que publicou uma reflexão muito importante sobre o desconforto e tristeza que sentiu perante a condição de alguns dos animais habitantes do Aquário Vasco da Gama. Não consegui evitar expor longamente a minha reflexão e também a experiência entre o deslumbramento e a tristeza que sinto naquele espaço – ou noutro local com características e objectivos semelhantes – sobretudo quando me vejo confrontada com mamíferos ou outros animais de grande porte. Os desenhos que aqui partilho são todos da Teresa.
Otárias no AVG - Teresa Ruivo 2016 (1)
Leão Marinho no Aquário Vasco da Gama por Teresa Ruivo

Antes de tudo o mais, defino-me intimamente como bióloga. Ao longo dos anos da licenciatura fui-me especializando na área de investigação em ecologia e comportamento animal. Contudo, desde o início do estágio tornei-me comunicadora de ciência, deixando essas áreas para “trás” ao nível profissional. Mas a minha paixão pelos animais e pelo seu comportamento nunca me abandonará. A propósito, o meu ídolo de criança é Jacques Yves Cousteau, o mais importante comunicador dos mares e dos oceanos do século XX. Era eu muito miúda e ele entrava-me pela casa dentro através de documentários televisivos que me deslumbravam e deram a conhecer seres vivos de todas as formas e tamanhos, desde os seres mais microscópicos à gigante baleia-azul.

A Teresa e eu temos em comum o uso da ferramenta maravilhosa que é o diário gráfico, mas as nossas abordagens são diferentes, sobretudo do ponto de vista emocional. Os desenhos da Teresa interessam-me profundamente, porque parecem focar-se naquilo que a atinge nas emoções. Olho longamente as páginas dos seus diários e sinto que o faz para resolver alguns dos seus conflitos interiores. Já eu, recuso-me a expor nos meus desenhos os meus sentimentos mais íntimos e dolorosos e situações de conflito (com algumas excepções).

Não desenhei, nem fotografei, a tartaruga  ou o Leão-marinho. Nem consegui olhar prolongadamente para ele. Não consegui trazê-los comigo nos meus cadernos e álbuns, lugares prioritários para o positivo, o belo e o estético. Os dois animais estão-me associados a um sentimento de grande tristeza. Assim que entrei na zona do tanque percebi imediatamente que a Leão-marinho está cego, ou pelo menos quase cego. É um ancião. Possivelmente aquele animal foi apanhado numa situação complexa, poderá nunca ter havido condições para a sua recuperação e posterior devolução ao seu meio ambiente natural marinho. Ou já nasceu em cativeiro.

Tartaruga Marinha no AVG - Teresa Ruivo 2016
Tartaruga marinha no Aquário Vasco da Gama por Teresa Ruivo

Gostava de saber que política tem o Aquário Vasco da Gama para aquele espaço actualmente e para o futuro (pode ser utilizado para acolher animais em dificuldades – ainda bem que existem estes espaços mesmo que não tenham as condições ideais…).

Há muitos casos de situações destas em aquários, zoos e parques de animais. Há motivos que devemos levar a sério e considerar a importância da sua existência no contexto actual (nos últimos dois séculos foram utilizados para fins de investigação científica, para mostrar aos públicos seres que de outra forma nunca teriam contacto e para os mostrar como troféus). Fingir que os problemas não existem, “meter a cabeça na areia”, ou pior ainda ser-se demagógico e extremista, não faz parte do tipo de posturas com as quais me identifico.

Actualmente, penso que existem duas grandes razões para manter alguns animais selvagens em cativeiro (a sua presença mesmo que curta neste tipo de espaços deveria teoricamente – e também por questões de ética – ser aproveitada ao máximo para investigação científica biológica e comportamental para beneficio da protecção das próprias espécies):

1. Foram capturados em situação de doença ou debilidade física por muitos motivos diferentes (provocados pelo próprio homem, por doença do animal ou provocado por outros animais).
2. Nascem já em cativeiro, são usados em programas de recuperação de populações de espécies (ou não, por diferente motivos e complexos). Alguns são preparados para serem inseridos no meio ambiente onde teoricamente pertencem. Outros nunca serão libertados por diferente motivos também complexos (algumas espécies não têm qualquer possibilidade de sobrevivência se não houver condições existentes para tal – que são variadas e também complexas biologica e ecologicamente falando).

