Dos Blogues e a Blogar há quase 16 anos…

BlogRenovado-PapiroPapirus-RitaCare-21mar2017

Cristina Nobre Soares espicaçou-me mais uma vez com um texto sobre BLOGUES, essa grande invenção do final do século XX. Este post é uma adaptação de um comentário que fiz ao seu post no Facebook.

Os blogues são olhados de lado…? São lixo?!

Primeiro, são os arquivos de muitos anos (até décadas) de diários ou semanários de muita gente, das suas vidas pessoais e profissionais. Ainda hoje considero os blogs das ferramentas mais interessantes para arquivar e divulgar informação (acho o WordPress na versão gratuita uma coisa de outra dimensão…). Por causa dos blogs conheci, online e ao vivo, algumas das pessoas mais interessantes da Vida, no contexto de interesses comuns.

Depois, lixo é o que os jornais e os media no geral pretendem impingir a quem os lê/vê. Há por aí muito blog a fazer serviço público, mas muito melhor.

O meu primeiro blog foi criado em Setembro de 2002, quando estava um calor abrasador e estava eu noite dentro a teclar que nem louca numa varanda de Madrid…

Como é possível ter passado tanto tempo?

Escrevi poemas e pequenos textos de emoções e de opiniões, divulguei ciência quando eram raros os que o faziam. Finalmente, anos mais tarde descobri os blogues dos rabiscos. Criei este em 2007.

Publiquei durante anos e anos, até há bem pouco tempo, quase sempre sob anonimato. Sim, que eu não sou autora apenas do Papiro papirus, mas de vários outros blogues. Notem, que há uma urban sketcher poetisa que conheci online através desse primeiro blog de 2002. Este país é um penico, já se sabe…

Durante mais de três anos mantive um blog de divulgação científica, o “Caminhos do Conhecimento”. Durante muito tempo achei que tinha um título péssimo até recentemente ter descoberto que a Ciência Viva agarrou nesse mesmo título para denominar o portal sobre o legado de José Mariano Gago (uma das mais relevantes personalidades da Divulgação Científica em Portugal). Imaginem… Que honra! Eu a pensar que era um nome a cheirar a pseudo-ciência… ahahahah!

Estou a ver que que não sou a única que fui largando um blog, criando outro blog, largando, criando… Nos tempos de hoje só me apetecer manter vivo um único blog, este Papiro papirus! Aqui reúno a maior parte do que me tornei, apesar do foco central serem rabiscos. Sou bióloga do coração, apaixonadérrima por museus, partilhadora de assuntos culturais e de ciência (nesta parte, pouco, porque o faço profissionalmente), desenhadora, mini repórter e opinidadora de vão de escada.

Sabem do que mais gosto?
De reescrever, reescrever, reescrever, reescrever… porque é muito divertido e faz-me crescer,  clarifica a cabeça e o texto, melhora as publicações. Escrever online tem essa vantagem de virmos cá quando nos apetece e melhoramos o que precisa de ser melhorado. Também gosto de voltar atrás de vez em quando e perceber como pensava há muitos anos e quais eram os meus interesses na altura. Os blogs fazem-nos olhar ao espelho. Se os espelhos forem analisados pela positiva isso traz-nos o benefício da evolução da mente e do espírito.

O texto da Cristina Nobre Soares está ali, mas só quem é “Amigo” no Facebook consegue lê-lo. Também está publicado no blog Em Linha Recta.

 

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Do “FAZER” – Citação para não esquecer

 

Hoje reli uma citação que a Teresa Ogando me enviou há umas semanas num e-mail que, claramente não Li com a devida atenção. Hoje Atentei-me ao conteúdo…

Começa por fazer o necessário, depois faz o possível.
E de repente estarás a fazer o impossível! 

