Cais da Trafaria e uma reflexão sobre Urban Sketching

O Cais da Trafaria não é bem assim, como se vê na fotografia. Falta-lhe uns pedaços aqui e ali, mas quem conhece o local consegue reconhecê-lo. Para mim o Urban Sketching é cada vez menos representar fielmente o que observo. É mais usufruir do acto de desenhar e de pintar, representando o que sinto no contexto do desenho (nesta tarde, sentia-me uma garota “naïf” a brincar com a aguarela e os lápis-de-cor). Ser Urban Sketcher também é inventar um bocadinho para facilitar ou para ter esse espaço de transgressão em relação à realidade. É ainda explorar os lugares, representando-os com técnicas e materiais diferentes, numa incessante procura de soluções.

Rita Care - Trafaria - Ago 2017 (1) red

O momento desta dupla página e toda esta tarde tão bem passada são o que de melhor tem a comunidade de Urban Sketchers Portugueses: as pessoas. Desenhar é um veículo para atingir um fim com uma estranha dualidade. Por um lado, é desaparecer para dentro de mim numa partilha única de silêncios agradavelmente estranha. Por outro, é divertir-me, virando-me para fora num encontro colectivo de partilha com sorrisos e boa disposição.

 

Rita Care - Trafaria - Ago 2017 (2) red

Esta dupla página tem um aspecto de que não gosto: a mancha de aguarela no centro. Acontece quando existe o meio do caderno, mas principalmente quando se usa muita água e o papel não é o mais adequado para a técnica aplicada – uma aguada destas precisa de papel com qualidade e de 300g/m2. Assim, perdeu-se a continuidade, o fluxo, de uma página para a outra. Enfim… adoro experimentar tintas, pincéis e papéis… Se não experimentarmos não descobrimos o que nos faz falta e o que se adequa às nossas características e interesses. Sendo assim, querido papel Claire Fontaine 180g/m2 de faces diferentes, volta! Sinto-te a falta no contexto do diário gráfico.

Ser Urban Sketcher é ser curioso e ter um desejo incessante de conhecer os lugares de passagem e de evoluir, sempre de caderno na mão. É representar o mundo como o vemos e sentimos num momento – ou como gostaríamos de o ver e sentir – e não a realidade.

No mesmo dia em que escrevi este texto,
encontrei outro muito interessante
da Urban Sketcher Jane Wingfield:
Falling in love with the world, one sketch at a time

Este texto foi publicado no blog dos Urban Sketchers Portugal.

 

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Rabiscos para o almoço | Wrap de guache

Depois do workshop com a Maru Godas para explorar o guache, que achei muito divertido, resolvi arranjar uma caixa destas tintas. Entretanto, comprei branco opaco da Talens, porque percebi que um dos “segredos” para utilizar este material é o branco (ainda há outro que é para tornar as cores mais claras).

Rita Care - Wrap de Legumes - Jul 2017 (1)

São guaches “rascas” comprados num desses mega-supermercados, mas não inutelizáveis nem cheiram mal  – já ouvi umas descrições de produtos comprados nas lojas daquele país asiático que metem medo ao susto.

A primeira experiência com estas tintas que não usava desde os tempos da escolinha foi o que estava mesmo à vista e colorido, um wrap de legumes.

Guaches Reeves

Não usei um pincel… Que material terei utilizado?
Dei um último acabamento com lápis de cor.

Rita Care - Wrap de Legumes - Jul 2017 (2)

 

Lápis-de-cor em aguarela com Maru Godas e Santi Sallés e ainda…

Lápis-de-cor em aguarela
com Maru Godas e Santi Sallés e ainda…

O Workshop da Maru Godas e do Santi Sallés, no Sábado passado, na Casa Atelier Vieira da Silva, despertou-me a vontade de voltar aos lápis-de-cor com ou sem aguarelas. Gosto tanto deste material e quase nunca o uso, porque não me apetece andar com mais peso extra na mochila…

Rita Caré com Santi Sallés e Maru Godas - Aguada e Lápis-de-cor

Este foi 1/2 do desafio do Santi… É que eu não dei tantos detalhes como ele exemplicou para dar movimento e cor ao desenho. Quis muito terminar este desenho tal como está. Acontece-nos e é muito importante seguir a intuição de que é agora que temos que parar. Só com a experiência aprendemos quando chega esse momento.