Isto não quer dizer que não hajam situações de abuso por esse mundo fora. Claramente que as há. Há que lutar para que estes espaços sejam cada vez menos necessários, mas não me parece que seja adequado fazê-los desaparecer, porque potencialmente têm e terão sempre uma função positiva a cumprir no acolhimento temporário ou permanente de animais com problemas e na preservação de espécies em risco.

Em Portugal e em Espanha há um exemplo muito específico, que vai sendo cada vez mais do conhecimento do público, pela visibilidade que os meios de comunicação social lhe dão: os programas de recuperação do Lince-ibérico (espécie só existente em Portugal e em Espanha e uma das mais ameaçadas do planeta) – consultar colecção de notícias do jornal Público.pt sobre o Lince-Ibérico. Podemos sempre questionar-nos se o investimento financeiro  muito volumoso nestes programas é legítimo e se vale mesmo a pena. O meu objectivo não é dar uma resposta, mas provocar uma reflexão!

Finalmente, quero deixar aqui bem claro que do meu ponto de vista, enquanto profissional da área da biologia e também da comunicação de ciência,  é incompreensível que não haja uma tabela de texto bem visível junto aos grandes tanques explicando os motivos pelos quais aqueles animais estão ali. Isso é o que deveria ser feito, seguindo as melhores práticas de comunicação de ciência e de educação ambiental.

Estes assuntos são muito controversos e delicados.  Considero que o maior problema perante os visitantes é o contexto destes animais estarem ali sem qualquer explicação visível (pelo menos não vi). Se o departamento educativo fizer um bom trabalho nas visitas guiadas os visitantes podem ter acesso a uma explicação. De qualquer forma, não é adequado a inexistência de uma explicação permanente numa tabela de texto…

Vi a tartaruga a “meter-se” com visitantes pondo a cabeça de fora da água e interagindo. Os animais como estes têm Alma [esta não é uma consideração com valor científico, mas apenas pessoal da minha parte]. Apesar de tudo, estes seres vivos não estão Sós. Têm pessoas que os cuidam e que lhes dão atenção. Mesmo que fossem reinseridos no seu ambiente natural sentiriam a falta de quem os cuidou. Já tinham pensado nisso caros leitores? É também por isso que alguns não se conseguem reintegrar no seu ambiente supostamente natural, às vezes depois de anos a serem treinados para isso…

Otárias no AVG - Teresa Ruivo 2016 (2)
Otária no Aquário Vasco da Gama por Teresa Ruivo

Obrigada Teresa pelos desenhos maravilhosos que partilhaste. Ofereceste aos meus olhos desenhos que eu gostaria de ter feito, mas sou incapaz de fazer. E por teres contribuído para que trouxesse a público esta reflexão.

Texto de Opinião de Rita Caré e Desenhos de Teresa Ruivo

Opinião: Parem de fotografar e desenhem em Museus ? Talvez não seja bem isso…

Partilho aqui um post deveras interessante  “Museu Holandês pede a visitantes: parem de fotografar e desenhos os quadros” e faço um comentário talvez provocador em baixo.

MuseuHolandesPedeParaVisitantesDesenharem

Não, este texto não é para provocar os fotógrafos. Todos os que já foram aos encontros dos Foto&Sketchers 2´´ sabem que adoro dedicar-me à fotografia, já tendo participado em encontros apenas de smartphone e máquina fotográfica na mão. Já o disse várias vezes, acho muito importante haver fotógrafos “só fotógrafos” a participarem nos encontros deste grupo, pois é muito enriquecedor e é uma forma indirecta de chamarmos mais fotógrafos a virem divertir-se connosco.

Se as pessoas tirarem fotografias com o mesmo entusiasmo, carinho e dedicação com que os sketchers fazem os seus desenhos: observando as peças e o seu contexto na exposição e na história, reflectindo, pensando nos enquadramentos, nas cores, etc., fazendo uma selecção cuidada – sobretudo do que não querem incluir nas suas fotos – o efeito produzido em cada um dos Fotógrafos e/ou Sketchers é semelhante: usufruirmos dos espaços que visitamos – ou apenas de meia dúzia de peças a que nos dedicamos cuidadosamente -, trazermos connosco mais  histórias para contar sobre as peças, os locais e as actividades em que nos envolvemos e mais de aprendizagem através da auto-crítica positiva que devemos fazer dos nossos próprios trabalhos e dos nossos companheiros Fotógrafos e/ou Sketchers.