São Francisco de Assis

 

 

 

Da Relevância e do Sentido de Viver: 10 Anos do Movimento dos Urban Sketchers

Rita Care _ FabricaPolvora_10anosUSk_11Nov2017 (2) _ 1200

O Movimento dos Urban Sketchers celebrou 10 anos no dia 11 de Novembro de 2017. Nesse dia, estava numa formação profissional na Fábrica da Pólvora de Barcarena. Alguns dias antes já sabia que desenho queria fazer para celebrar. Não é o desenho mais incrível que fiz, nem por isso, mas foi feito com o coração. Ao olhar para o desenho agora, gosto de pensar que ter pintado com os chamados “Lápis-de-cor Mágicos” não foi um acaso.

Rita Care _ FabricaPolvora_10anosUSk_11Nov2017 (1)_1200

Senti-me triste ao longo do dia, como se estivesse no local errado, por não ter a companhia de pelo menos outro Urban Sketcher comigo. Mas no final do dia rabisquei, sorri e partilhei, cumprindo dessa forma o que de mais importante me trouxeram os Urban Sketchers: mudei irremediavelmente, cresci, tenho-me divertido muito e tornei-me maior, muito maior do que eu própria.

Mari_11Nov2014_FabricaPao_10anosUSk (2)_1200

Em alguns momentos dos últimos anos, principalmente entre 2013 e 2017, quando organizei cerca de 80 encontros dos USkP e do grupo Foto&Sketchers 2 Linhas, quando colaborei, entre 2014 e 2016, com a coordenação dos Urban Sketchers Portugal na gestão de informação e criei o Facebook USkP, senti que o que vivia ia muito além de mim, cumprindo uma grande paixão, projectando o meu trabalho de voluntariado em muitas outras pessoas. Isso criou uma Relevância de Viver cheia de pequenos-gigantes Significados.

Às vezes penso neste tempo e receio nunca mais voltar a ter oportunidade de tocar em tantas outras vidas, mesmo de forma minúscula como fiz com tanta “Gente Gira” ao mesmo tempo e com tamanho impacto.

Pertencer a este Movimento, vivê-lo, testemunhá-lo tem sido das coisas mais importantes que alguma vez farei. As Amizades que construí ao longo dos anos, por causa destes desenhos tão especiais, é das maiores ofertas que a Vida me deu.

De vez em quando faço uma reflexão sobre porque é que Desenho e porque considero tão importante que todos Rabisquem. Podem ler as minhas reflexões ALI, com destaque  ACOLÁ para o desafio que a Liz Steel fez.

Rita Caré, 25 de Fevereiro de 2018

P.S. Este desenho está a ser publicado aqui tantos meses depois do 11 de Novembro de 2017, porque Viver às vezes é difícil, troca-nos as voltas e a motivação. Nas últimas semanas tenho andado a publicar desenhos de 2017 e até mesmo de anos anteriores. E muitos mais faltam ainda até conseguir publicar tudo o que tenho pendente. Tem sido uma viagem de reencontro comigo própria, com o que fui e que quero deixar para trás e na pessoa que quero ser no futuro sob o lema “a vida tem que ser mais lenta e leve”.

MC estás no Ar em meu redor

MC, sinto falta da tua força,
do que fazias para te sentires livre.
Inspiras-me!

Rita Care _ Para MC _ Out 2017 (2)_1200

O estilo abstracto é inspirado no trabalho de Ana Crispim
e de Ana Hatherly

 

De seguida criei este.
Lembro-me de me sentir vazia de pensamentos
e de deixar correr a caneta pelo papel…
Devia fazer mais vezes…

Rita Care _ Abstract _ Out2017_1200

 

 

 

Oradores de um workshop de 2016…

Fui rever os apontamentos de um caderno de 2016 e encontrei rabiscos dos oradores do Workshop “Agenda 2030 on sustainable development: How shall agriculture research and higher education respond?”, realizado na Fundação Calouste Gulbenkian. 