Vou continuar a experimentar este estilo naif! Ah pois vou!

Rita Caré com Santi Sallés e Maru Godas - Aguada e Lápis-de-cor

Cá está o desafio mal amanhado que a Maru propôs. É que não percebi o que era para fazer…. Também estas rabiscadelas na palmeira estão uma bela “Mierda”. Enfim, se não errarmos não sabemos o que não queremos.

Rita Caré com Maru Godas - Guache

Entretanto, a Maru Godas brindou-nos com um workshop sobre guache com o objectivo de o testar para o que vai realizar em Chicago no próximo Simpósio Internacional dos Urban Sketchers. Cá estão alguns dos resultados. Nas férias quando apanhar os guaches da minha mãe a jeito vou-me divertir com eles!

Além disto ainda “aprendi” novo vocabulário USk: “MiERDA”, “NÃO SOFREIS”… “Estais hacendo Trampas?”. Sim e é maravilhoso ;-)

Rita Care - WS - Maru Godas - Guache, Lisboa - Jul 2017

 

 

 

Jantar e almoço do Adeus…

Os congressos científicos têm sempre um jantar de gala… quer dizer com os cientistas das coisas da agricultura e da biologia é mais um “farewell dinner” para promover o convívio, com muita gente vestida informalmente.

rita-care-miguel-no-jantar-ils2-2016

O Miguel foi tocar e cantar. Até pôs o pessoal a dançar no palco e pelo espaço todo. E cantou-se “We are the world”, o que foi muito adequado para o contexto de uma conferência com quase 400 pessoas, de mais de 40 países, a falarem sobre quase tudo o que há para falar sobre leguminosas, essas plantas fabulosas de diferentes pontos de vista (agrícola, económico, biológico, ambiental e para a saúde).

rita-care-marina-a-cantar-no-jantar-ils2-2016

A Marina, uma investigadora espanhola, cantou com o Miguel e no final tocou uma guitarrada fantástica!

rita-care-jantar-do-ils2-2016

No último dia ainda houve que dar apoio a reuniões, desmontar e meter todo o material nos carros. Depois houve piquenique à beira do Sado com vistas para Setúbal.

rita-care-setubal-de-troia-pic-nic-ils2-2016

Regressámos estoirados depois de 10 dias seguidos a trabalhar 12-14 horas/dia. Já hoje é quarta-feira e só penso que quero é dormir…

O papel kraft com lápis mágicos e brancos é tão giro, não é?

Farol de Sta. Marta, Cascais

Rita Care - Farol Sta Marta - Cascais - Ago2016 (2)

Um fim-de-tarde tão simpático na Cidadela em Cascais com vista para o Farol de Santa Marta, os cargueiros estacionados, a marina, o mar muito calmo e esverdeado… um pôr-do-sol fresco, muito laranja, a fazer lembrar que o Outono não tarda aí.

Rita Care - Farol Sta Marta - Cascais - Ago2016 - 72

O papel kraft é muito giro para brincar com os lápis-de-cor, mas não se pode comer nas proximidades. Fica cheio de nódoas de dedadas…

Sapatos modernos no Museu do Traje

Adoro desenhar vestidos e sapatos!

O Museu do Traje não é o sitio mais acolhedor não… mas com este calor tremendo nenhum lugar sem ar condicionado é acolhedor…

Foi bom perceber que o Museu do Traje, em Lisboa, não inclui nas suas exposições apenas roupa de outros tempos, mas inclui também trajes modernos já do século XXI.Estes Camper azuis são de 2013.

Rita Care - Museu Traje - Ago 2016 (1) (726x1024)

Rita Care - Museu Traje - Ago 2016 (2) (1024x739)