Deixo aqui a citação (ver topo do blog dos Foto&Sketchers 2´´) do fundador dos Urban Sketchers internacional, Gabriel Campanario, que nos inspirou a criarmos este grupo para promovermos a Fotografia e o Sketching (Rabiscos de observação no local) e a integração dos participantes, sobretudo para cumprirmos os nossos principais objectivos: usufruir da cultura material e imaterial dos lugares que visitamos, conviver e divertir-nos o mais possível.

“At the end, no winner was declared in the face-off between pens and lenses. And that’s a good thing. Whether with a pen or a camera, the act of recording things visually forces us to pay attention to our surroundings. It helps us see things with new eyes when we take the time to look. And that’s all that matters.”
Por Gabriel Campanario, fundador dos Urban Sketchers

Por Rita Caré, 2015 – publicado no blog dos Foto&Sketchers 2´´

Foto&Sketchers 2´´ – Fotos e Rabiscos em Cascais, Oeiras, Sintra, Amadora e Lisboa

Já vos apeteceu ir atrás dos Urban Sketchers, por aí, a explorar esses lugares tão belos de Portugal, mas não querem nada desenhar e por isso não vão? Já vos apeteceu ir rabiscar, mas os vossos amigos e familiares não querem ir, porque não rabiscam, não querem, acham que nunca vão conseguir desenhar uma “linha direita”? Já pensaram em desafiá-los a usar máquinas fotográficas ou telemóveis,  enquanto vocês próprios desenham?  Ou já pensaram que podia ser giro desenhar e fotografar os mesmos temas nos mesmos encontros?

Pensando nisto mesmo e no enorme potencial que o património cultural de Cascais-Oeiras-Sintra-Amadora tem, o Grupo informal no Facebook Foto&Sketchers 2” (lê-se Foto e Sketchers Duas Linhas) – Cascais | Sintra Lisboa foi criado para se organizarem encontros em lugares desses concelhos e onde fotógrafos/sketchers e amigos/familiares possam usufruir do desenho e da fotografia em simultâneo, apesar destas actividades terem tempos tão diferentes. Isso será um desafio interessante de enfrentar. Para seguirem as actividades podem tornar-se membros do Grupo FS 2´´  pedindo adesão (o grupo é fechado para evitar problemas com spam).

FS2linhas-Logo Horizontal

Foto&Sketchers 2´´. Cascais | Sintra Lisboa 

Estamos sempre prontos para mais uma fotografia e mais um desenho. Andamos sempre com as nossas máquinas fotográficas (ou smartphones), cadernos e folhas soltas nas mochilas. Registamos e (re)criamos memórias de momentos bem passados dos lugares que visitamos. Exploramos lugares com interesse social e cultural em redor de duas linhas de comboio que unem Cascais-Oeiras e Sintra-Amadora a Lisboa. Somos livres para o usar os materiais e as técnicas que queremos. Aprendemos uns com os outros, partilhando fotos e desenhos entre nós e com o mundo através das redes sociais.

Foto-Sketchers 2´´

Reportagem: DESENHOS-MISSIVAS no Museu das Comunicações

Fica aqui o resumo do Workshop “Missivas” de uma exposição em diários gráficos que orientei no Museu das Comunicações – FPC, em 28 fev 2015, inspirado na exposição “Missiva” de João Noutel.

É sempre muito motivador descobrir novas caras entusiasmadas pelos diários gráficos e muito reconfortante rever quem já conheço usufruindo desta actividade que, mais do que tudo, nos faz tão bem à Vida.

WS-Missivas-MC-FPC-FotoAnaFerreira-28Fev2015-2

[Grupo na exposição “Missivas” | Foto de Ana Ferreira]

O meu objectivo para o primeiro desafio foi “aquecer” o espírito de observação e estimular a “queda” de preconceitos negativos sobre a actividade de desenhar “bem” (sabe-se lá o que isso quer dizer…) e a descontracção, através de um dos meus exercícios preferidos: o desenho-cego do objecto “mais” tridimensional da exposição “Missiva” de João Noutel, o telefone “Eva Break”.