Rita Care - WS-Agri-FCGulbenkian-2016 (1) - 1200

Gostei muito dos desenhos que fiz destes dois senhores. É muito interessante de verificar que os desenhos de que mais gosto têm, no geral, a ver com o prazer que senti num contexto específico. Gostei muito de os ouvir, claro, mas pareceu-me tudo demasiado teórico.

Rita Care - WS-Agri-FCGulbenkian-2016 (2) - 1200

Além de que nesse dia, mais uma vez, me confrontei com o comportamento paternalista dos países Ocidentais, ditos desenvolvidos, para com África. Enquanto isto persistir não se vai a lado nenhum nos relacionamentos com os países daquele continente. Sinto alguns dos países Africanos (sobretudo os ligados a Portugal, que são os que mal “conheço” de ouvir falar e de ler sobre eles…) tantas vezes perdidos de si próprios, por antigos e enraízados motivos, falta de objectivos próprios consistentes e para lutarem pelo evoluir dos seus povos. Esse evoluir tem de ser, acho eu, de uma forma positiva do seu ponto de vista e não de outros mundos, que nada têm a ver com eles e quase tudo desconhecem sobre a sua cultura e modo de vida.

Quando ainda havia Outono em Oliveira do Hospital…

Rita Care - Outono na Beira Alta Set 2017 (2) red
Outuno quando ainda havia Outono em Oliveira do Hospital no ano 2017

Neste momento não sei se as duas árvores que originaram aquele desenho, publicado há umas semanas, ainda existem. Ou se desapareceram no incêndio terrível na fustigada Oliveira do Hospital, enquanto outros mais de 500 incêndios em simultâneo destruiam florestas, culturas, fábricas, carros, animais… pessoas, em Portugal, no dia 15 de Outubro de 2017.

O fogo parou a poucos metros da casa dos meus avós, porque a minha mãe, o meu avô de 90 anos e um casal que vinha fugido de outro incêndio, a alguns quilómetros, lutaram com todas as forças contra as fagulhas lançadas por um pinhal abandonado e ardente a dezenas de metros. As casas estão a salvo, mas as almas receio que jamais serão as mesmas.

Amanhã de manhã ao acordar vou deparar-me com a cinzenta realidade. Daqui a duas ou três semanas ervas e fetos vão brutar de forma incrível por entre as cinzas. Eu sei porque vi isso acontecer em 2003 quando o fogo ficou a 200 metros.

Este desenho marca um momento muito importante das nossas vidas e tornou-se por um isso um dos mais importantes que alguma vez fiz.

Esta é uma oportunidade única para a reflorestação do Centro e Norte de Portugal se faça como deveria estar feita há dezenas de anos. Conhecimento científico não falta. Faltou até hoje vontade política. Precisamos também de uma reforma para termos muito mais sapadores (bombeiros profissionais) e voltarmos a ter um corpo de guardas florestais.

Deixarmos as páginas ensinarem-nos… a ESCREVER

Doug Neill - Who will teach me to write

ESCREVER é ao mesmo tempo o meu inferno e uma benção. A escrita vive em mim nessa dualidade, porque é tão difícil escrever bem e claramente, mas é lá que me reencontro, enfrento os meus demónios e me redescubro. Mesmo que quisesse deixar de escrever não seria possível. Se o fizesse estaria a abandonar-me.

A maior parte das pessoas que me conhecem acham que vivo dentro de desenhos, mas nenhuma imagem me representa melhor do que umas mãos frenéticas num teclado. Essa sou eu.

As letras são para uma reflexão cá dentro e o cumprimento da minha profissão. Os desenhos são para uma reflexão do mundo lá fora.

Estou a reaprender a escrever à mão para lá das teclas. Estou a aprender a desenhá-las, como se fossem qualquer objecto ou paisagm que me fascina… Está a ser um processo doloroso para a minha mão, os meus dedos, o meu braço, as minhas costas, o meu corpo, mas quero muito cumprir este propósito.