WS - Missivas - MCFPC - Rita Caré 2015 - 2 - 72 - 800

[Desenho-cego “Eva Break” por Rita Caré]

Concretizámos um exercício de desenho semi-cego do mesmo objecto, cujos resultados não foram tão do agrado da maioria dos participantes, o que não me admira, pois o desenho-cego permite-nos captar a essência do que observamos de uma forma mais espontânea, forte, única… Talvez mais coerente com as nossas próprias emoções e significados. Foi também proposto aos participantes que em casa pesquisassem na Internet informações sobre a obra “Eva Break” para reflectirem sobre o objectivo na “Missiva” do autor e encontrassem os seus próprios significados.

Teresa Ogando - WS Missivas MC-PPC - 28Fev2015 - 3

[Desenho “Tapete voador & Globo Terreste” por Teresa Ogando]

Para estimular a associação de ideias e a criatividade propus um segundo desafio com dois objectos: um da exposição “Missiva” e outro da colecção do museu. Reflectimos sobre as características e significados da obra “Encontra-me neste tapete voador” e de um globo terrestre e escrevemos dois pedidos que poderiam fazer um ao outro caso falassem.

WS-Missivas-MC-FPC-Desenho-CristinaWeber-FotoAnaFerreira-28Fev2015-2

[Desenho “Tapete & Globo Terrestre” por Cristina Weber | Foto de Ana Ferreira]

Os desenhos foram coloridos ao gosto dos participantes com kits de aguarela e marcadores de gama infantil ou kits de aguarela de gama de estudante académico dos próprios participantes.

Teresa Ogando - WS Missivas MC-PPC - 28Fev2015 - 5

[Desenho “Segredos” em postal por Teresa Ogando]

Foram distribuídos selos de correio normal dos CTT e postais de papel de aguarela para concretizar um terceiro desafio: escolher a obra preferida, desenhá-la e explicar o porquê da escolha. Todos foram convidados a enviar os postais ao próprio museu.

WS - Missivas - MCFPC - Rita Caré 2015 - 1 - 72 - 800

[Desenho “Conversa” por Rita Caré]

Gosto de propor “desafios-tpc”: um desenho conversa entre um telefone “feliz”, uma máquina de escrever “analfabeta” e uma caneta dupla de aparo das “esperanças e dos sonhos”, sendo os desenhos baseados nos telefones da colecção do museu e nas seguintes obras expostas “Only for Happy News”, “Analphabetic Lovers” e “Hopes & Dreams”.

Ver Reportagem Fotográfica
por Ana Ferreirda FPC
 

Agradeço em especial a Cristina Weber pelo convite
e a Ana Ferreira pela ajuda na organização e pelas fotos.
E ainda o apoio dos Urban Sketchers Portugal.

Rita Caré, Março de 2015

Saída em fuga… Haverá fantasmas junto com tanto pó e fósseis de plantas?

A actividade de desenho de observação que tanto bem me faz e que me acompanha quase sempre, com raras excepções, nos momentos positivos, belos e estéticos, não pode servir apenas para isso. Há momentos em que uma pessoa não se pode calar… ou não deve.

Precisava de “passar tempo” e entrei no Museu Botânico da Universidade de Coimbra. Na entrada dizia “Close”, mas a porta estava aberta. Não vi ninguém, mas tinham-me dito que podia entrar…

Museu-Botânico-UnivCoimbra-24Set2014

O que encontrei é muito triste e deprimente… A colecção de fósseis de plantas foi o que mais gostei e é muito gira… não faço a menor ideia se é cientificamente relevante, mas suponho que é… suponho… Há também uma colecção de lupas e microscópios muito gira. Também não sei se são historicamente interessantes, mas suponho que são… suponho… Há uns quadros com objectos muito antigos relacionados com colheitas de várias espécies de culturas agrícolas, mas imagine-se os poucos textos que incluem são em Francês… São muito antigos esses quadros. Ora, eu sou de uma geração para a qual o Francês não foi e não é prioritário. Não há uma única legenda contextual em todo o espaço, fiquei triste porque as lupas e os microscópios nem sequer tinham referência a datas…

O que é isto…?!? Isto que se passa ali como em tantos outros sítios não é falta de dinheiro. Legendas que contam histórias mesmo muito pequeninas não é falta de dinheiro!! É falta de muitas outras coisas, mas de dinheiro é que não é!! E é tão preciso contar histórias!!! Para que servem as colecções e os Museus senão para nos contarem histórias!!

Pareceu-me que a situação irá mudar dentro de algum tempo (seja lá o que isso queira dizer…)… pareceu-me e assim o espero…

Reflexões: Há Diários Gráficos que são Obras de Arte

Se existem blogs recheados de visitas, exposições, livros publicados (até com edições esgotadas) e outros suportes relacionados com diários gráficos é porque pelo menos alguém os considera Obras de Arte… não será?

Não discuto academicamente o que é uma Obra de Arte, porque não tenho conhecimento suficiente sobre História de Arte ou de Filosofia para tal, mas tenho a minha opinião e o meu próprio ponto de vista. Considero que uma Obra de Arte é tudo aquilo que foi produzido pelo ser humano  e que me desperta o olhar por me identificar com a sua estética  e por provocar um impacto forte nas minhas emoções, sejam negativas ou positivas: indignação, medo, luto, deslumbramento, surpresa,  nostalgia profunda, paz interior, entre outras.

Em baixo deixo alguns exemplos de páginas de diários gráficos que sinto serem Obras de Arte.

Mário Linhares em Partilha
Mário Linhares em “Partilha”
Mónica Cid em "Cadernos"
Mónica Cid em “Cadernos”
Rosario Félix em "De que me servem os olhos"
Rosario Félix em “De que me servem os olhos”
PeF - Pedro Fernandes no Público
PeF – Pedro Fernandes no “Público”

 

Rabiscos sobre Protesto em Sintra

Venham mais tardes divertidas assim para rabiscarmos e descobrirmos mais museus maravilhosos, de preferência onde desenhar nos seja permitido sem pedidos especiais e estranhas proibições sem sentido.

Rabiscos Sob Protesto - Museu AnjosTeixeira - 23Mar2014 - RitaCare - 800

Seguindo o desafio de António Procópio, fomos para o Museu Anjos Teixeira, em Sintra, com objectivo de desenharmos “À Volta das Esculturas” e de sensibilizarmos para a mudança de mentalidades. Mas nem sequer  nos foi permitido desenhar os espaços em redor das peças expostas. Então, depois de visitarmos a exposição e de escrevermos algumas legendas nos cadernos, fomos para a rua onde rabiscámos o “Museu Ausente”.

MuseuAnjosTeixeira-23Mar2014-RitaCare (4) - 800

Rabiscos Sob Protesto - Museu AnjosTeixeira - 23Mar2014
Manifestantes a favor do desenho em museus com os seus rabiscos do “Museu Ausente”

Verificámos que os entraves para desenhar no Museu Anjos Teixeira, em Sintra, se tornam ainda mais descabidos e contraditórios quando lá dentro descobrimos o espólio que homenageia o trabalho de Artur Anjos Teixeira (o pai) – cartoonista e também ele um “Urban Sketcher” -, e de Pedro Anjos Teixeira (o filho), extraordinário escultor e defensor do desenho humano e animal e da Arte.

MuseuAnjosTeixeira-23Mar2014-RitaCare (1) - 800
Clicar para ver
MuseuAnjosTeixeira-23Mar2014-RitaCare (3) - 800
Clicar para ver
MuseuAnjosTeixeira-23Mar2014-RitaCare (2) - 800
Clicar para ler

Para cumprirmos o desejo de desenharmos numa exposição seguimos para o Museu de História Natural, ali tão perto, onde simpaticamente fomos recebidos e apreciados, porque os funcionários estavam deliciados a apreciar os resultados nos cadernos.

MuseuHistNaturalSintra-23Mar2014-800

À saída houve um momento de equívoco no “Urban Sketching”, só explicado naturalmente pela beleza de Sintra ao pôr-do-sol, da fome  que já se sentia e pela pressa para o desejado “banquete” de queijadas…

Urban Sketchers fotografam Sintra - 23Mar2014 - RitaCare - 800

Há uma CARTA ABERTA com o objectivo
de SENSIBILIZAR OS MUSEUS A NÃO PROIBIREM
A ACTIVIDADE DE DESENHO das peças expostas!

ASSINEM AQUI:
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=desenharemmuseus-pt