O Doug Neill do projecto “Verbal to Visual” é o meu mais recente guia dos rabiscos, que não são quaisquer desenhos. Não. Estes Rabiscos de Ideias são criados e ensinados para pensar, estruturar o pensamento e comunicar conceitos.

Por entre mais de 100 vídeos disponíveis no seu canal de You Tube, o Doug publicou recentemente este vídeo muito diferente, muito especial, que me guia uma e outra vez para a “coisa” dO ESCREVER.

Vejam, leiam e oiçam esta citação “Who Will Teach Me To Write?” do livro “The Writing Life” de Annie Dillard sobre como as páginas nos ensinam a escrever… se nós deixarmos…

Notícia USkP | Desenhar o “caos” com Nuno Saraiva, um ilustrador político

Nuno Saraiva - CAASVS - 5mar2017 - by Rita Caré (4)
Sketchers a desenhar o Caos no Largo do Rato, Lisboa | Foto por Rita Caré

Notícia USkP
| Desenhar o “caos” com Nuno Saraiva,
um ilustrador político |

Por Rita Caré

Nuno Saraiva foi o convidado da actividade “Um Ano a Desenhar para o Futuro 2017”, em 4 de Março de 2017, na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva. Uma das suas actividades principais tem sido a de ilustrador em quase todo o “mundo” editorial Português.

Considera-se um ilustrador político e tem vontade de partilhar o passado dos lugares em desenhos e dessa forma contar histórias sobre o que já desapareceu. Defende que nem tudo o que desenhamos deva ser partilhado e que é importante guardar “tesourinhos” e segredos.

Nuno Saraiva partilhou a sua “primeiríssima” incursão no diário gráfico, em 2008, para uma entrevista com Miguel Esteves Cardoso à revista Visão. Nessa reportagem desenhou o almoço da entrevista, incluindo o escritor, as loiças, o empregado de mesa, textos com pedaços das conversas e comentários seus (considera importante inclui-los para que o desenho se torne uma memória viva).

Uma viagem desenhada a Luanda (Angola) também esteve em grande destaque com a partilha de desenhos e muitas histórias. O ilustrador contou do que gostou, do que o afligiu, das peripécias e de como o caos de Luanda o marcou.

Foi exactamente o tema do “Caos” a proposta para desenhar de seguida no Largo do Rato.

Publicado
Newsletter “Agenda dos Sketchers”  Abril 2017
Associação Urban Sketchers Portugal

O Caos - USkP com Nuno Saraiva by Rita Caré aka Papiro
O meu desenho sobre o CAOS no Largo do Rato, Lisboa

O olhar e o transcendente no Desenho

Escrevo sobre Desenhar e sobre o que senti na última visita ao Aquário Vasco da Gama e ao Rei D. Carlos I. Este foi o desenho que me fez saltar para outra dimensão, rara, que de vez em quando me acontece no ponto de encontro entre a caneta e o papel.

AQUÁRIO VASCO DA GAMA E A BICHARADA DO REI-CIENTISTA-PINTOR by Rita Caré 2017

Fomos celebrar a Vida e transcendi-me ao desenhar seres que já não estão vivos há dezenas ou há mais de uma centena de anos. A caneta parecia ter vontade própria. Fluiu nas minhas páginas triangulares como se se conhecessem desde sempre. Não pude parar durante muito tempo. Desde então tenho pensado naqueles desenhos todos os dias e nos significados para a minha própria vida.

Todas as pessoas têm um olhar diferente perante o que desenham. A representação do que observamos depende, claro, da experiência que cada um tem de desenhar. Mas, quanto mais desenhamos, melhor nos conseguimos exprimir, tanto em relação à mensagem que queremos passar (se é que existe esse objectivo prévio), como em relação às emoções. Todos os desenhos são influenciados por estes dois factores.

Quanto mais nos entregamos ao acto de desenhar – e nos desinibimos em relação ao traço e à pintura – mais gostamos e mais os resultados são coerentes com o que desejamos para o próprio desenho.

Rita Caré